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Juros do cartão de crédito batem 451,5% ao ano e viram armadilha para consumidores
As taxas médias de juros cobradas pelos bancos voltaram a subir em agosto e o destaque vai para o cartão de crédito rotativo, que alcançou impressionantes 451,5% ao ano, de acordo com dados do Banco Central (BC).
O cenário é resultado de uma combinação de fatores: a inadimplência crescente das famílias brasileiras, a manutenção da Selic em patamar elevado e o comportamento dos bancos e operadoras de cartão, que buscam reduzir riscos cobrando taxas cada vez mais altas.
Embora o governo tenha sancionado uma lei que limita a cobrança de juros do rotativo a 100% ao ano, na prática isso não vem ocorrendo. As instituições financeiras encontraram brechas para aplicar taxas ainda exorbitantes, transformando o rotativo em uma das modalidades mais caras e arriscadas do mercado.
“Na prática, o que estamos vendo é que a promessa de redução dos juros do rotativo não se concretizou. O consumidor continua exposto a taxas abusivas e extremamente nocivas para sua saúde financeira”, alerta o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos.
Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, os juros do rotativo subiram 24,6 pontos percentuais para as famílias. Já o crédito parcelado do cartão – modalidade automaticamente aplicada pelos bancos após 30 dias de atraso – ficou em 180,7% ao ano, ainda elevadíssimo.
Orientações de Reinaldo Domingos para evitar armadilhas do cartão de crédito
Diante desse cenário preocupante, Reinaldo Domingos reforça que o caminho para lidar com o cartão de crédito passa pelo uso consciente e planejado. Confira suas principais orientações:
1. Defina limites adequados ao orçamento
O limite do cartão de crédito nunca deve ultrapassar 30% da renda mensal. Ter vários cartões aumenta o risco de perder o controle, por isso, quem possui apenas uma fonte de renda deve optar por apenas um cartão.
“O cartão não deve ser visto como uma extensão da renda, mas como um meio de pagamento. Se não houver disciplina, ele rapidamente vira um inimigo das finanças”, reforça Domingos.
2. Evite pagar o mínimo da fatura
O maior erro é pagar apenas o valor mínimo, o que leva automaticamente ao rotativo. Se não for possível quitar a fatura integral, a orientação é buscar alternativas de crédito mais baratas, que não ultrapassem 2,5% ao mês.Linhas como crédito consignado, com juros menores, podem ser alternativas temporárias para sair da armadilha do rotativo.
3. Não troque dívidas ruins por piores
Recorrer ao cheque especial ou ao crédito pessoal para pagar o cartão só agrava o problema, reduzindo ainda mais a renda disponível e aumentando o risco de endividamento.
4. Cuidado com o parcelamento “sem juros”
As compras parceladas parecem vantajosas, mas comprometem o orçamento futuro. Parcelar vários itens faz com que prestações se acumulem, confundindo despesas fixas com compromissos futuros.Antes de parcelar, pergunte-se: “Se eu perder parte da minha renda, conseguirei manter essas parcelas sem comprometer outras contas essenciais?”.
5. Use o cartão como ferramenta de organização
O cartão pode ser um aliado se utilizado para centralizar gastos e facilitar o controle. O ideal é acompanhar semanalmente o extrato para identificar excessos e ajustar o consumo antes do fechamento da fatura.“ Transformar o cartão em uma ferramenta de organização exige disciplina. Quem controla de perto os gastos sabe onde cortar antes que a situação fuja do controle”, orienta Domingos.
6. Planeje as compras de forma consciente
O cartão deve ser usado apenas para compras que já estão previstas no orçamento. Um bom exercício é reservar no orçamento uma porcentagem para gastos variáveis e nunca ultrapassar esse valor, mesmo que o limite do cartão permita.
7. Busque educação financeira
Domingos ressalta que a maioria das mais de 70 milhões de pessoas inadimplentes no Brasil tem dívidas originadas no uso inadequado do cartão. Para reverter esse quadro, é fundamental investir em educação financeira, aprendendo a planejar o uso da renda e a diferenciar desejos de necessidades.
Os números mostram que o cartão de crédito rotativo permanece como a armadilha mais perigosa para o bolso do brasileiro, apesar das tentativas de regulamentação. A combinação de juros recordes, falta de planejamento e uso impulsivo faz com que milhões de pessoas caiam em um ciclo de dívidas difícil de sair.
Com disciplina e as orientações de especialistas como Reinaldo Domingos, é possível transformar o cartão de crédito de vilão em aliado. Mas, para isso, a regra é clara: evitar o rotativo a qualquer custo e utilizar o cartão como instrumento de organização, nunca como complemento de renda.
Fonte: Assessoria