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Grande espetáculo lança Relix em AL; programação segue até fevereiro
Com olhos atentos de estudantes de escolas públicas e catadores, o projeto Relix foi lançado em Alagoas, nesta quarta-feira (30), em três sessões lotadas no Teatro Deodoro. A partir de agora inicia-se uma verdadeira caravana com ações culturais, educativas e provocativas envoltas na ampla programação idealizada por Lina Rosa. O Relix tem o patrocínio do Sesi e se posiciona como um ponto de partida para repensarmos a maneira que lidamos com lixo, não só no âmbito coletivo, mas no comportamento do indivíduo.
Na ocasião, o público acompanhou a estreia do Espetaculix, a peça de teatro do projeto, também foi possível apreciar a Expolix, exposição fotográfica com ensaio “Catadoras”, de Helder Ferrer. Montada em caixas de papelão reutilizadas, a exposição será totalmente reciclada depois. Além da apresentação especial do Magote de Cabriolé, em execução percussiva com baldes e latas de lixo. A coordenadora pedagógica da Escola Estadual Princesa Isabel, Jane Mendes, está acompanhando o projeto e avaliou como positivo. “O espetáculo é muito bonito e integrado com a realidade. O assunto é pertinente para educação dessa nova geração, que pode ajudar a construir um mundo melhor. Os jovens se sentiram agradecidos por participarem desse momento, acredito que isso vai fazer a diferença na vida deles”, afirmou.
O Espetaculix vai circular em cidades de todo o Estado, no total de 130 performances e mais de 30 mil espectadores. Além das apresentações para rede pública e para as indústrias, o grande público também terá acesso ao espetáculo em dois momentos. A apoteose do projeto, com apresentação do ator Pascoal da Conceição como mestre de cerimônias, no dia 8 de janeiro, na Orla de Maceió, na Multieventos, e um momento especial de exibição na comunidade Emater 1, simbolicamente no espaço onde configurava um lixão hoje transformado em aterro sanitário. A data para esse encontro ainda deve ser confirmada.
"Não podemos esquecer nem por um dia, é um conteúdo que precisa ser instaurado como um hábito, autômato como beber água. Para eu sobreviver eu tenho que tomar tantos copos de água por dia, assim como para o planeta sobreviver todo mundo tem que estar junto nessa cadeia produtiva de diminuição de consumo, da logística reversa. Ao mesmo tempo em que reciclagem é reutilizar aquilo, é até muito generoso porque você vai descobrindo novas possibilidades para as coisas", diz Lina Rosa, idealizadora do projeto, que assina também a criação e direção de projetos como Sesi Bonecos e o Fito - Festival Internacional de Teatro de Objetos, que já passaram por Maceió.
Integrado a toda a programação cultural, os catadores vão participar de uma capacitação sobre reciclagem. Serão doadas 30 bicicletas para cooperativas e associações de catadores de lixo, distribuídas por todo o Estado, além de um kit que inclui bolsa, chapéu com proteção para a nuca e camisa UV para proteger o trabalhador do sol, par de luvas, cadeado e corrente e bomba de calibragem.
“Não se forma uma cadeia sólida de logística reversa sem que cada elo dê a sua colaboração. Mas, para que isso aconteça, é preciso promover uma mudança de comportamento que começa pela conscientização das pessoas, mostrando a elas os impactos positivos da redução do lixo e como a reutilização dos resíduos sólidos é boa para a sociedade, porque conserva o meio ambiente. Existem, ainda, os lados econômico e social, pois a reciclagem gera renda para centenas de família”, Carlos Alberto Paes, Superintendente executivo do Sesi Alagoas.
"Precisamos mudar a mentalidade da população e de todos os gestores. Por isso, existe a necessidade de entender que ou a gente investe em educação ambiental ou não consegue avançar com as políticas públicas. Por isso a Semarh se sensibiliza e apoia iniciativas como o Relix. Um projeto que conscientiza a sociedade sobre a responsabilidade pelo resíduo sólido gerado por cada um e valoriza os catadores, dando a eles uma oportunidade de trabalhar com mais dignidade”, avalia Alexandre Ayres, Secretário Estadual de Meio Ambiente de Alagoas.
PROJETO RELIX - Numa referência ao lixo em latim (lix, significado de cinzas), Relix é Recusar, Repensar, Reciclar, Reduzir e Reutilizar o lixo. Ressignificar transformando o conceito de lixo por meio da arte, relíquias. Para provocar mudanças de comportamento que conduzam a resultados mais eficientes e confirmem o estabelecimento da nova e necessária tendência ao lixo zero (ainda distante, mas é preciso começar). A cada performance cultural, com público formado por estudantes ou trabalhadores da indústria, se constrói uma nova consciência ambiental, na nossa casa, mas também na rua, trabalho, cidade.
Até fevereiro de 2017, o Relix prevê uma intensa lista de atividades em todo o estado, envolvendo apresentações teatrais em escolas e indústrias, doação de lixeiras seletivas a escolas e de bicicletas coletoras a associações e cooperativas de catadores, exposição fotográfica, lançamento de história em quadrinhos, intervenções em espaços públicos e com o intuito de criar consciência da necessidade de não apenas reciclar o lixo, mas de evitá-lo o máximo possível. No dia 08 de janeiro, em pleno verão, acontece uma grande apoteose do projeto, com apresentações, passeios ciclísticos e entregas das Ciclolix na Orla de Maceió.
