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Quando procurar uma avaliação neuropsicológica? Sinais de alerta no desenvolvimento infantil merecem atenção precoce

04/03/2026
Quando procurar uma avaliação neuropsicológica? Sinais de alerta no desenvolvimento infantil merecem atenção precoce
Fotos: Ferramenta é fundamental para identificar atrasos, diferenças e habilidades acima da média | Assessoria

Perceber que algo no desenvolvimento de uma criança não está evoluindo como o esperado ou que está além do habitual costuma gerar dúvidas, insegurança e muitas perguntas em pais e cuidadores. Em meio a esse cenário, a avaliação neuropsicológica surge como uma ferramenta fundamental para compreender o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental da criança, especialmente aos ligados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo a neuropsicóloga, Priscila Barbosa, a avaliação é um ponto fundamental para saber como agir com a criança. “É um processo clínico onde o profissional busca entender o funcionamento daquele indivíduo. Ele pode fazer através da aplicação de alguns testes psicológicos e neuropsicológicos que, junto com o histórico de vida daquela criança e dados qualitativos, vai ajudar a construir um perfil neuropsicológico daquela pessoa”, explica.

A avaliação neuropsicológica é indicada sempre que surgem atrasos ou diferenças persistentes no desenvolvimento, como dificuldade na comunicação verbal e não verbal, pouca interação social, comportamentos repetitivos, alterações sensoriais, dificuldades de atenção, memória ou aprendizagem. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem ainda nos primeiros anos de vida, fase considerada estratégica para intervenções mais eficazes.

“Desde os primeiros meses já dá para fazer uma avaliação neuropsicológica, sendo diferente o tipo de avaliação e o que será avaliado em cada idade. Na avaliação de crianças é feito uma comparação com o que é esperado para aquela faixa etária em relação aos aspectos cognitivos, socioemocionais, linguísticos e motores. A partir dos três anos já podem ser aplicados testes mais fidedignos de inteligência, por exemplo, e quando a criança é um pouco maior o processo se torna menos restrito, possibilitando uma melhor avaliação de funções como atenção, memória, funções executivas, entre outras funções superiores, porque terão mais instrumentos de avaliação”, destaca a especialista.

Vale destacar que a avaliação neuropsicológica é indicada também em casos de habilidades que destoam do que é esperado no desenvolvimento, como por exemplo, crianças que começam a ler muito cedo e são mais "avançadas" que outras no que se refere a habilidades acadêmicas. Saber lidar com esse desenvolvimento precoce é essencial tanto para pais como para as próprias crianças.

“É muito comum que, quando uma criança apresenta uma habilidade que é considerada acima da média, as pessoas achem que ela só terá benefícios, mas não é o que acontece na prática. Muitas vezes a criança pode ter dificuldades sociais, emocionais, os pais podem gerar expectativas que são exacerbadas em relação ao desenvolvimento daquela criança. E muita gente faz até autodiagnóstico e isso é muito perigoso, por isso é indicado procurar ajuda especializada”, salienta Priscila Barbosa.

Outro ponto importante é que a avaliação não se restringe à hipótese diagnóstica. Ela também auxilia no planejamento terapêutico individualizado, no acompanhamento da evolução da criança ao longo do tempo e no suporte às famílias e instituições escolares, promovendo um cuidado mais integrado.

“Às vezes pode ser algum atraso mais pontual, uma falta de estímulo, mas o objetivo principal é realmente entender como aquela criança funciona para daí ter um ponto de partida inicial e fazer uma intervenção mais assertiva”, relembra a profissional.

Priscila Barbosa pontua que lidar com os pais também se torna parte do processo, sendo necessário um acolhimento por parte da equipe. “Quando eles começam a perceber que algo está sendo diferente, isso traz muito medo, muitas inseguranças e é normal os pais se sentirem assim. Mas é importante que eles busquem ajuda porque quanto mais cedo o diagnóstico, melhor vai ser o prognóstico daquela criança e o desenvolvimento dela, além do impacto na qualidade de vida”, orienta a psicóloga.

A escola também pode ser um importante aliado nesse processo, sendo muitas vezes a primeira a notar os sinais de alerta. “Atualmente os professores já têm um conhecimento melhor das principais características do desenvolvimento infantil e vai percebendo principalmente como se dá a interação daquela criança com as outras. Nem sempre é um transtorno, pode ser até mesmo falta de estímulo, mas a vida escolar normalmente ajuda a revelar esses marcos infantis e orienta qual caminho e providências devem ser adotadas”, evidencia Priscila.

Quanto mais cedo ocorrer a avaliação, maiores são as chances de promover ganhos significativos no desenvolvimento da criança. Isso porque o cérebro infantil apresenta alta plasticidade, o que permite melhores respostas às intervenções quando iniciadas precocemente.

“A infância é considerado um período cerebral muito intenso, é quando o cérebro está fazendo inúmeras conexões. Eu costumo falar que o cérebro infantil é como uma argila fresca, é muito mais fácil de moldar e mudar os comportamentos, antes que novos padrões sejam consolidados. Já quando a criança vai ficando mais velha, é como se essa argila fosse endurecendo, ainda dá para mudar, mas é mais difícil, vai precisar de um esforço e tempo maior. Por isso que é tão importante a intervenção precoce”, finaliza a neuropsicóloga.

Yezzi Assessoria e Comunicação