24hrs por dia, 7 dias na semana, 4 turnos, 12 horas ininterruptas e vários acidentes de trabalho. Era assim que funcionava a empresa Araforros antes de ser cadastrada no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Hoje, os servidores trabalham 8hrs por dia, com intervalos programados para ginástica laboral e dia de domingo a empresa não abre.
Atualmente a empresa opera com o mesmo número de funcionários de quatro anos atrás, que chega a um total de 300 pessoas, e mesmo trabalhando menos tempo, produz mais. Os setores administrativo, industrial e comercial são envolvidos nas atividades que visam diminuir os riscos de acidentes de trabalho.
“A ginástica é rápida mas suficiente, dura cerca de 15min, mas tira o trabalhador de uma condição e movimenta músculos que estavam parados”, explicou o Gerente Industrial, Luiz Almeida. “Tem gente que associa trabalho a sofrimento, quando na verdade o trabalho trás alegria e felicidade, não desgaste”, afirmou.
O profissional de educação física do Cerest, Chrystiano Ferreira de Albuquerque, disse que o ideal é que a ginástica laboral seja dividida em três etapas. No início do trabalho, quando o exercício prepara a musculatura e ossos para a jornada de trabalho. Durante o expediente, para diminuir o estresse e no final, para o relaxamento.
“Além disso, como a ginástica laboral é realizada em grupo, ela se torna dinâmica e aproxima os trabalhadores, tornando-os mais espontâneos e o ambiente de trabalho mais harmonioso”, disse Chrystiano.
Cerest
O Centro faz parte da Secretaria Municipal de Saúde por meio da Coordenação de Promoção da Saúde, que desde 2010 desenvolve o projeto “Empresas Promotoras de Saúde” em parceria com o segmento empresarial do município. Atualmente 34 empresas são cadastradas no projeto e a Araforros é uma delas.
Através de suas atividades, o órgão tem o objetivo de prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, como as osteomusculares, que são as artrites, artroses ou bursites. Essas doenças são as famosas ler/dort e geralmente atacam a parte superior do corpo.
“Ler significa lesão por esforço repetitivo e dort quer dizer distúrbios osteomusculares relacionados a trabalho”, esclareceu Chrystiano.
A parceria entre Araforros e Cerest já dura um ano e meio. A técnica de segurança do trabalho da empresa, Inácia Gouveia, afirmou que após a empresa ser cadastrada no projeto, já completaram 448 dias sem acidente de trabalho. Além disso, 100% dos funcionários estão com a cobertura da vacina contra o tétano.
“Trabalhamos em conjunto com o foco na necessidade. O Centro trás o que pode oferecer e montamos um calendário anual com atividades distribuídas mês a mês”, explicou Inácia Gouveia. “O destaque vem sendo a cultura de informação com palestras educativas”.
O trabalho inicial da equipe de saúde consiste em realizar uma visita técnica nas empresas e oferecer os serviços de prevenção da saúde desenvolvidas pelo município, tais como: saúde do homem, da mulher, do idoso, combate ao tabagismo, hipertensão, imunização, entre outros.
Na Araforros, o Cerest já trabalhou temas como saúde do homem, a importância do uso do equipamento de proteção individual e acidentes de trajeto. Também já foram realizados mutirões para esclarecer sobre a saúde bucal.
“No Brasil, culturalmente, as empresas normalmente olham indicadores, mas, mesmo assim, a produtividade é baixa. O que elas precisam fazer é experimentar”, sugeriu Luiz. “Pegue uma pequena parte da empresa, um setor, por exemplo, e desconecte por um tempo e depois eles voltam para a sua atividade. É uma recarga. Realmente funciona mas os empresários não entendem”, lamentou.
Fica dica
Além do trabalho desenvolvido pelo Cerest, é importante a empresa observar outros itens que resultam positivamente. Por exemplo, o setor de compostagem da Araforros era manual, hoje é automatizado. Isso evita um desgaste e riscos de acidente de trabalho são drasticamente reduzidos. Então, aliado as atividades voltadas para o trabalhador, como a empresa pode melhorar internamente? São essas indagações que o Cerest também provoca.
O servidor ser ouvido pela empresa e se tornar parte das tomadas de decisões também é importante. Aquela cultura de “faça porque eu estou mandando” é ultrapassada.
Mudar a posição de um equipamento porque se percebe que a movimentação do trabalhador vai servidor vai ser melhor também é um ponto interessante.
“Uma pessoa para trabalhar bem precisa estar em um ambiente adequado e se reconhecer na atividade que está, deste modo a empresa vai ter alta produtividade e bons resultados”, explicou Luiz. “Na verdade você precisa preparar uma infraestrutura para o negócio funcionar bem. Logística de transporte, distância trabalho/casa, se você demonstra preocupação com o trabalhador, ele se sente satisfeito e vai trabalhar focado”, garantiu.
Algo que também previne o afastamento do servidor é cobrar exames médicos periodicamente, diminuindo assim o absenteísmo – é um padrão habitual de ausências no processo de trabalho, dever ou obrigação, seja por falta ou atraso, devido a algum motivo interveniente. Os brasileiros não tem esse hábito e é preciso que a empresa cobre regularmente.
“É importante ter trabalhadores que não só usem o corpo, mas o cérebro também”, afirmou Luiz. “Depois que começamos a trabalhar com o Cerest percebemos uma satisfação no trabalhador que não possui mais o desejo de sair da empresa”.
Fonte: Ascom Arapiraca




