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Como empresas e trabalhadores devem se portar diante aos constantes casos de calor extremo

26/12/2025
Como empresas e trabalhadores devem se portar diante aos constantes casos de calor extremo
Fotos: Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho

Temos vistos nos últimos dias um período de calor extremo nas mais variadas regiões do Brasil, e esse fato tende a se tornar cada vez mais comum. Contudo, essa situação climática gera problemas que vão muito além dos incômodos do dia a dia, trazendo preocupações significativas para a saúde e bem-estar dos trabalhadores que convivem de forma direta com essa realidade exaustiva.

Nesse contexto, especialistas em segurança do trabalho alertam que é imperativo que as empresas adotem medidas rigorosas de proteção para seus funcionários, a fim de prevenir acidentes e problemas de saúde decorrentes do calor escaldante. Lembrando que problemas que possam ocorrer em função desse fato podem ser relacionados ao trabalho, fazendo com que a empresa tenha que arcar com as exigências legais.

A especialista em segurança do trabalho e CEO da Moema Medicina e Segurança no Trabalho, Tatiana Gonçalves, destaca que a exposição a temperaturas extremas representa riscos substanciais para os trabalhadores. Segundo ela, "essa onda de calor extremo pode trazer sérios riscos à saúde das pessoas, mas principalmente aos trabalhadores. A exposição a temperaturas extremas pode ocasionar problemas como aumento de acidentes, desmaios e até problemas mais sérios. É fundamental que as empresas tenham ações de prevenção em relação ao tema."

Importante ter em mente que em relação à legislação trabalhista, a NR 09 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais estabelece medidas de controle para eliminar, minimizar ou controlar os riscos ambientais, incluindo o calor extremo. Essas medidas podem ser divididas em três categorias:

Medidas coletivas:

- Redução da taxa de metabolismo, buscando minimizar o esforço físico dos trabalhadores.
- Movimentação do ar no ambiente, incluindo o uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores.
- Utilização de barreiras que protejam contra o calor radiante, como materiais reflexivos.
Medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho:

- Aclimatização dos trabalhadores, permitindo que seus corpos se adaptem gradualmente ao ambiente quente.
- Limitação do tempo de exposição ao calor.
- Promoção da hidratação adequada dos funcionários.
Uso de EPI - Equipamento de Proteção Individual:

- O uso de EPIs é a última linha de defesa, a ser adotada somente quando as medidas coletivas não são viáveis.
- Óculos de segurança com lentes especiais são necessários quando há fontes de calor radiante.
- Outros EPIs, como luvas, mangotes, aventais e capuzes, devem ser feitos de materiais adequados e o mais folgado possível para garantir o conforto térmico.
Ainda em relação ao calor, um dos principais desafios é garantir que os trabalhadores continuem a usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) mesmo em condições de calor intenso. Tatiana Gonçalves enfatiza que "um risco é que muitas vezes as pessoas, devido ao calor, podem achar que podem deixar de utilizar os EPIs. Isso não pode nunca acontecer, e a empresa tem que explicar para os trabalhadores, podendo ter o risco de ver aumentar os números de acidentes."Entre os EPIs mais comuns usados nas empresas estão óculos de proteção, luvas, capacetes, protetores auriculares, máscaras, abafadores de som, cintos de segurança e equipamentos de segurança para alturas.

Idealmente, os ambientes de trabalho deveriam ser climatizados, mas como isso nem sempre é viável, especialmente em atividades externas, alternativas precisam ser consideradas. Uma das recomendações é ajustar os horários de trabalho sempre que possível, priorizando as horas mais amenas do dia. Além disso, é essencial que os trabalhadores se mantenham hidratados e tenham pausas frequentes.

“Em resumo, as empresas precisam se preparar adequadamente para proteger seus trabalhadores em meio à onda de calor extremo que tendem a ser cada vez mais comuns. A adoção de medidas coletivas, a gestão adequada do trabalho e a promoção de práticas seguras são fundamentais para garantir a saúde e a segurança dos funcionários enquanto enfrentam as condições climáticas adversas. O uso correto dos EPIs é uma última linha de defesa essencial para proteger os trabalhadores contra os riscos associados ao calor extremo”, finaliza Tatiana Gonçalves.

Assessoria