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Mudança de fase escolar desafia famílias: como pais podem cuidar da saúde emocional dos filhos
A passagem de uma etapa escolar para outra ocasiona novidades e desafios para as crianças e adolescentes quanto para suas famílias. Para ajudar os pais a lidarem com esse momento de mudanças, como a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, ou do Fundamental para o Médio, a coordenadora do curso de Pedagogia da UNIASSELVI, professora Ana Clarisse Alencar Barbosa, reúne sinais de alerta, erros de comunicação mais comuns e estratégias práticas para criar um ambiente de segurança e pertencimento em casa.
“Cada transição desloca o eixo de aprendizagem e de responsabilidades da criança ou adolescente. Reconhecer os impactos emocionais e adaptar a rotina familiar faz toda a diferença para que a criança ou o adolescente se sinta apoiado, sem pressão excessiva”, reforça.
O fim do brincar?
A entrada no Ensino Fundamental marca a troca do "brincar livre e exploratório" por uma rotina com maior sistematização, regras, horários e exigências escolares. Apesar de esperada, essa mudança de eixo pode gerar desconforto.
Segundo Barbosa, os pais devem estar atentos aos sinais de estresse ou regressão comportamental nas crianças. Os mais comuns incluem choros frequentes ao ir ou chegar da escola, queixas somáticas, como dor de barriga ou enjoo sem causa médica, alterações no sono ou no apetite, e regressões comportamentais como o retorno ao uso de bico, chupeta ou fala infantilizada. Maior irritabilidade ou resistência às atividades escolares também são indicadores.
Para auxiliar nesse processo, os pais devem focar na previsibilidade e no estímulo ao esforço. “Os pais podem construir autonomia por etapas, atribuindo pequenas responsabilidades para a criança, e criar rotinas claras para acordar, estudar, brincar e dormir, o que ajuda a desenvolver a autorregulação”. A especialista destaca que é fundamental manter o brincar presente no dia a dia, pois "a criança continua criança, mudou apenas a etapa. O amadurecimento é gradual", afirma a especialista. Para evitar a pressão excessiva, a docente sugere elogiar o esforço, e não apenas o resultado. “É importante também que os pais validem os sentimentos da criança, deixando claro que entendem o desconforto, mas que a mudança é necessária para o seu desenvolvimento”, pontua.
Ensino Médio: adolescência, identidade e futuro
A passagem para o Ensino Médio coincide com o auge da adolescência, o que provoca um duplo desafio: crise de identidade , instabilidade emocional e pressão da escolha profissional. A insegurança é natural, e a preparação para a vida adulta exige um apoio com foco no acolhimento e na exploração de interesses.
Para Ana Clarisse Barbosa, os pais devem, antes de tudo, acolher a instabilidade emocional e entender que a variação de humor não é falta de educação, mas um marcador do desenvolvimento socioemocional. “É fundamental evitar comparações e minimizar o sofrimento do adolescente, dizendo frases como ‘isso é drama’ ou ‘nessa idade eu já trabalhava’, reforçando a validação emocional”.
Segundo a especialista, “para o desenvolvimento do adolescente, é importante reforçar laços de pertencimento, incentivando a participação em grupos, seja de esportes, artes ou projetos, pois ‘o jovem precisa pertencer para depois se reconhecer’”. A docente afirma que os pais podem ainda ajudar a explorar interesses e habilidades, facilitando o planejamento do futuro de forma realista e menos ansiosa.
Comunicação e diálogo são pontos-chave
A maneira como os pais se comunicam é determinante para promover a segurança da criança ou adolescente. Barbosa alerta: “Os erros de comunicação mais frequentes ao tentar preparar ou motivar os filhos são minimizar os sentimentos, o excesso de foco no desempenho, transformando notas em condição de afeto, comparações com irmãos ou colegas, disparar conselhos imediatos sem praticar a escuta ativa e a transmissão da própria ansiedade adulta no discurso”.
De acordo com a professora, o diálogo que realmente promove a segurança e a abertura se baseia em perguntas abertas, escuta ativa e modelagem emocional, na qual os pais servem como modelo de como lidar com frustrações. Além disso, deve-se estimular o pensamento crítico e evitar dramatizações.
Quando buscar ajuda profissional
A rede de apoio em casa deve ser personalizada, reconhecendo que cada filho tem necessidades singulares. O que funciona para um pode não funcionar para o outro. “É fundamental observar os padrões de comportamento de cada um, o nível de sensibilidade, o ritmo de aprendizagem e as inseguranças. A rotina deve ser ajustada à personalidade; por exemplo, crianças mais ansiosas precisam de mais previsibilidade, enquanto adolescentes introspectivos necessitam de espaços seguros para a fala, sem pressão”, explica Barbosa. Para a especialista, também é importante que escola e família sejam parceiros ativos.
Por outro lado, a professora cita que “a ajuda especializada é indicada quando os sinais de sofrimento são persistentes, por mais de 4 a 6 semanas, ou quando a rotina familiar se torna insustentável”, afirma. Ela indica buscar auxílio profissional em casos de:
Regressões acentuadas ou mudanças bruscas e duradouras no humor;
Queda significativa no rendimento escolar ou evitação extrema de atividades;
Sofrimento emocional evidente, como crises de choro, isolamento ou explosões de raiva frequentes;
Queixas físicas constantes sem causa médica;
Problemas de atenção, leitura ou escrita que dificultam o acompanhamento.
Em situações como essas, a recomendação é buscar apoio de profissionais de psicopedagogia (para dificuldades de aprendizagem e transição), psicologia (para aspectos emocionais), terapia ocupacional (para autorregulação e rotina), e neuropsicologia ou neurologia (para avaliações cognitivas ou indícios neurobiológicos). Barbosa cita que, em casos mais intensos, pode ser necessário o suporte de um psiquiatra.
Sobre a UNIASSELVI
A UNIASSELVI é uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil. Com uma oferta diversificada de mais de 500 cursos, que incluem Graduação, Pós-Graduação, Profissionalizantes e Técnicos, tanto na modalidade presencial quanto a distância (EAD), a instituição se destaca pela sua abrangência e qualidade educacional. Presente em todos os estados brasileiros, a UNIASSELVI conta com uma ampla rede de mais de 1,2 polos e mais de 16 campi de ensino presencial. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional a receber nota máxima no Recredenciamento Institucional, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A missão da UNIASSELVI é fornecer os recursos e o suporte necessários para que os alunos construam suas próprias histórias e alcancem o sucesso acadêmico e profissional, promovendo assim o desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.
Fonte: Assessoria