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Crianças e adolescentes atendidos pela Semas participam de dia de lazer
Os Serviços de Acolhimento Institucional da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) proporcionaram um dia de lazer para quase 50 crianças e adolescentes de quatro instituições atendidas pela Prefeitura de Maceió. A ação foi realizada no Acampamento da Igreja Batista, que fica no município de Paripueira, Litoral Norte de Alagoas.
O dia começou cedo para a garotada dos Serviços de Acolhimento Institucional, que se preparavam para vivenciar o dia de lazer com todas as crianças e adolescentes. Os participantes são da Casa de Adoção Rubens Colaço, que acolhe crianças de zero a sete anos incompletos; da Acolher, que abriga meninos de sete a 18 anos; da Casa de Passagem Feminina, que acolhe meninas de 7 a 18 anos; e da Casa Lar, que funciona como uma residência, na qual as mães sociais tomam conta das crianças que vivem lá.
“Esse modelo de área livre, com lazer, é muito mais dinâmico e eficiente porque é mais expressivo para a liberdade, o contato e a convivência entre os meninos e meninas”, diz o coordenador do Acolher, Amaro Jorge.
A coordenadora da Casa de Passagem Feminina, Rejane Costa, concorda com Amaro. Ela revela que esse momento de interação dos meninos e meninas de todos os abrigos é muito importante para a vivência da liberdade que pode ser experimentada com a interação entre crianças e jovens com atividades de lazer e recreação.
A coordenadora do Rubens Colaço, Marta Célia Cavalcante de Almeida Rodas, explica que apenas uma criança, com autismo severo, deixou de participar porque o convívio social ainda gera muito transtorno para ela. Já outra criança com autismo, mas que já participa das atividades e do convívio social com outros meninos e meninas, tomava banho na piscina e interagia com a garotada, incluindo o Gustavo, que era auxiliado por uma dupla de educadores sociais. É que o adolescente precisa da cadeira de rodas para se locomover.
Enquanto as crianças e adolescentes se divertiam na piscina e no futebol de sabão, alguns dos “tios”, como são chamados, preparavam o almoço. Um churrasco que foi servido com arroz branco, farofa, batata frita, vinagrete e legumes (a conhecida maionese) e que teve como sobremesa sorvetes de diversos sabores, bem geladinho para um dia de verão, com direito à casquinha e cobertura.
Um desses tios é a coordenadora-geral dos Serviços de Acolhimento Institucional da Semas, Sônia Ivanoff. Enquanto ajudava no preparo do almoço da garotada, Sônia revela como havia planejado o dia de lazer com a equipe técnica da Semas.
Violões de presente
“Conseguimos trazer presentes para todos eles. Nós fizemos oficinas onde cada criança e adolescente falava do desejo de receber um presente. Eles diziam o que queriam ganhar. As meninas queriam maquiagem, roupas, óculos escuros. Dois meninos que participam da oficina de música pediram violões e nós conseguimos, dentro do possível, acionar uma rede de voluntários para satisfazer o desejo de todos”, explica a coordenadora-geral dos Serviços de Acolhimento Institucional da Semas.
Na piscina, nadando de uma borda a outra, a adolescente Priscila quase não parava para falar com a reportagem. Até que ela e outros meninos e meninas saíram e sentaram num banco para conversar sobre o dia de lazer. “Está sendo maravilhoso! Muito bom! Aproveito para matar a saudade do meu irmão de quatro anos que vive em outro abrigo”, diz Priscila.
A história da adolescente e do irmão que foram parar nos Serviços de Acolhimento Institucional da Semas mostra o quanto a vida é difícil e complexa. Priscila teve um irmão morto. Outro está preso. O mais novo foi acolhido no Rubens Colaço e ela na Casa de Passagem Feminina. A avó está doente, o pai dela morreu e a mãe vive na rua. É dependente química. “Minha mãe não quer saber da gente e minha avó está doente, vai fazer uma cirurgia”, diz a menina.
Priscila como os outros meninos e meninas frequentam a escola e ainda participam das atividades lúdicas e oficinas que são ministradas nos serviços de acolhimento institucional, seja pelos técnicos da Semas, especialistas convidados ou até mesmo, voluntários, que nos fins de semana vão desenvolver atividades lúdicas e recreativas com a garotada, através das visitas agendadas.
Gustavo, o adolescente que utiliza a cadeira de rodas e tem um pouco de dificuldade para falar, diz de dentro da piscina, que os amigos da escola vão visitá-lo no Acolher, nos fins de semana, e que participar do dia de lazer é muito divertido.
As mães sociais
As mães sociais, Luciene Santos e Tânia Regina estavam responsáveis pelo cuidado de duas meninas e sete meninos que são acolhidos na Casa Lar. A Casa Lar abriga irmãos e irmãs de faixa etária equivalente que são assistidos pelas mulheres que se dedicam ao trabalho de proteger, cuidar, alimentar e educar a garotada que vive na instituição.
Luciene Santos explica que passou por um processo seletivo para ser mãe social, como todas as outras mães sociais. A seleção consiste na análise de currículo e entrevista com técnicos que analisam os requisitos para o exercício dessa profissão que já é legalizada no Brasil.
“Para ser mãe social é preciso se qualificar nessa área de proteção da criança e do adolescente e ter até formação para prestar os cuidados necessários para meninos e meninas que têm necessidades especiais”, revela a mãe social Tânia Regina.
“Participar do dia de lazer com todos é uma oportunidade de socialização que para as crianças e adolescentes é muito importante. Esse tipo de ambiente mais livre, com lazer na piscina e a possibilidade de sair da rotina é maravilhoso!”, diz Luciene.
Garotada se diverte com o futebol de sabão. Foto: Vanessa Napoleão. Garotada se diverte com o futebol de sabão. Foto: Vanessa Napoleão.
O dia de lazer da meninada dos Serviços de Acolhimento Institucional da Semas terminou com o show musical dos adolescentes Sérgio e Ricardo. Eles ganharam os violões de presente e junto com o professor Leandro e as outras crianças cantaram a música “Valeu, Amigo!”, do MC PeKeno e Menor.
Eu ouvi palavras ditas com carinho De que na vida ninguém é feliz sozinho E você é um alguém que sempre me fez bem Me protegeu e me tirou de todo perigo E quando eu precisei você chorou comigo Valeu por você existir, é tão bom te ter aqui
Eu rezo e peço pra Deus cuidar A sua vida abençoar Vou correr por você até o fim
Me quis tirar do mal, eu percebi Disse verdades que eu mereci Então pra sempre amigos, sim Se Deus quiser Vou ter você guardado no meu coração Até nos seus conselhos de irmão E é pra você que eu dedico essa canção
Eu rezo e peço pra Deus cuidar, cuidar A sua vida abençoar, abençoar Vou correr por você até o fim Assim eu sei que pra você também Sou alguém que te faz tão bem Mais que amigo e irmão meu, valeu
Eu rezo e peço pra Deus cuidar, cuidar A sua vida abençoar, abençoar Vou correr com você até o fim Assim eu sei que pra você também Sou alguém que te faz tão bem Mais que amigo e irmão meu, valeu
Quando todos se forem, eu vou estar lá com você Amigos até depois do fim Valeu, amigo!
Os nomes das crianças e adolescentes desta reportagem são fictícios. É preciso protegê-los, por respeito à legislação brasileira, que garante a preservação da identidade de meninos e meninas que são abrigados nas quatro casas que integram os Serviços de Acolhimento Institucional da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e da Prefeitura de Maceió.
Fonte: Ascom Semas Maceió