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Especialista da Uncisal explica como a tecnologia garante a segurança dos alimentos
Danielle Cândido
Alimentos industrializados, processos tecnológicos pouco conhecidos e termos que causam estranhamento, como irradiação de alimentos, fazem parte da rotina de consumo da população, mas ainda geram dúvidas e desinformação. Para o professor e coordenador do curso de Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Ewerton Amorim, compreender como esses processos funcionam é fundamental para orientar escolhas mais seguras no dia a dia.
A tecnologia de alimentos está diretamente relacionada à segurança alimentar e à saúde pública, indo além do momento do consumo. O campo envolve práticas técnicas e científicas voltadas ao controle de qualidade, à prevenção de contaminações e ao cumprimento de normas sanitárias. “Existe todo um cuidado com segurança, qualidade e controle para que o alimento chegue à população dentro dos padrões exigidos”, explicou.
Esses cuidados estão presentes ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a produção até a distribuição. Amorim destaca que o controle técnico permite reduzir riscos microbiológicos, químicos e físicos, além de assegurar que os produtos atendam aos padrões estabelecidos pelos órgãos reguladores.
A aplicação da ciência aos alimentos também está presente em ações de fiscalização e em decisões adotadas tanto pela indústria quanto pelo poder público. “O monitoramento dos processos e a definição de critérios técnicos servem de base para políticas e programas relacionados à segurança alimentar”, afirmou o professor.
Tecnologia e inovação no setor alimentício
No contexto da produção, a tecnologia de alimentos está associada à adequação dos produtos às demandas da sociedade. Esse movimento inclui o desenvolvimento de alimentos destinados a públicos específicos, como pessoas com intolerâncias alimentares ou necessidades nutricionais diferenciadas, a partir da aplicação de conhecimento técnico e científico.
As pesquisas desenvolvidas na área são utilizadas na formulação de alimentos com diferentes perfis nutricionais e na avaliação de ingredientes, métodos produtivos e formas de aproveitamento das matérias-primas. “São estudos que permitem ajustes nos produtos e nos processos produtivos, sempre com base em critérios técnicos”, explicou Amorim.
Essa articulação entre ciência e produção alimentícia gera informações técnicas que auxiliam tanto a indústria quanto ações de controle e regulação. Os dados produzidos servem como referência para decisões relacionadas à segurança alimentar e à saúde pública.
Entre os processos que ainda despertam dúvidas está a irradiação de alimentos, tecnologia cercada por mitos e desinformação. O especialista esclarece que se trata de um método seguro e amplamente estudado. “O alimento irradiado não se torna radioativo, e existem dosagens específicas definidas para cada tipo de alimento”, afirmou.
Parte da resistência da população em relação a essas tecnologias está associada ao desconhecimento sobre o funcionamento dos processos. A informação técnica permite ampliar a compreensão sobre como esses métodos são aplicados no controle sanitário dos alimentos.
Mitos sobre alimentos industrializados
Outro ponto recorrente de confusão está na associação entre alimento industrializado e alimento ultraprocessado. Amorim esclarece que nem todo alimento industrializado é prejudicial à saúde. “Uma garrafa de água, por exemplo, é um alimento industrializado, mas isso não significa que ele faça mal”, explicou.
A distinção está nos ultraprocessados, que contêm aditivos como corantes, aromatizantes e emulsificantes. A classificação dos alimentos a partir de critérios técnicos permite diferenciar os tipos de processamento e orientar normas relacionadas à produção, rotulagem e comercialização.
O professor também esclarece dúvidas frequentes sobre o leite de caixinha. “O leite passa por processos térmicos, como pasteurização ou esterilização, para eliminar microrganismos, e isso não indica, necessariamente, a adição de conservantes”, destacou.
Para Ewerton Amorim, a classificação dos alimentos com base em critérios técnicos e científicos é adotada em ações de fiscalização e controle sanitário. Essa diferenciação orienta normas relacionadas à produção, rotulagem e comercialização de alimentos.
Os temas abordados pelo especialista foram discutidos no último episódio do UnciCast, podcast institucional da Uncisal disponível no canal do YouTube, que tratou da tecnologia de alimentos e de sua relação com a segurança alimentar e o consumo cotidiano.