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Janeiro Branco: campanha reforça a importância do cuidado com a saúde mental
A campanha Janeiro Branco convida as pessoas a olharem para a própria condição mental com mais atenção e responsabilidade. O movimento abre espaço para o diálogo sobre sentimentos, angústias, desejos e sofrimentos muitas vezes silenciados no dia a dia. A iniciativa ganha relevância ao legitimar o cuidado psicológico como essencial já no início do ano, além de ajudar a romper estigmas e lembrar que saúde mental também é saúde.
Segundo Ana Victoria, psicóloga e professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, o início do ano costuma carregar muitas expectativas, como mudanças, metas, promessas, comparações e até mesmo frustrações do último ano. “Para algumas pessoas, isso pode gerar motivação, mas para outras pode despertar ansiedade ou sensação de inadequação. Sinais como tristeza persistente, irritabilidade, sensação de vazio, dificuldades para dormir ou alterações no apetite indicam a necessidade de buscar apoio psicológico”, explica.
A profissional destaca algumas práticas simples para impactar positivamente o bem-estar pessoal, como respeitar os próprios limites, manter uma rotina possível dentro da própria realidade, escutar o próprio corpo, reservar momentos de pausa e criar espaços de escuta, seja por meio da fala, da escrita ou psicoterapia. “Cuidar da saúde mental não é eliminar o sofrimento, mas aprender a se relacionar com ele de forma mais consciente e menos violenta consigo mesmo. As metas podem se tornar fontes de sofrimento quando são vividas como cobranças rígidas. Frustrar-se faz parte da experiência humana”, ressalta.
Para lidar com esse sentimento, Ana sugere o acompanhamento psicológico, como a psicanálise, podendo ajudar a compreender que nem tudo está sob controle e revisar ou refazer caminhos é um movimento de amadurecimento, não de fracasso. “O apoio é essencial, a começar pela escuta. Familiares, amigos e cônjuges devem estar presentes sem julgamentos, sem minimizar a dor e sem tentar oferecer soluções rápidas. Muitas vezes, sustentar a presença, demonstrar interesse genuíno e incentivar a busca por ajuda profissional de forma respeitosa, ajuda mais do que dizer algo para fazer”, orienta.
A docente também chama atenção para os impactos do uso excessivo das redes sociais na saúde mental, principalmente no início do ano. As redes costumam intensificar comparações, idealizações e a sensação de autorrealização de todos. “Esse excesso pode alimentar sentimentos de ansiedade e culpa. É importante lembrar como as redes mostram recortes, não a realidade inteira, e se afastar um pouco é uma forma de cuidado e de auto preservação”.
O indivíduo não dá conta de tudo o tempo, e reconhecer isso ajuda a equilibrar a vida pessoal, trabalho e expectativas sociais. “O início do ano não precisa ser um recomeço perfeito. Sustentar escolhas possíveis, aceitar limites e diferenciar os desejos próprios das expectativas externas contribui para a construção de um ano mais consciente e menos adoecedor”, finaliza Ana Victoria, professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió.
Assessoria UNINASSAU Maceió