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Selic e mercado imobiliário: como a taxa de juros influencia a decisão entre comprar ou locar um imóvel
Quando o assunto é a economia do Brasil, o primeiro termo que vem à cabeça é a taxa Selic. Esse instrumento de política monetária está intimamente relacionado à economia do país, pois serve como referência para a cobrança de juros em todas as instâncias da economia nacional, desde os rendimentos de aplicações financeiras até o crédito oferecido pelos bancos.
O que muitos podem não perceber é o impacto direto que a taxa Selic representa no mercado imobiliário, pois as variações na taxa podem se tornar o ponto decisivo entre a compra ou a locação de um imóvel.
Por conta do período de juros elevados que o Brasil está passando, os consumidores passam a avaliar com mais atenção o impacto das parcelas no orçamento e a rentabilidade dos investimentos. Por esse motivo, é de extrema importância entender como a taxa Selic interfere nessas variáveis no momento da decisão, para fazer uma escolha que tenha o melhor custo-benefício.
O impacto da Selic no mercado imobiliário
A relação entre a taxa Selic e o mercado imobiliário está baseada basicamente no crédito. Isso significa que, quando a Selic está elevada, os bancos precisam pagar mais para captar recursos, e, por esse motivo, elevam os juros cobrados nos financiamentos para compensar essa diferença.
Por outro lado, quando a Selic cai, os créditos bancários ficam mais baratos e os juros dos financiamentos ficam menores. Pode-se definir a taxa Selic como um termômetro de compras: quando a taxa está alta, os juros sobem e o poder de compra diminui; já quando a taxa está baixa, os juros diminuem e o poder de compra aumenta, impactando diretamente a decisão de assumir dívidas em longo prazo.
Construtoras e incorporadoras também ajustam seus lançamentos de acordo com a variação da Selic. Quando a taxa está alta, o mercado tende a esfriar, então os lançamentos se tornam mais seletivos. Com a baixa dos juros, o mercado imobiliário se aquece e ganha ritmo, o que possibilita maiores ofertas e competitividade no setor.
Custo do crédito e condições de financiamento em 2024
Em 2024, embora haja movimentos de redução gradual da Selic em determinados períodos, o crédito imobiliário ainda apresenta uma alta histórica, especialmente impactado pelos efeitos da pandemia em 2020. Isso significa que o custo total de um financiamento ainda precisa ser analisado com muito cuidado pelo comprador.
Como as taxas de financiamento são compostas por juros, seguros e encargos, todos interconectados com a Selic, mesmo pequenas variações podem representar um acúmulo significativo ao longo de 20 ou 30 anos de financiamento, ou seja, quanto maior a Selic, mais pesadas ficam as parcelas dos financiamentos.
Comprar ou locar? A influência dos juros na decisão financeira
Ao comprar ou alugar um imóvel, também deve ser levado em conta o chamado custo de oportunidade, que pode gerar estratégias diferentes de acordo com a situação financeira do país naquele momento.
Por exemplo, em um contexto de alta da taxa Selic, fica menos atrativo realizar um financiamento, já que as parcelas se tornam mais pesadas, mas é um bom momento para investimentos de renda fixa, podendo gerar ganhos relevantes.
Nessa situação, a locação se torna mais atrativa, e o montante que seria utilizado para a compra do imóvel pode se tornar um investimento com retornos mais altos. Analistas apontam que, em períodos de crédito mais restrito, a procura por uma casa para alugar em São Paulo, por exemplo, se torna uma alternativa financeiramente mais estratégica para famílias que desejam manter a mobilidade financeira.
Quando a situação é inversa e a taxa Selic está baixa, significa que o poder de compra aumentou. Nesse caso, torna-se mais vantajoso comprar um imóvel com juros menores, e, quando o ciclo de juros do país se inverter, o imóvel pode valorizar.
Fonte: Assessoria