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Nutricionista alerta para riscos de dietas radicais

24/02/2026
Nutricionista alerta para riscos de dietas radicais
Fotos: Acompanhamento individual com acompanhamento profissional é o ideal independente do objetivo

Brava Agência

O caso recente de um atleta que desenvolveu complicações renais graves após aderir a uma dieta hiperproteica acendeu um alerta relevante para quem adota regimes alimentares rigorosos sem orientação adequada. A busca pelo corpo perfeito, impulsionada por tendências nas redes sociais e promessas de resultados rápidos, pode trazer consequências sérias à saúde.

A nutricionista Ivanessa Cardoso explica que o consumo excessivo de proteína — nutriente fundamental para a construção e manutenção de músculos, produção de enzimas, hormônios e anticorpos, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira — precisa respeitar limites individuais. “A proteína é essencial para o organismo, especialmente para quem pratica atividade física, mas em excesso pode gerar um aumento da carga renal, principalmente em pessoas que já têm predisposição ou algum grau de comprometimento que muitas vezes nem
sabem que possuem”, afirma.

No caso do atleta, a adoção prolongada de uma dieta extremamente rica em proteínas contribuiu para um quadro grave de insuficiência renal, que evoluiu para necessidade de hemodiálise. O episódio evidencia como o excesso, mesmo de um nutriente importante, pode trazer consequências severas quando não há acompanhamento adequado. “Nem sempre o corpo dá sinais imediatos. Muitas vezes o dano é silencioso até se tornar um quadro mais sério”, pontua a especialista.

Segundo Ivanessa, o problema não está na proteína em si, mas na lógica do exagero. “Existe uma cultura de que quanto mais proteína, melhor, mas não é bem assim. A quantidade ideal depende de fatores como idade, peso, composição corporal, nível de atividade física e histórico clínico. Dieta não é receita pronta. Ela precisa ser individualizada para fazer sentido e para não fazer mal”, destaca.

Além da febre da proteína, ela chama atenção para outras práticas alimentares consideradas “milagrosas” que circulam nas redes sociais, como restrições extremas de grupos alimentares, consumo indiscriminado de suplementos, jejuns prolongados sem indicação e dietas muito pobres em carboidratos ou gorduras. “Toda conduta radical tende a trazer desequilíbrio. O corpo precisa de variedade e proporcionalidade. Quando se elimina grupos inteiros de alimentos ou se exagera em um único nutriente, o organismo paga o preço”, explica.

Interesse por ganho de massa se mantém elevado nas buscas online

Dados do Google Trends (gráfico abaixo) indicam que o termo “para ganhar massa muscular” manteve interesse muito elevado no Brasil ao longo do último ano, com picos recentes de busca. A ferramenta, que mede o interesse relativo dos usuários ao longo do tempo, aponta que o tema segue entre os mais pesquisados quando o assunto é desempenho físico e construção muscular.

Para Ivanessa Cardoso, esse comportamento digital ajuda a entender a popularização de dietas hiperproteicas. “A busca por ganho de massa é legítima, mas quando ela se transforma em obsessão por resultados rápidos, sem orientação profissional, o risco aumenta. O problema não é consumir proteína, é fazer isso em excesso e sem avaliação individual”, afirma.