Geral
Mulheres lideram 80% das unidades assistenciais da Uncisal e fortalecem o SUS em Alagoas
Daniele Cândido
A Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) tem atualmente 80% de suas unidades assistenciais geridas por mulheres, um dado que a posiciona como diferencial no cenário nacional, onde a presença feminina em cargos de liderança ainda é, em média, menor. Mais que um indicador estatístico, esse percentual revela um modelo de gestão que alia técnica, responsabilidade pública e cuidado integral.
Para a reitora Pollyanna Almeida, a presença feminina em posições estratégicas impacta diretamente a qualidade da gestão e das políticas de saúde em Alagoas. “A liderança feminina deixa de ser exceção e passa a ser parte estruturante da gestão”, afirma.
Segundo ela, essa mudança também altera a cultura institucional. A condução torna-se mais colaborativa, baseada na escuta, no diálogo e na construção coletiva das decisões, com reflexos no clima organizacional e na integração entre ensino, pesquisa, extensão e assistência.
A reitora aponta ainda o efeito multiplicador da representatividade dentro da universidade. “Quando estudantes e jovens servidoras veem mulheres ocupando espaços de decisão, passam a se reconhecer como possíveis líderes e ampliam seus horizontes profissionais”, observa.
Para ela, liderar na saúde e na educação é, antes de tudo, servir com ética e preparo técnico, tendo como norte a justiça social. “A presença feminina na gestão amplia o debate sobre equidade e contribui para políticas públicas mais humanizadas, especialmente em uma instituição que forma profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescenta.
.jpeg)
Lideranças estratégicas na gestão pública
Na estrutura administrativa da Uncisal, o protagonismo feminino também se expressa na consolidação de políticas institucionais e na qualificação da gestão pública. A atuação das pró-reitorias e áreas estratégicas impacta diretamente a qualidade acadêmica e administrativa da universidade.
À frente da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), Ana Maria Jatobá pontua que ampliar a participação feminina no serviço público vai além da ocupação de cargos. “Transformamos a visão de Estado em uma força mais humana, inclusiva e representativa”, declara.
Para ela, a liderança feminina no setor público é o motor que converte empatia em política pública e competência em transformação social. Liderar a política de gestão de pessoas em uma instituição majoritariamente formada por mulheres, especialmente nas áreas de educação e saúde, significa, segundo a titular da Progesp, reconhecer essa realidade com maturidade institucional e transformar desafios em políticas estruturadas de valorização, equidade e desenvolvimento.
No campo do planejamento e da sustentabilidade institucional, a gerente executiva de Planejamento, Orçamento, Finanças e Contabilidade, Tereza Cristina Moreira, ressalta que a liderança feminina transforma a forma como os espaços funcionam. “A gestão feminina tende a olhar para o orçamento como uma ferramenta de transformação social, perguntando: como esse recurso pode gerar impacto duradouro?”, pontua.
Segundo Tereza, o equilíbrio entre rigor fiscal e visão humanizada contribui para a sustentabilidade institucional. “A valorização das pessoas e o planejamento estratégico tornam-se diferenciais para uma gestão mais resiliente e adaptável”, completa.
Na Controladoria Interna, Denise de Queiroz associa ética e transparência à responsabilidade pública e à integridade institucional. “Fiscalizar, orientar e garantir a transparência também é uma forma de cuidar e transformar”, afirma, destacando que a boa gestão dos recursos impacta diretamente a qualidade das ações desenvolvidas pela universidade, sustenta as políticas acadêmicas e assistenciais e repercute na formação dos estudantes e na atuação das futuras lideranças na saúde pública.
A presença feminina na condução institucional também se expressa na atuação de outras gestoras que integram a administração superior da universidade. Na Pró-Reitoria de Ensino e Graduação, Maria do Desterro da Costa e Silva integrou a equipe responsável pela conquista da nota máxima 5 no processo de recredenciamento institucional. À frente da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Mara Cristina Ribeiro conduz as políticas voltadas à produção científica e à qualificação dos programas acadêmicos. Já na Pró-Reitoria de Extensão, Maria Rosa da Silva assume a nova gestão dando continuidade a iniciativas de impacto social, como o projeto Sorriso de Plantão.
Completam esse cenário de liderança estratégica Leilane de Araújo, à frente da Ouvidoria Universitária e do projeto Ouvidoria em Foco, ampliando os canais de escuta institucional; Ruth Barros, na Coordenação de Ações Estratégicas, com atuação voltada ao planejamento e à projeção institucional da Uncisal; e Lauralice Marques, na Comissão Própria de Avaliação, responsável pelo acompanhamento dos indicadores acadêmicos. A estrutura administrativa conta ainda com Fernanda Calixto, na Assessoria de Relações Internacionais, fortalecendo a articulação externa da universidade, e Svetlana Barros, na Assessoria de Governança e Transparência, com atuação direcionada às boas práticas de gestão e integridade institucional.
Formação acadêmica e futuras lideranças
Na dimensão acadêmica, esse protagonismo também se expressa na produção científica, no ensino, nas ações de extensão e na articulação com a assistência em saúde. A presença das mulheres nos espaços de ensino e pesquisa qualifica a formação acadêmica e aprimora o atendimento prestado à população.
