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Liquidação do Will Bank reforça alerta sobre diversificação e limites do FGC, orienta presidente da Abefin
O Banco Central decretou, no último dia 21 de janeiro, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A instituição integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master, que já havia tido sua própria liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 e operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).
Segundo o Banco Central, a decisão ocorreu diante do comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira, da constatação de insolvência e do vínculo de interesse com o Banco Master. A autoridade monetária também determinou a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores da instituição.
Apesar do impacto da notícia, especialistas em educação financeira reforçam que o momento exige calma e atenção às regras do sistema financeiro, principalmente no que diz respeito à atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Atenção ao limite do FGC e ao conceito de conglomerado
De acordo com o Reinaldo Domingos, presidente da ABEFIN (Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira), investidores precisam entender que o FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando uma instituição ou um conjunto de instituições pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro.
“No caso do Will Bank, por fazer parte do conglomerado Master, quem já havia atingido o limite de R$ 250 mil no Banco Master e depois investiu na Will Financeira pode não ter direito a uma nova cobertura do FGC”, explica Domingos. “Esse é um ponto essencial que muitas pessoas desconhecem e que faz toda a diferença em momentos como esse.”
O próprio FGC já informou que, em função dessa relação societária, alguns investidores podem ter superado o teto de garantia. A entidade analisa os casos individualmente e reforça que não há prazo legal definido para o início dos pagamentos.
O que fazer agora: orientações aos clientes e investidores
Para quem possui investimentos ou pendências com o Will Bank, Reinaldo Domingos recomenda tranquilidade e cautela, além de atenção às comunicações oficiais do Banco Central e do FGC.
Entre as principais orientações estão:
Verificar se os investimentos estão cobertos pelo FGC e se o valor total respeita o limite de R$ 250 mil dentro do conglomerado Master.
Ter paciência com os prazos, já que o ressarcimento, quando devido, pode levar algum tempo.
Evitar decisões precipitadas, especialmente em relação a pagamentos de faturas ou movimentações financeiras, aguardando instruções formais das autoridades.
Não se desesperar: a liquidação extrajudicial é um instrumento previsto para proteger o sistema financeiro e os investidores dentro das regras estabelecidas.
Aprendizado: diversificação e análise da saúde financeira
O episódio também deixa um ensinamento importante para o futuro. Segundo o presidente da ABEFIN, a melhor forma de proteção é a diversificação consciente dos investimentos. “Não se deve concentrar valores elevados em uma única instituição ou conglomerado. O ideal é distribuir os recursos, respeitando o limite do FGC em cada banco”, afirma Domingos. Ele também alerta para ofertas de juros muito acima do mercado: “Quando uma instituição paga juros excessivamente altos, isso pode indicar desequilíbrio financeiro e deve acender um sinal de alerta.”
Além disso, o acompanhamento constante dos investimentos, o entendimento dos riscos, prazos e liquidez, e o apoio de profissionais de educação financeira são fundamentais para preservar o patrimônio.
Para Reinaldo Domingos, o caso do Will Bank reforça a importância da educação do comportamento financeiro. “O dinheiro é fruto do trabalho de uma vida inteira. Por isso, ele precisa ser respeitado, monitorado e aplicado com consciência, sempre em instituições sólidas, supervisionadas pelo Banco Central e dentro dos mecanismos de proteção existentes”, conclui.
Assessoria