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Saiba como prevenir a perda auditiva causada por fones de ouvido
A utilização de fones de ouvido integra a rotina da maioria da população brasileira, seja em reuniões on-line, para ouvir música ou assistir a séries e vídeos. Apesar da praticidade, alguns cuidados são necessários para evitar prejuízos à saúde auditiva decorrentes do uso contínuo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1 bilhão de pessoas, entre 12 e 35 anos, corre risco de perda auditiva por exposição prolongada a ruídos recreativos. Entre eles, destaca-se o volume elevado.
Segundo Vívian Maynart, fonoaudióloga e coordenadora do curso de Fonoaudiologia da UNINASSAU Maceió, a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) ocorre devido a microlesões repetidas nas células ciliadas da cóclea. “Com o passar do tempo, elas não se regeneram, o que resulta em perda auditiva permanente. O dano se torna irreversível quando há a morte dessas células. Antes disso, podem ocorrer mudanças temporárias no limiar auditivo, como a sensação de ouvido tampado após exposição a som alto. Se isso se repete com frequência, o organismo perde a capacidade de recuperação e o problema se torna definitivo”, explica.
A recomendação geral para o volume do equipamento é, preferencialmente, abaixo de 85 dB, até 60% da capacidade máxima do dispositivo. “Na prática, se outra pessoa consegue ouvir o som do seu fone, está alto demais. Se precisa aumentar para abafar o ambiente, já há risco. É interessante mencionar que muitos celulares possuem alerta de volume seguro ou mostram os decibéis nas configurações”, destaca a especialista.
Fazer pausas de 10 a 15 minutos durante a utilização ajuda a preservar a audição. O modelo do equipamento também influencia no risco. Fones intra-auriculares, usados em intensidade alta, direcionam o som diretamente ao canal auditivo, aumentando a sobrecarga. Já os modelos com cancelamento de ruído reduzem a necessidade de elevar o volume. Dispositivos externos distribuem melhor o som, mas o principal fator do problema continua sendo a combinação entre intensidade sonora e tempo de exposição.
A fonoaudióloga destaca sinais que podem indicar danos já em desenvolvimento, entre eles zumbido, mesmo passageiro; sensação de ouvido tampado ou de pressão; dificuldade para compreender a fala, sobretudo em ambientes ruidosos; e dor ou ardência na orelha após o uso. “Também costuma surgir uma sensibilidade exagerada aos sons, conhecida como hiperacusia. Já o zumbido merece atenção imediata, pois representa um dos primeiros sinais de sofrimento das células auditivas”.
Para profissionais de edição de áudio, telemarketing ou atividades com uso prolongado de fones, o recomendado é utilizar aparelhos de qualidade, preferencialmente com limitação de volume. Fazer pausas auditivas regulares ao longo do dia e alternância entre os lados direito e esquerdo também são recomendações. Outras atitudes positivas envolvem ajustar corretamente o equipamento, realizar avaliações audiológicas periódicas (audiometria) e buscar orientação fonoaudiológica individualizada.
Alguns cuidados simples podem proteger a audição, como manter volumes moderados, evitar uso prolongado, preferir ambientes silenciosos e não dormir com aparelhos na intensidade máxima. “A prevenção é sempre o melhor caminho na saúde. Por isso, use fones adequados e bem ajustados, faça exames auditivos regularmente e não ignore os sinais de alerta, procurando um fonoaudiólogo ao primeiro sinal de zumbido ou desconforto”, finaliza Vívian Maynart, coordenadora do curso de Fonoaudiologia da UNINASSAU Maceió.
Ascom Uninassau Maceió