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Nutricionista da Sesau alerta sobre os perigos do uso de canetas emagrecedoras sem prescrição
Ruana Padilha
No Dia Mundial da Obesidade, que ocorre nesta quarta-feira (4), um alerta à população. O uso indiscriminado das chamadas “canetas emagrecedoras”, para fins estéticos, pode gerar consequências graves aos pacientes que se automedicam. O alerta é da nutricionista Janine Mendonça, que atua na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), ao destacar que a automedicação pode trazer riscos sérios à saúde e mascarar doenças metabólicas.
As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, com ação no controle da glicose e na regulação da saciedade. Durante estudos clínicos, observou-se que pacientes também apresentavam perda de peso significativa, o que levou à aprovação de algumas formulações para tratamento da obesidade, mas apenas em casos específicos e com indicação clínica. Entre os nomes mais conhecidos estão formulações à base de semaglutide (Ozempic), liraglutida (Saxenda) e tirzepatida (Mounjaro).
Sem o acompanhamento de nutricionistas e médicos, o uso pode gerar desequilíbrios nutricionais, alterações hormonais graves e riscos para órgãos vitais. “Sem orientação profissional, há risco de doses inadequadas, uso em pessoas sem indicação clínica, mascaramento de doenças metabólicas, interações medicamentosas perigosas e efeitos adversos graves não monitorados. Além disso, pacientes com contraindicações podem usar sem saber, o que aumenta o perigo”, salienta.
Efeitos Colaterais
Entre os efeitos colaterais mais comuns, Janine Mendonça, cita náuseas persistentes, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal, fadiga e perda excessiva de apetite. Já complicações mais graves podem incluir pancreatite, desidratação, hipoglicemia, problemas renais, alterações na vesícula biliar e reações alérgicas. “Sintomas como dor abdominal intensa, fraqueza extrema, tontura, desmaio ou sinais de hipoglicemia exigem avaliação médica imediata”, reforça a profissional.
A nutricionista também explica que o uso inadequado pode gerar prejuízos metabólicos e hormonais a longo prazo. “Podem ocorrer desaceleração metabólica após a suspensão, perda significativa de massa muscular, alterações hormonais relacionadas à saciedade, deficiências nutricionais e recuperação rápida do peso perdido, o chamado efeito rebote”, ressalta.
Para ela, o crescimento da procura das canetas emagrecedoras está ligado a fatores sociais, além da banalização da obesidade como questão apenas estética. “Existe forte pressão estética, influência das redes sociais, relatos de celebridades e promessa de resultados rápidos. Mas soluções milagrosas raramente são sustentáveis e podem trazer prejuízos à saúde”, pondera.
Acompanhamento Profissional
Para as pessoas que possuem indicação para o uso da medicação, Janine Mendonça destaca, também, a importância do acompanhamento profissional durante todas as fases do tratamento. “Antes de iniciar, avaliamos inflamação, metabolismo, imunidade e saúde intestinal. Durante o uso, precisamos preservar massa muscular, manter hidratação e garantir micronutrientes adequados. Após a suspensão, o foco é prevenir reganho de peso e ajustar a ingestão calórica progressivamente. Sem estratégia de manutenção, o reganho é frequente”, esclarece.
A nutricionista enfatiza que medicamentos podem fazer parte do tratamento, mas não substituem hábitos saudáveis. “A base do cuidado continua sendo alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, manejo do estresse e acompanhamento contínuo. O tratamento eficaz da obesidade depende de intervenções sustentáveis no comportamento”, concluiu Janine Mendonça.