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Equipe multidisciplinar do HGE salva a vida de marisqueira que sofreu o quarto AVC

11/03/2026
Equipe multidisciplinar do HGE salva a vida de marisqueira que sofreu o quarto AVC
Fotos: Filandia Lima Brandão desmaiou e foi socorrida por profissionais do Samu | Assessoria

Thallysson Alves

A marisqueira Filandia Lima Brandão, de 59 anos, viveu momentos de tensão ao sofrer o quarto Acidente Vascular Cerebral (AVC), no bairro Fernão Velho, em Maceió, no dia 13 de fevereiro. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), levada imediatamente ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde recebeu a assistência necessária, e, nesta terça-feira (10), pôde voltar para casa sã e salva.

O episódio reforça um alerta importante para a população sobre os riscos da hipertensão e da necessidade de procurar ajuda médica rapidamente diante dos primeiros sintomas. No caso de Filandia, ela havia saído de casa para comprar comida, quando começou a sentir uma “angústia”. Durante o trajeto, passou a suar intensamente e, ao chegar a uma praça próxima de sua residência, desmaiou.

“Eu tinha encomendado uma lasanha, então saí para pegá-la. Na volta, carregando a lasanha e um refrigerante 2L, eu suava muito, mas achei que era o calor. De repente, eu desmaiei. As pessoas vieram me ajudar, mas eu não conseguia abrir os olhos e falar. Então chamaram o Samu, que me atendeu ali mesmo e me trouxe ao HGE. Eu não falava nada, mas estava ouvindo tudo”, disse a marisqueira, que é casada, tem dois filhos e quatro netos.

No HGE, Filandia foi atendida pela equipe multidisciplinar da Área Vermelha e submetida à exames de tomografia computadorizada. Em seguida, foi internada na Unidade de AVC para investigação do quadro clínico. De acordo com a neurologista Juliana Almeida, a paciente apresentou hemiparesia (fraqueza no lado esquerdo do corpo), além de dificuldade para falar.

“Avaliamos a possibilidade de realizar a trombólise, procedimento utilizado em alguns casos de AVC para dissolver o coágulo responsável pelo bloqueio da circulação sanguínea no cérebro. No entanto, após análise clínica, o procedimento foi descartado e optamos pelo controle rigoroso da pressão arterial com medicações”, relatou a especialista.

Durante os 25 dias de internamento, uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, farmacêuticos, técnicos de enfermagem, entre outros profissionais, entraram em ação para resgatar a saúde da marisqueira. Com o avanço do tratamento, os movimentos foram recuperados, bem como, a fala repleta de palavras de gratidão.

“Todos me deram atenção e amor. Fui muito bem atendida no HGE e não tenho o que reclamar. Sou muito grata a todos os profissionais que me ajudaram nesse momento. Se hoje estou aqui contando a minha história, é graças ao atendimento rápido e ao cuidado de todos os profissionais. Muito obrigada!”, declarou Filandia Lima Brandão, com os olhos cheios de lágrimas.

Importância da Prevenção

O derrame cerebral, como o AVC é popularmente conhecido, é um grave problema de saúde pública. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, milhares de pessoas sofrem com a doença todos os anos, e ela é responsável por mais de 10% das mortes no país. Especialistas alertam que até 70% dos casos poderiam ser evitados com o controle de fatores de risco, como: hipertensão, diabetes, tabagismo e sedentarismo.

“O AVC está muito associado a fatores de risco que podem ser controlados, principalmente a hipertensão. Manter acompanhamento médico, fazer exames regulares, controlar a pressão arterial, evitar o tabagismo, manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são medidas fundamentais para reduzir o risco da doença”, explica a neurologista do HGE.

Juliana Almeida também ressalta que o tempo é um fator determinante no tratamento. Desse modo, a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) é que, em caso de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração no rosto, perda de visão, tontura e dor de cabeça súbita e intensa, acione imediatamente o Samu, pelo número 192, ou busque um atendimento de emergência mais próximo, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

“Quando surgirem sintomas, é fundamental procurar atendimento imediatamente. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de recuperação. Em Alagoas, o programa AVC Dá Sinais viabiliza a assistência especializada o mais breve possível, reduzindo o risco de morte e de sequelas”, salientou a médica neurologista do HGE.

A maior unidade hospitalar pública de Alagoas também é referência no atendimento de urgência e emergência a pacientes com AVC em Alagoas. A unidade conta com equipe especializada e estrutura preparada para agir com rapidez nesses casos. Entretanto, o diretor médico Miqueias Damasceno faz um alerta importante.

“O HGE está preparado com tecnologia, insumos e especialistas, mas é importante lembrar que a informação, conscientização e prevenção é sempre a melhor solução e elimina o risco de sequelas, as quais podem afetar desde a capacidade de movimentação e fala até o convívio familiar e a vida profissional do indivíduo”, enfatizou o diretor médico da unidade hospitalar.