Geral
Projeto reduz sequelas e melhora da qualidade de vida de pacientes com insuficiência respiratória
O projeto REHAB-VM Brasil é um ensaio clínico randomizado* que acompanhou mais de 1.900 pacientes em 20 UTIs públicas, de todas as regiões do país. O estudo implementa pacotes de reabilitação precoce em pacientes internados com insuficiência respiratória aguda hipoxêmica submetidos à ventilação mecânica e avalia o impacto dessas intervenções na qualidade de vida após a alta hospitalar. Até 2026, a iniciativa visa medir resultados de longo prazo como qualidade de vida relacionada à saúde, retorno ao trabalho e aos estudos, readmissão hospitalar, capacidade física funcional e saúde mental. Esta é a primeira vez que uma intervenção estruturada de reabilitação precoce e pós-UTI, integrada com telemedicina, é testada em larga escala no Brasil.
Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento e o Einstein Hospital Israelita, com apoio do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o estudo nasceu de uma necessidade urgente. Muitos dos pacientes sobreviventes de insuficiência respiratória apresentam sequelas físicas, cognitivas e de saúde mental, as quais impactam significativamente na qualidade de vida.
O cuidado é organizado em três fases:
- Começa no leito intensivo com foco em mobilização precoce;
- Segue para a enfermaria com um plano de reabilitação personalizado;
- Estendendo-se por dois meses após a alta com sessões de vídeo. Nesse período em casa, o paciente recebe suporte de uma equipe completa — nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas respiratórios e psicólogos — para garantir que as marcas deixadas pela internação, físicas ou emocionais, sejam superadas.
"O diferencial desse projeto é que não deixamos o paciente desamparado após a alta. Sabemos que a ventilação mecânica pode deixar marcas profundas. Ao usarmos a telemedicina para levar reabilitação especializada para dentro das casas desses brasileiros, buscamos devolver a eles a capacidade de retomar sua autonomia", afirma Regis Goulart Rosa, chefe do serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento, coordenador da pesquisa.
“Para buscar uma possível solução para o complexo problema das múltiplas sequelas do tratamento em UTI e suas consequências, tivemos que empregar métodos científicos bastante específicos e unir especialistas em terapia intensiva e em reabilitação. Os resultados deste estudo poderão contribuir não apenas para a geração de evidência científica de âmbito internacional, mas para a elaboração de políticas públicas baseadas em dados, diretamente aplicáveis à realidade dos hospitais públicos brasileiros”, destaca Adriano José Pereira, coordenador médico de TeleUTI no Einstein e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.
Ao monitorar indicadores como saúde mental, capacidade física e retorno ao trabalho até 90 dias após a internação, a iniciativa fornece ao governo evidências reais para otimizar recursos públicos. Para o SUS, o benefício é direto: a criação de uma solução escalável capaz de reduzir as desigualdades no acesso a especialistas, diminuir reinternações, influenciar diretrizes nacionais de reabilitação e garantir recuperação mais rápida e com menos sequelas aos sobreviventes de doenças respiratórias graves.
*Ensaio Clínico Randomizado em Grupos (ECR) é o mais alto nível de evidência científica para testar tratamentos, onde participantes são aleatoriamente divididos em grupos (experimental e controle), recebendo intervenções diferentes para que se comparem os resultados, garantindo que as diferenças sejam causadas pelo tratamento, não por outros fatores.
Sobre o Hospital Moinhos de Vento
Com o propósito de Cuidar das Pessoas, integrando assistência, pesquisa e educação, o Hospital Moinhos de Vento, fundado em 1927, foi o segundo hospital do país acreditado pela Joint Commission International (JCI), sendo reacreditado pela oitava vez consecutiva em 2023. Possui um dos parques robóticos multiplataforma mais diversificados da América Latina. É referência nacional em práticas sustentáveis no setor hospitalar, sendo a primeira instituição do Brasil a construir, em seu complexo, uma Central de Transformação de Resíduos. É um dos sete de referência do Brasil segundo o Ministério da Saúde e o único fora do eixo-SP a integrar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Melhor hospital da Região Sul e quarto melhor hospital do País, de acordo com a revista Newsweek, e melhor empresa do País no segmento Saúde no Anuário Época Negócios. Recentemente, o Hospital Moinhos de Vento conquistou mais dois importantes reconhecimentos na América Latina: foi eleito pela Latam Business Conference o terceiro melhor do continente e o segundo melhor do Brasil no Top Ranking Latam Best Hospitals. Em outro ranking, elaborado pela Intellat, Moinhos foi o segundo melhor da América Latina em telemedicina e experiência do paciente. Saiba mais no nosso site e nos siga no LinkedIn e Instagram.
Sobre o Proadi-SUS
O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) foi criado em 2009 com o propósito de apoiar e aprimorar o SUS por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, e gestão e assistência especializada demandados pelo Ministério da Saúde. Atualmente, o programa reúne sete hospitais sem fins lucrativos que são referência em qualidade médico-assistencial e gestão: A.C.Camargo Cancer Center, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hcor, Einstein Hospital Israelita, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. Os recursos do Proadi-SUS advém da imunidade fiscal dos hospitais participantes. Os projetos levam à população a expertise dos hospitais em iniciativas que atendem necessidades do SUS. Entre os principais benefícios do Programa destacam-se a redução de filas de espera; qualificação de profissionais; pesquisas do interesse da saúde pública para necessidades atuais da população brasileira; e, ainda, a gestão do cuidado apoiada por inteligência artificial e melhoria da gestão de hospitais públicos e filantrópicos em todo o Brasil. Para mais informações sobre o Proadi e os projetos vigentes no atual triênio, acesse o portal dos hospitais Proadi-SUS.
Fonte: Assessoria