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Agonorexia: quando a redução do apetite deixa de ser terapêutica e vira risco metabólico
Um novo termo começou a circular nas redes sociais e na imprensa de saúde: agonorexia. A palavra combina “agonista do GLP-1” com “anorexia” e vem sendo usada para descrever uma supressão exagerada do apetite associada ao uso das chamadas canetas emagrecedoras.
Embora ainda não seja um diagnóstico médico formal, o conceito reflete uma preocupação clínica real: quando a redução da fome — efeito esperado desses medicamentos — ultrapassa o limite fisiológico saudável.
Segundo o médico Djairo Araújo, que atua nas áreas de nutrologia e medicina esportiva, é importante diferenciar o efeito terapêutico do efeito adverso.
“A diminuição do apetite faz parte do mecanismo de ação dessas medicações. O problema começa quando o paciente deixa de sentir qualquer sinal de fome e passa a ter ingestão nutricional insuficiente.”
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, atuam imitando hormônios intestinais que aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. Quando bem indicados, podem trazer benefícios importantes, como redução da ingestão calórica, melhora do controle glicêmico e melhora de parâmetros cardiometabólicos.
Para o especialista, o avanço terapêutico é significativo — desde que haja acompanhamento médico.
“Em pacientes com obesidade e diabetes, o uso adequado pode trazer benefícios reais e sustentáveis. O acompanhamento médico é o que garante segurança.”
O alerta surge quando a redução da fome se torna extrema. Entre os sinais de risco estão ausência total de apetite, ingestão proteica insuficiente, perda de massa muscular, fadiga persistente, queda de desempenho físico e sinais de desnutrição.
Nessas situações, especialistas passaram a utilizar o termo agonorexia para descrever um padrão alimentar disfuncional associado ao uso inadequado ou mal monitorado da medicação.
“A perda de gordura é desejável. A perda de músculo não. Quando o paciente reduz demais a ingestão alimentar ou não consome proteína suficiente, o impacto metabólico pode ser negativo”, explica o médico.
Outro ponto de preocupação é o uso das medicações com finalidade apenas estética. Os estudos de segurança dos agonistas de GLP-1 foram realizados principalmente em pessoas com obesidade ou diabetes.
“São medicamentos de indicação médica específica. Não são ferramentas estéticas. O uso indiscriminado pode trazer desequilíbrios metabólicos e favorecer o efeito sanfona”, alerta Araújo.
O especialista reforça que o tratamento seguro envolve ajuste de dose, acompanhamento nutricional e monitoramento da composição corporal, com atenção especial à preservação da massa muscular.
“O objetivo não é eliminar completamente a fome, mas regular o apetite. Existe uma diferença enorme entre controle e supressão.”
A popularização das canetas emagrecedoras trouxe avanços importantes no tratamento da obesidade — mas também novos desafios clínicos. Para especialistas, termos como agonorexia ajudam a ampliar o debate sobre uso responsável e acompanhamento médico adequado.
Fonte: Comunique – Assessoria e Marketing Médico