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Pontos e Contos lança nova coleção resgatando lendas do Velho Chico
Ao longo de seu leito, o Rio São Francisco transborda cultura. E parte dessa cultura é traduzida por meio de diversas lendas contadas desde a nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a sua foz, em Piaçabuçu. Dessas lendas, nasceu a nova coleção da Pontos e Contos, lançada na noite dessa quarta-feira (22), na Casa de Aposentadoria de Penedo. Intitulada ‘Lendas do São Francisco’, a coleção homenageou o rio, trazendo o bordado manual com diversas cores e desenhos, em peças como vestidos, saias e batas, que puderam ser vistas no desfile da marca.
Durante o evento, enquanto as modelos passavam, as lendas do São Francisco eram contadas, entre elas, a do nascimento do rio. Diz a lenda que a índia Irati se apaixonou por um índio de uma tribo inimiga e, durante uma guerra, seu amado morreu. Irati teria chorado tanto que suas lágrimas formaram o Velho Chico. Outra lenda lembrada, a do ‘Surubim Beijador’, tem como cenário a própria cidade de Penedo, mais precisamente a Ilha do Jegue, e tem certo cunho social. A estória diz que na ilha viviam Maria Anália e seu marido, que era muito ciumento e batia nela. Certo dia, Maria teria cozinhado um surubim para ele.
O marido de Maria Anália espancou-a e ela ficou com muita dor e com o rosto desfigurado. A mulher foi até a beira do rio lavar o rosto e acabou desmaiando, sendo despertada horas depois com beijos e carinhos de um enorme surubim, fazendo desaparecer as marcas da agressão. Ao voltar para casa, Maria Anália encontrou seu marido morto, engasgado com a espinha do peixe que ela havia preparado. Rita Helena Horn, turista de Brasília que sempre vai a Penedo, é cliente assídua e apaixonada pelo bordado da Pontos e Contos, e destacou que sempre compra peças produzidas pela associação. Rita também lembrou a importância do negócio para as bordadeiras de Penedo, enfatizando o que achou da nova coleção.
“O que a Pontos e Contos faz é um verdadeiro trabalho de inclusão social, integrando as bordadeiras, que muitas vezes não têm espaço para mostrarem seus trabalhos em grandes eventos e feiras fora do estado. E essa ideia de mostrar as lendas através das peças é sensacional. Isso ajuda a resgatar a cultura e as tradições locais, passando-as para as próximas gerações”, frisou Rita Horn. Segundo Francisca Lessa, presidente da Associação Pontos e Contos, a nova coleção tem várias inovações, como algumas peças feitas em linho e outras com renda de bilro. A presidente ainda enfatizou a relevância da coleção para disseminar a cultura da população ribeirinha do São Francisco.
“Através desse lançamento, criamos uma oportunidade de contar essas lendas para que as pessoas conheçam nossa história ao redor do país. É algo diferente transformar uma lenda em bordado. Não é fácil, mas conseguimos. Este é mais um momento que nos dá visibilidade e nos ajuda a divulgar nosso trabalho. Ficou tudo muito bonito. Às vezes, a gente nem acredita que fomos nós mesmos que fizemos essas peças”, afirmou.
Frente à nova coleção, Francisca falou sobre suas expectativas, lembrando a importância do apoio do Sebrae ao ajudar no desenvolvimento da Pontos e Contos. “Estamos na expectativa de expor nossos produtos em feiras e shoppings em cidades como São Paulo, Brasília e Recife nos próximos dias. Em alguns desses eventos, nós vamos com o apoio do Sebrae, parceiro importantíssimo para nós. Somos o que somos hoje graças ao Sebrae, que nos ensinou a dar preços aos nossos produtos, a comprar matéria-prima, entre outros aspectos. Já temos muitas encomendas e esperamos conseguir mais. Teremos muito trabalho ao longo do ano”, concluiu.
De acordo com Marina Gatto, analista da Unidade de Comércio e Serviços (UCS) do Sebrae em Alagoas, a instituição oferece orientação técnica para a produção dessa nova coleção da Pontos e Contos desde o final de 2016. Agora, após o lançamento da coleção, o apoio será com o foco na comercialização das peças. A analista também destacou a importância de orientar unidades produtivas como a Pontos e Contos, que buscam valorizar a arte local através de sua produção.
“Nossa orientação serve para que a unidade produtiva sempre busque inovar para atingir novos públicos e ganhar ainda mais clientes, trazendo novidades na modelagem das peças e sempre criando coleções novas ao longo dos anos”, finalizou Marina.
Sobre a Pontos e Contos
Criada em 2005, a Pontos e Contos ficou reconhecida nacionalmente depois que sua presidente, Francisca Lessa, ganhou o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios em 2007, e esteve incluída entre os 100 melhores artesanatos do Brasil nos anos de 2009, 2012 e 2016, com o Prêmio TOP 100 Sebrae de Artesanato. Atualmente, as peças estão sendo comercializadas em todo o Brasil, e cada encomenda que chega dos mais distantes recantos do país é motivo de muito orgulho para as 35 associadas. Todas as participantes são mulheres entre 18 e 70 anos, que bordam ponto cruz e crochê.
A maioria das integrantes são donas de casa ou adolescentes, estudantes que não têm outra fonte de renda. Elas trabalham em casa, tendo a obrigação de ir até a sede da associação uma vez por semana, onde entregam as peças já bordadas e levam outras para bordar. Todo material é comprado pela associação, e o pagamento é feito quando a peça é vendida e no início de cada mês. Cada uma recebe de acordo com sua produção.
Fonte: Agência Sebrae Alagoas