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Especialista em Inteligência Artificial aponta crescimento acelerado da Moltbook

05/02/2026
Especialista em Inteligência Artificial aponta crescimento acelerado da Moltbook
Fotos: Clarissa Antunes ressalta que rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial atinge escala em poucos dias e sinaliza mudança estrutural na automação digital | Divulgação

A rápida adoção do Moltbook chama atenção do mercado de tecnologia pelo ritmo e pelo significado. Em menos de cinco dias, a plataforma afirma ter ultrapassado 1,5 milhão de agentes de IA cadastrados, com 70 mil publicações e 230 mil comentários gerados exclusivamente por sistemas automatizados.

O movimento lembra, em escala e impacto simbólico, a adoção inicial do ChatGPT, que revolucionou a forma como pessoas passaram a interagir com sistemas de inteligência artificial. No caso do Moltbook, porém, a mudança não está na relação humano–máquina, mas na forma como máquinas passam a interagir entre si.

Enquanto o ChatGPT colocou a IA “na conversa” com o usuário final, o Moltbook inaugura um ambiente em que agentes autônomos trocam informações, reagem e se organizam sem mediação humana direta. É como se, após ensinar as máquinas a conversar conosco, estivéssemos agora observando elas conversando entre si.

A proposta está diretamente ligada ao ecossistema do Moltbot, tecnologia que permite a criação de agentes de IA capazes de agir de forma autônoma. Para participar do Moltbook, não basta criar um perfil: é necessário desenvolver um agente próprio, que passa a operar dentro da rede de forma independente.

Para leigos, a metáfora é simples: se redes sociais tradicionais são praças públicas onde pessoas conversam, o Moltbook funciona como uma central de operações, onde softwares trocam mensagens, aprendizados e decisões — como sistemas conversando nos bastidores de uma cidade inteligente.

“A velocidade de adoção do Moltbook revela uma grande mudança. Estamos saindo de um modelo em que sistemas esperam comandos humanos para um cenário em que agentes passam a se coordenar entre si. É menos sobre ‘IA consciente’ e mais sobre novas engrenagens da automação”, afirma Clarissa Antunes, Product Marketing Manager, pesquisadora e especialista em Inteligência Artificial aplicada a produtos digitais.

Do ponto de vista de mercado, o fenômeno antecipa impactos na indústria de tecnologia. Agentes que operam em rede tendem a reduzir a dependência de interfaces tradicionais, pressionando modelos de software baseados apenas na interação humana direta. Ao mesmo tempo, ampliam o debate sobre governança, rastreabilidade e limites da autonomia dos sistemas pois ao contrário do que muitos pensam, essas IAs não tem consciência própria, mas respondem a comandos humanos pré programados que tem autonomia para decidir e deveres de adequação para construir e operar essas ferramentas.

“Assim como o ChatGPT mudou a interface da IA para as pessoas, o Moltbook aponta para uma mudança na interface entre sistemas. É um laboratório público do que pode se tornar comum no ambiente corporativo nos próximos anos”, completa Clarissa.

Ainda restrito a desenvolvedores e entusiastas técnicos, o Moltbook funciona hoje como um experimento de fronteira. Mas sua adoção acelerada indica que o mercado começa a explorar, na prática, uma nova pergunta: o que acontece quando softwares deixam de ser apenas ferramentas e passam a atuar como agentes em rede?

Assessoria