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Centro de Atenção às Vítimas acolhe familiares de policial civil assassinado em 2020
Familiares do policial civil Demerval Ricardo, assassinado em 22 de janeiro de 2020, receberam atendimento do Centro de Atenção e Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CAV), em reunião realizada na última terça-feira (3), no Fórum de Maceió.
A iniciativa foi conduzida pelo juiz Sandro Augusto dos Santos, coordenador do CAV, e por Pedro Montenegro, coordenador de Direitos Humanos do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). O objetivo foi acolher e orientar os familiares sobre os direitos das vítimas indiretas, além de prestar informações sobre acesso à assistência jurídica, médica, psicológica e social.
Demerval Ricardo tinha 53 anos à época do crime e era lotado na Delegacia de Coruripe. Ele foi morto em sua residência, no povoado Lagoa Rendada, próximo ao município de Piaçabuçu.
Apoio às vítimas indiretas
Durante o encontro, o juiz Sandro Augusto destacou que muitas famílias procuram o Judiciário em busca de respostas e esclarecimentos sobre o andamento processual. “As pessoas buscam essencialmente a justiça. Eles vieram aqui com esse sentimento, querendo compreender como o mecanismo da justiça funciona, quais são os seus passos e o que está faltando para ter uma decisão”, afirmou.
O magistrado ressaltou que, em muitos casos, as vítimas indiretas desconhecem direitos básicos, como o acesso ao processo. “Às vezes as vítimas não sabem que têm direito a uma senha de acesso àquele processo, para que, ainda que não entendam muito, possam ter o auxílio de alguém da área jurídica ou até mesmo da Defensoria Pública aqui do próprio centro”, explicou.
Segundo ele, o acolhimento é parte fundamental do atendimento. “Somente o fato de se sentirem acolhidas já é um passo importante. É perceptível o semblante de satisfação por estarem sendo recebidas e por alguém dar importância àquela dor”, pontuou.
O juiz também enfatizou que o atendimento às vítimas indiretas é um direito garantido pela Constituição Federal e por resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Não é nenhum favor que está sendo feito. É direito ter atendimento, acolhimento e equipe multidisciplinar à disposição, com psicólogo e assistente social, para amenizar um pouco toda essa dor”, afirmou, ao mencionar que até hoje familiares, como a avó da vítima, permanecem abalados e traumatizados.
Acolhimentos aos familiares
O filho do policial, Crysthophane Jordan, agradeceu o acolhimento e afirmou que a família ainda espera por respostas. “Sou muito grato a Deus e ao pessoal do Centro que nos acolheu. Depois de seis anos sem nenhuma resposta, hoje nós temos o apoio do Centro e da Defensoria Pública”, declarou.
Ele relatou as dificuldades enfrentadas desde a morte do pai, a quem definiu como “o esteio da casa”. “Minha avó, eu e meus irmãos estamos passando por muita dificuldade. Esse tempo todo sem resposta da Justiça, sem advogado, sem assistente social. Agora o Centro vai nos proporcionar essa oportunidade”, disse.
Crysthophane afirmou ainda que mantém a confiança no sistema de Justiça. “Eu ainda acredito na justiça brasileira. Sei que vai ser feita justiça. O que nossa família apela é por justiça. Que seja feita”, concluiu.
CAV
O Centro de Atenção e Apoio às Vítimas funciona desde 2023 no TJAL, com sede no Fórum de Maceió, e atua com base na Declaração dos Princípios Básicos de Justiça Relativos às Vítimas da Criminalidade e de Abuso de Poder, da Organização das Nações Unidas (ONU); no artigo 245 da Constituição Federal; e na Resolução CNJ nº 386/2021, que institui a política de atenção e apoio às vítimas no âmbito do Judiciário.
Dicom TJAL