Geral
Ano novo, vida nova: por que janeiro impulsiona mudanças na vida?
O início de um novo ano costuma ser marcado por expectativas e pelo desejo de dar um novo rumo à vida, seja ao iniciar uma rotina de exercícios, buscar acompanhamento psicológico ou investir em novos projetos. A psicóloga e professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, Regina Souza, analisa os fatores que influenciam essas decisões, avaliando se elas surgem de uma motivação genuína ou da pressão social, além de orientar sobre como alinhar expectativas à realidade.
Para a especialista, as pessoas vivenciam simbolicamente a sensação de receber um livro em branco, com 365 páginas para escrever. Essa sensação desperta uma espécie de segunda chance, associada à possibilidade de mudança e crescimento. "Esse efeito é um marco simbólico, um tempo socialmente autorizado para rever escolhas e repensar novas rotas. Essa reflexão ajuda a organizar a esperança, mas também pode gerar expectativas irreais se não houver autoconhecimento”, disse.
Iniciar a terapia está entre as mudanças mais frequentes. Segundo a professora, o período intenso de fim de ano, marcado por encerramento de ciclos, festas e pausas, favorece o contato com emoções antes evitadas. “Janeiro favorece reflexões sobre a própria existência e metas não alcançadas, aumentando a busca por cuidado psicológico. Também é comum o início de rotinas de treinos, pois o corpo é o espaço mais visível de mudança e controle. Cuidar da saúde física vai além da estética, promovendo melhorias nos hábitos, no estilo de vida e no bem-estar geral”, destaca.
Existe ainda uma expectativa social de movimento, crescimento e mudança, como se ficar igual fosse sinônimo de fracasso. Essa sensação de renovação, aliada ao imaginário coletivo de ‘ano novo, vida nova’, impulsiona decisões. “Essas escolhas costumam partir tanto do desejo genuíno, quanto da pressão social. O problema surge quando a pressão externa se sobrepõe ao desejo interno. Quando não há alinhamento com valores pessoais, a motivação tende a ser frágil e difícil de sustentar e a tendência é ruir”, alerta Regina.
De acordo com a docente, a repetição de metas não cumpridas pode gerar culpa, sensação de incapacidade, baixa autoestima e autocrítica excessiva. Em pessoas mais vulnerável, esse cenário pode intensificar quadros de ansiedade, desânimo e frustração. “É fundamental considerar limites, contexto de vida, energia disponível e história emocional. Metas precisam ser flexíveis, possíveis e conectadas ao que faz sentido para a pessoa. A recomendação é estabelecer propósitos a curto prazo, como trimestrais, com objetivos alcançáveis”, orienta.
Para quem deseja começar o ano com equilíbrio emocional e constância, alguns pontos devem ser priorizados, como fazer perguntas ao invés de fazer listas infinitas de metas, priorizar o essencial e não apenas o urgente para os outros, além de trocar intensidade por constância. “É necessário respeitar os seus limites financeiros, emocionais e físicos, assim como buscar ajuda profissional. Começar com equilíbrio não é fazer tudo diferente, mas viver com mais consciência, gentileza consigo e menos cobrança”, finaliza a professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, Regina Souza.
Ascom Uninassau Maceió