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Fé e história; a evolução da Festa de Nossa Senhora do Pilar ao longo dos séculos

20/01/2026
Fé e história; a evolução da Festa de Nossa Senhora do Pilar ao longo dos séculos
Fotos: Ontem, dia 19, foi exibido no CinePilarense, um filme sobre a Festa de Nossa Senhora do Pilar, com uma coletânea de anos passados | Divulgação

Por Edmilson Teixeira

Nesta terça-feira, 20 de janeiro, a cidade do Pilar/AL dá início oficial às celebrações de sua padroeira com a Procissão da Bandeira. No entanto, o que hoje parece uma tradição consolidada é, na verdade, fruto de uma rica transformação histórica. Dados levantados pelo escritor e jornalista local, Sérgio Moraes, revelam que o calendário festivo da cidade passou por mudanças profundas desde o século XIX.

Para entender a cronologia atual, é preciso voltar no tempo. Segundo as pesquisas de Moraes, nos idos de 1870, o dia 20 de janeiro não marcava o início da festa da padroeira, mas sim o encerramento da Festa de São Sebastião.

Naquela época, a dinâmica era diferente:

Até 20 de Janeiro: Celebrações dedicadas a São Sebastião.
24 de Janeiro: Início da Festa de Nossa Senhora do Pilar.
02 de Fevereiro: Encerramento oficial (Dia de Nossa Senhora do Pilar).
Do novenário ao trezenário: a expansão da fé

A festa, que hoje celebra 171 anos de existência, nem sempre teve a duração atual. Até poucos anos atrás, a Procissão da Bandeira ocorria no dia 23 de janeiro, com o início das festividades no dia 24, configurando um Novenário (nove dias de oração).

Com o passar do tempo e o crescimento da devoção, a festividade foi ampliada para um Trezenário (treze dias). Essa mudança antecipou o hasteamento da bandeira para o dia 20 de janeiro, ocupando o espaço que, historicamente, pertencia às homenagens de São Sebastião no século retrasado.

"A história das festividades do Pilar é um reflexo da própria identidade do nosso povo. Entender que o 20 de janeiro já foi o encerramento de um ciclo e hoje é a abertura de outro nos ajuda a preservar a memória da nossa terra", pontua Sérgio Moraes.

Preservação da memória

A celebração de 2026 reafirma o Pilar como um dos maiores polos de fé de Alagoas. Ao unir os dados históricos de Moraes com a devoção popular, a cidade não apenas festeja sua padroeira, mas também honra a complexa colcha de retalhos que é sua história religiosa.