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Doenças autoimunes: por que o diagnóstico ainda demora tanto?
Demora, frustração e falta de respostas. Essa é a realidade de muitos pacientes que convivem com doenças autoimunes — condições nas quais o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo. Exemplos comuns incluem lúpus, artrite reumatoide, doença celíaca e tireoidite de Hashimoto. Dados recentes apontam que o diagnóstico dessas doenças pode levar, em média, quatro anos e o envolvimento de quatro médicos diferentes até ser concluído ¹.
Um estudo publicado na revista Cell aponta que cerca de 80% dos pacientes com doenças autoimunes são mulheres, proporção que desperta a atenção da comunidade científica para fatores hormonais e genéticos³.
Além disso, 25% dos pacientes diagnosticados com uma condição autoimune têm risco de desenvolver uma segunda doença — um fenômeno conhecido como poliautoimunidade, caracterizado pela ocorrência de duas ou mais doenças autoimunes em um mesmo indivíduo¹. Isso ocorre porque muitas dessas condições compartilham fatores genéticos e mecanismos imunológicos semelhantes, o que aumenta a probabilidade de que múltiplas doenças se manifestem em um mesmo paciente.
Aspectos ambientais, como exposição a infecções virais, poluentes e hábitos de vida — como o estresse constante e a má alimentação —, também estão associados ao aumento dos diagnósticos de doenças autoimunes nos últimos anos, segundo revisões recentes, como a publicada no PubMed que investigam o papel de gatilhos ambientais no desenvolvimento dessas condições². Juntos, esses fatores evidenciam a complexidade dessas condições e reforçam a necessidade de diagnósticos mais integrados e personalizados.
O desafio de identificar
Os sintomas das doenças autoimunes costumam ser difusos — fadiga, dores articulares, alterações hormonais e gastrointestinais, entre outros — o que torna o diagnóstico uma tarefa complexa. “Os sinais iniciais são muitas vezes confundidos com outras condições. Quando múltiplas doenças coexistem, o desafio do diagnóstico se multiplica”, explica a gastroenterologista Danielle Kiatkoski, diretora científica do IBREDOC (Instituto Brasileiro para Estudos sobre a Doença Celíaca).
Além de serem condições prevalentes, muitas dessas doenças autoimunes podem se manifestar simultaneamente, como a tireoidite de Hashimoto, o lúpus, a doença celíaca, a artrite reumatoide e o diabetes tipo 1¹ Quando coexistem, costumam compartilhar marcadores imunológicos semelhantes (substâncias detectadas no sangue que indicam reação do sistema imune) — uma das razões pelas quais o diagnóstico laboratorial de precisão se torna essencial para identificar padrões de autoanticorpos e apoiar decisões clínicas mais assertivas ¹⁻⁴.
A longa jornada até o diagnóstico também traz consequências emocionais. Estudos apontam que pacientes com doenças autoimunes têm maior risco de desenvolver ansiedade e depressão, reflexo da incerteza e da demora em obter respostas¹. Para muitos, a fadiga persistente compromete a qualidade de vida e a capacidade de trabalho¹, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado.
Ciência no apoio ao diagnóstico
Já existem no mercado brasileiro soluções diagnósticas avançadas capazes de detectar diferentes autoanticorpos (marcadores imunológicos que indicam quando o sistema imune reage contra o próprio corpo) de forma automatizada, auxiliando os profissionais de saúde na diferenciação entre doenças com sintomas semelhantes. "Essas tecnologias nos permitem uma abordagem mais integrada e objetiva, o que encurta significativamente a jornada do paciente até o diagnóstico e possibilita iniciar o tratamento adequado de forma mais rápida e precisa”, destaca a gastroenterologista Danielle.
Entre exemplos de plataformas disponíveis no mercado, o Phadia Laboratory Systems é um sistema automatizado que realiza os testes EliA, desenvolvidos para detectar autoanticorpos com alta precisão. Utilizadas por laboratórios de referência no Brasil e no mundo, essas soluções empregam uma metodologia com antígenos de elevadíssimo grau de pureza, garantindo alta sensibilidade e alta especificidade, o que é essencial para um diagnóstico assertivo.
De acordo com a Aline Oliveira, Gerente de Produto em Autoimunidade da Thermo Fisher Scientific para a América Latina, o uso dessas plataformas permite identificar anticorpos associados às doenças autoimunes —, oferecendo subsídios clínicos valiosos para um diagnóstico mais assertivo.
“Com o avanço das tecnologias diagnósticas, é possível reduzir o tempo de espera de muitos pacientes até um diagnóstico preciso. Nosso compromisso é colaborar com a comunidade médica nesse processo, contribuindo para um manejo clínico mais eficaz e humano”, conclui Aline.
Referências bibliográficas:
Thermo Fisher Scientific. Infográfico: Introduction to Autoimmunity – A Visual Guide for General Practitioners (2025). Disponível em: https://www.thermofisher.com/
Environmental factors in autoimmune disease. PubMed (NIH). Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
The Female Immune System: Biological Sex Differences in Autoimmunity and Immune Responses. Cell, 2024. DOI: 10.1016/j.cell.2023.12.001
Veja Saúde. Um em cada dez indivíduos é afetado por doença autoimune, diz estudo. (2024). Disponível em: https://veja.abril.com.br/
Diagnósticos de doenças autoimunes aumentaram nos últimos anos. (2024). Disponível em: https://www.terra.com.br/vida-
Fonte: Assessoria