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Jude chega ao Antropofágico Miscigenado para nova apresentação

12/02/2017
Jude chega ao Antropofágico Miscigenado para nova apresentação

Jude, com Pedro Salvador ao fundoEles surgiram no final de 2015 como uma promessa do rock alagoano e até meados de 2016 enfiados num estúdio para a gravação do primeiro álbum continuavam sendo uma aposta. Apenas os amigos tinham ouvido as belas canções da Jude, entre eles o cantor, compositor e guitarrista da banda Mopho, João Paulo, espécie de guru da galera, que afinal gravou com eles a faixa “Vá ser feliz como o Arnaldo Baptista”.

Uma joia de composição assinada pelo guitarrista Reuel Albuquerque. Todo o disco, aliás (uma aposta do selo Crooked Tree Records), desde o nome é um tesouro: “Ainda que de Ouro e Metais”. Jude é a convidada do movimento Antropofágico Miscigenado na terça-feira (14), no saguão do teatro Deodoro, no centro da capital. Criado pelos músicos Edi Ribeiro e Sebage, o Antropofágico Miscigenado tem reunido, regularmente, todas as terças-feiras desde a segunda semana de janeiro a nata dos músicos alagoanos, ora como convidados ora dando uma canja – que acontece sempre depois do pequeno show principal.

Na terça-feira, o recado é da Jude, em segunda apresentação ao vivo (a primeira foi no sábado, dia 4, no espaço Quintal Cultural, no bairro do Bebedouro). O Deodoro abre às 17h30 e a entrada franca. Lançado em dezembro, o álbum de estreia da Jude é uma lufada de criatividade e beleza musical. Composições solares, vocais afinados cheios de harmonia, lembram os Beatles, Beach Boys e os Mutantes. E o Mopho. Mas a banda é muito ela mesma, com uma identidade forte criada por músicos jovens, mas com vasta experiência musical, o trio Fernando Brasileiro, Reuel Albuquerque e Alexander Moreira, todos na faixa dos 29 anos. O som é algo perfeccionista e... Clássico.

Clássico, porém, inovador. Como explica o guitarrista Reuel Albuquerque. “Não gosto de ver esse nosso trabalho como revival ou como retrô, rótulo que sempre vou evitar. Falando com toda humildade, não faria música se fosse para ser velha ou empoeirada. Mas a Jude, como uma banda formada por três pessoas se une a partir de influências do rock clássico, não foi uma tentativa de emular um som ‘das antigas’, vintage.”

Arrasaram. Trouxeram mais beleza ainda ao colorido caldeirão sonoro do rock contemporâneo alagoano, que, diga-se, já consagrou – não somente em Alagoas, mas, também, nos grandes centros – uma marca de inventividade e sonoridades consistentes, sejam hard ou psicodélica, punk ou metaleira.

“A gente se conhece há bastante tempo, aproximadamente dez anos, quando tocávamos covers de rocks dos anos 1960 e 1970. Nessa mesma época já compúnhamos as nossas canções, mas não fizemos nenhum álbum desse ‘trabalho’", relembra Fernando Brasileiro, o vocalista, também responsável pela guitarra base. Todos compõem. Ao vivo, na bateria, o trio conta, ainda, com o multi-instrumentista e mentor da banda Necro, Pedro Salvador. “Só em meados de 2015”, diz Brasileiro, “nós três tivemos a ideia de gravarmos um álbum com músicas nossas, e assim surgiu o projeto Jude.”.

O contrabaixista Alexander Moreira destaca a experiência no Quintal Cultural. “Superou qualquer expectativa que eu tinha. Nunca tinha ido ao Quintal, mas sabia que lá tinha uma energia legal. E realmente foi o que aconteceu. O público interagiu e até algo que nos pegou de surpresa foi que uma boa parte do público cantou a nossa canção ‘Vá ser feliz como o Arnaldo Baptista’. Satisfação maior que essa a gente não poderia ter.”

O movimento Antropofágico Miscigenado tem apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal), da Cuscuzeria Café e Café da Linda e da rádio Quântica. Não é cobrado couvert. O público pode fazer doações depositando valores numa Urna Antropofágica. Para mais informações ligue ou envie mensagem (whatsapp) para (82) 9 9805 5197 (com Edi Ribeiro) ou 9 9197 5995 (Sebage).

Fonte: Jorge Barboza