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Projeto Mulheres: Raízes da Resistência é lançado pela Secretaria de Agricultura

05/03/2026
Projeto Mulheres: Raízes da Resistência é lançado pela Secretaria de Agricultura
Fotos: Ação integra a Política Estadual Alagoas Lilás e vai percorrer os municípios com campanhas educativas e rodas de conversa | Douglas Júnior

Tatiane Bastos

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri) lançou, nesta quarta-feira (04), o projeto Mulheres: Raízes da Resistência, que busca promover o protagonismo das trabalhadoras rurais, garantir direitos e atuar no enfrentamento da violência. A solenidade contou com a presença do vice-governador Ronaldo Lessa e do secretário Marcelo Melo.

O projeto integra a Política Estadual Alagoas Lilás e vai percorrer os municípios com campanhas educativas e rodas de conversa para sensibilização, conscientização de direitos, serviços disponíveis para mulheres que enfrentam a violência e propor uma reflexão coletiva sobre igualdade no meio rural.

Durante seu discurso, o secretário Marcelo Melo apresentou os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que Alagoas já se destaca nacionalmente com quase 25% dos estabelecimentos agropecuários liderados por mulheres, acima da média do país (19%). Ainda assim, há muitos desafios. Estudo da Comissão Pastoral da Terra aponta que 80% das mulheres rurais presenciaram ou vivenciaram algum tipo de violência.

“Não é aceitável que quem produz, lidera e movimenta a economia do campo ainda enfrente desigualdade e violência. Não estamos lançando apenas um projeto. Estamos assumindo um compromisso com milhares de mulheres que sustentam o campo alagoano com trabalho, coragem e resistência. Essa campanha não pode nem deve ser pontual. Queremos que essa iniciativa se torne permanente”, destacou o secretário Marcelo Melo.

O vice-governador Ronaldo Lessa destacou que as políticas públicas são importantes para estruturar a inclusão produtiva, a economia solidária e fortalecer o campo com equidade de gênero e direitos. “As mulheres estão dominando a economia solidária no campo, elas são maioria no comando. Isso é importante porque temos uma organização social digna e justa para todos. Nós queremos dar melhores condições de vida. As cooperativas no campo ajudam muito nesse processo e o governo garante as condições para essa produção”, afirmou Lessa.


Para a presidente do Fórum de Combate à Violência Contra a Mulher do Campo, Maria Rita Rosa dos Santos, o lançamento do projeto significa valorização para as mulheres do campo.

A solenidade também contou com a presença da secretária de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Kátia Born, e de diversas lideranças femininas do campo. Além da assinatura da portaria, que institui a premiação Mulheres: Raízes da Resistência, foram feitas também homenagens.

Confira as homenageadas:

Inês Santos da Silva, natural de Teotônio Vilela, atua como assistente social. Em 2013, ingressou no movimento social Via Trabalho, no qual atualmente é dirigente nacional em Alagoas, coordenando o território Mata Sul, que abrange sete municípios. É presidente da Associação dos Agricultores e Agricultoras do Assentamento Coração de Maria e do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Teotônio Vilela, na pasta da Agricultura Familiar, com mandato de 2024 a 2028, e delegada na Conferência de Desenvolvimento Territorial e Sustentável

O Grupo Mulheres do Dom atua desde 2007 na promoção da libertação, do empoderamento e da sustentabilidade. O grupo é formado por 16 mulheres que se reúnem mensalmente, sempre no terceiro domingo de cada mês, fortalecendo vínculos, compartilhando aprendizados e construindo, juntas, caminhos de transformação.

Daiana Oliveira, 41 anos, natural de Maceió, iniciou sua trajetória em 2014 durante a ocupação da antiga Usina Uruba, em Atalaia, onde se aproximou da realidade das famílias acampadas, incluindo a de sua mãe. Desde então, se dedica à organização de famílias camponesas, à defesa da reforma agrária, da agroecologia e da soberania alimentar, com ênfase na participação política de mulheres e no enfrentamento à violência. Militante do FNL e do Partido dos Trabalhadores (PT).

Raquel Braz do Nascimento, nascida em 1980, é agricultora familiar e dirigente sindical. Reside no Assentamento Nova Esperança, em Branquinha, onde atua na produção agrícola e na organização social. Sua trajetória é marcada pela luta por justiça social e direitos das mulheres. Atuou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de Branquinha e na FETAG-AL; foi Secretária de Mulheres, coordenadora da Marcha das Margaridas e, desde 2025, é a primeira mulher presidente do Sindicato local. Atualmente, lidera também o Conselho Estadual de Direito da Mulher e outras organizações voltadas à dignidade, à equidade, à igualdade e ao enfrentamento da violência contra mulheres do campo, da floresta e das águas.

Ivonete Fernandes é mulher negra e agricultora familiar desde os sete anos, quando começou a trabalhar ao lado dos pais, aprendendo o esforço e a dedicação exigidos na roça. Cultivou feijão, milho, batata, mandioca e fumo para consumo próprio. Além do trabalho na roça, participa ativamente do sindicato rural da agricultura familiar, coordenando um grupo de mulheres agricultoras em Arapiraca.

Jakeline Maria dos Santos é natural de uma região marcada pela cultura da cana-de-açúcar em área de usina em Alagoas. É agrônoma com mestrado, doutorado e pós-doutorado, dedicada à agricultura sustentável e à valorização da agricultura familiar. Empreendedora em União dos Palmares, atua com turismo rural, cultivo agroecológico e assistência técnica a pequenos produtores. Atualmente, é Fiscal Agropecuária do Estado de Pernambuco.

Margarida Maria da Silva é assentada da reforma agrária em Atalaia, mulher sem terra, formada pelo Pronera em agroecologia.

Helena Maria dos Santos Alve é agricultora familiar e presidente da Associação dos Agricultores Familiares do Assentamento São José, em Junqueiro.

Maria José Alves tem sua trajetória marcada por mais de 40 anos de luta e dedicação ao movimento associativo e cooperativista. Iniciou no sindicato, atuando como delegada sindical e coordenadora de mulheres, sempre na defesa de direitos e no fortalecimento da organização coletiva. Depois, assumiu a direção da Cooperal, em Alagoas, que na época estava fechada, endividada e sem credibilidade. Com muito trabalho e união, conseguiu reorganizar as contas, recuperar a confiança e ampliar o número de cooperados. Hoje, a cooperativa é referência no estado.

Maria das Dores de Oliveira Cavalcante é agricultora familiar, produtora cultural e presidente da Associação Ádapo na Comunidade do Muquém, em União dos Palmares.