.jpeg)
Coordenadora do curso de Fonoaudiologia, Vanessa Porto observa que as mulheres têm ampliado sua presença na ciência e na pesquisa em saúde por meio do maior acesso à formação e de políticas voltadas à equidade. “Hoje ocupam mais espaços de liderança e contribuem para uma ciência mais diversa e socialmente comprometida”, avalia.
A integração entre ensino e assistência, característica da Uncisal, também é impulsionada pela atuação feminina. Na Gerência Docente-Assistencial do Centro Especializado em Reabilitação (CER III), Marisa Canuto explica que essa articulação qualifica a formação ao ultrapassar o domínio teórico e promover competências clínicas, éticas e sociais.
“As demandas assistenciais são transformadas em perguntas científicas”, sustenta. Segundo ela, a presença majoritária de mulheres produz efeitos concretos na organização e na qualidade dos serviços, ampliando práticas humanizadas.
Na Escola Técnica de Saúde (Etsal), a diretora Jinadiene Soares destaca que a formação técnica em saúde teve papel estruturante na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, os profissionais de nível técnico compõem grande parte das equipes que atuam na Atenção Primária, em hospitais e na vigilância em saúde, garantindo a operacionalização do cuidado nos serviços. “Hoje, mais de 70% da força de trabalho técnica em saúde é feminina, o que demonstra a presença histórica e contínua das mulheres na linha de frente da assistência”, afirma.
Representando a nova geração, a estudante e coordenadora do Diretório Central dos Estudantes, Erida Sthefany Oliveira, vê a liderança como responsabilidade coletiva. “Liderar na saúde é lutar por formação de qualidade, por condições dignas de ensino e por políticas públicas que ampliem e qualifiquem o SUS”.
“Liderar, para a nossa geração, também é representar e construir caminhos para que outras não precisem começar do zero”, acrescenta a estudante de Fisioterapia.
Nesse contexto formativo, outras mulheres ocupam posições centrais na organização do ensino e na articulação com os serviços de saúde. Marcela Peixoto está à frente do Centro de Educação a Distância (CED), acompanhando a expansão da modalidade e a ampliação do acesso à formação superior. A professora Ana Elizabeth Lins lidera o curso de Terapia Ocupacional e iniciativas voltadas ao envelhecimento ativo, integrando ensino e prática social. Também compõem esse cenário as coordenadoras Aldrya Ketly Pedrosa, em Enfermagem, e Alexsandra Pedrosa, em Fisioterapia, responsáveis pela condução pedagógica e pelo alinhamento curricular às demandas do SUS.
Na Gerência Docente-Assistencial, Rafaela Sampaio (HEPR), Jacqueline Pimentel (MESM) e Marisa Canuto (CER III) atuam na integração entre estudantes e unidades assistenciais, consolidando o elo entre formação acadêmica e prática profissional.
Assistência, cuidado e impacto social
É nas unidades assistenciais que a presença feminina se traduz em impacto direto na vida da população alagoana. Essa liderança amplia práticas humanizadas e aprimora o acesso à saúde pública.
No Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), referência em saúde mental, a diretora Helcimara Martins esclarece que a liderança feminina une sensibilidade e responsabilidade. “Quando essa sensibilidade chega à gestão, o cuidado se torna mais humano sem perder a firmeza técnica”, explica.
Para ela, liderar na saúde mental é garantir que cada pessoa seja vista além do diagnóstico, com dignidade e possibilidade de recomeço. “Liderar, para mim, é servir com responsabilidade e, sobretudo, com o coração”, comenta.
Na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), referência para gestantes e recém-nascidos de alto risco, a diretora Maria Elisângela Torres associa gestão e humanização. “Gestão é, acima de tudo, cuidado ampliado”, pontua.
Sob sua liderança, a unidade aprimora boas práticas obstétricas e mantém atenção ao acolhimento das mulheres e das famílias atendidas pelo SUS. A atuação integra assistência, formação e responsabilidade social.
No Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA), referência em infectologia, a diretora médica Lucy Braga destaca que exercer a liderança em uma unidade de alta complexidade exige responsabilidade, atualização constante e capacidade de coordenação diante de desafios diários. Para ela, a presença feminina contribui para a qualidade da assistência ao aliar sensibilidade, escuta ativa e empatia ao rigor técnico. “Essa combinação favorece uma atuação mais humanizada e qualifica o cuidado prestado”, aponta.

Nas unidades assistenciais, a presença feminina também se evidencia na atuação de Telma Pinheiro, no Centro de Patologia e Medicina Laboratorial (CPML), acompanhando a ampliação e modernização dos serviços diagnósticos; Janayna Cajueiro, no Centro Especializado em Reabilitação (CER III), à frente de uma unidade recentemente reformada e ampliada; Kátia Galvão, no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), conduzindo um setor essencial para a vigilância e a saúde pública; e Luíza Freitas, no Ambulatório de Especialidades (Ambesp), articulando o atendimento especializado à população.
No Centro de Diagnóstico e Imagem (Cedim), Maria da Conceição Carvalho conduz uma unidade que se tornou referência estadual no rastreamento do câncer de mama, ampliando o acesso ao diagnóstico pelo SUS.
Ao refletir sobre esse cenário, a reitora Pollyanna Almeida declara que a presença feminina na gestão, na formação e na assistência consolida um modelo de universidade pública orientado para resultados sociais. “A liderança feminina sustenta uma atuação comprometida com a sociedade e com o fortalecimento do SUS em Alagoas”, conclui.