Além de assistirem à peça, os alunos e trabalhadores recebem uma cartilha ilustrada pelo artista plástico paraibano Shiko numa abordagem lúdica para orientações de reduzir, reutilizar e reciclar o lixo e para fortalecer o aprendizado oferecido pela performance. A cartilha, com uma linguagem simples, traz os personagens do espetáculo como porta-voz de dicas de reutilização de lixo e informações de sustentabilidade, tanto de reflexão de comportamento pessoal, como nas indústrias, por meio da logística reversa.
Em cada escola e indústria por onde passar, o Relix também vai expor a Ciclolix, a bicicleta coletora, com resíduo reciclado limpo, que levará o espectador a conhecer, refletir e criar uma nova e adequada consciência sobre a lei do Aterro Sanitário, sobre a importância dos catadores de lixo, sobre a reciclagem, sobre a logística reversa e, sobretudo, a urgente necessidade de redução do lixo gerado por cada indivíduo. Cada instituição envolvida vai firmar um acordo de colaboração com a cooperativa de catadores mais próxima geograficamente para que o lixo tenha destinação adequada.
CICLOLIX - A Ciclolix é uma bicicleta coletora projetada para oferecer maior segurança e otimizar o trabalho do catador de lixo. O protótipo especialmente criado para o projeto foi idealizado junto que com os catadores que foram ouvidos sobre as melhores funcionalidades para a bike adaptada com carroceria. O modelo único no país tem capacidade para carregar até meia tonelada, amassadores de latinhas e garrafas PET, sinalização de segurança, estepe, tudo para facilitar o dia a dia e garantir a segurança do trabalhador. Além da humanização da jornada de trabalho dos catadores, a Ciclolix surge como uma contrapartida ao costume controverso e pouco recomendável da tração animal para coleta, ainda muito utilizada no perímetro urbano de Alagoas.
“A Ciclolix oferece mais dignidade a uma classe trabalhadora de fundamental importância para a sociedade e retira os animais das ruas. Além oferecer menor esforço físico e maior segurança para quem a conduz e para o trânsito, ela aumenta a autoestima do catador e contribui para a valorização da profissão” define Lina Rosa.
APOTEOSE - A turnê do Relix ocupa publicamente a Orla de Maceió, nas proximidades da Multieventos em 8 de janeiro. Durante a tarde haverá passeio ciclístico de 30 bicicletas pela região litorânea. E nem só no asfalto o Relix estará presente, muros passarão por intervenções urbanas e jangadas estarão sinalizadas para chamar atenção sobre o tema. Na arena será montada além do espetáculo a edição alagoana da exposição fotográfica Expolix, com 20 fotografias de Hélder Ferrer, resultado de um ensaio sobre o universo da reciclagem em banners fotográficos, presos às bicicletas Ciclolix, que abordam imagens da realidade profissional da coleta sob a ótica de valorização da autoestima da profissão. A mostra viva e itinerante, continua à disposição do público circulando pela cidade até o final do projeto.
DADOS DO LIXO - O mundo vive o alerta do consumo insustentável, o acúmulo do lixo produzido e a complexa questão do descarte adequado que cause menor dano. Reestruturar as iniciativas públicas e privadas para o equilíbrio do sistema torna-se uma questão global. No Brasil, a linha de chegada ao prazo final de fechamento de todos os lixões do Brasil e suas transformações em aterros sanitários, é uma das mais significativas ações para reconfigurar no país o debate sobre a questão do lixo como uma problemática social. A lei de Resíduos Sólidos determinava a extinção até agosto de 2014, mas uma emenda aprovada pelo Senado estabeleceu prorrogamento dos prazos entre 2018 e 2021, de acordo com município.
A palavra lixo tem origem no latim Lix (cinza), de uma época em que a maioria dos resíduos domésticos eram compostos por sobras da lenha, do carvão, das cinzas dos fogões e das lareiras. As cinzas, ou lixo, eram aproveitadas para fabricar sabão. Hoje, os componentes do lixo espalhados pelo mundo têm uma gama de cores tão vasta quanto o mal que causam. O cenário instalado é cinzento. Juntas, as cidades do planeta geram cerca de 1,3 bilhão de toneladas de lixo por ano. O Brasil produz 240 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente. Entre os países emergentes, lidera a lista dos que mais acumulam sucata eletrônica no mundo.
O Brasil ainda engatinha na difícil missão de fechar seus quase 3 mil lixões. A maioria das cidades não cumpriu o acordo, dentro da lei e no Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Baseado em 3 pilares: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-catador. O primeiro, como o próprio nome diz, pretende eliminar todos os depósitos a céu aberto e investir em parcerias com os estados e municípios para a construção dos aterros sanitários. O segundo foca na educação ambiental, na coleta seletiva e na reciclagem. O último, estrutura cooperativas para fazer do catador um elo forte entre o plano e as suas conquistas. Para se ter uma ideia, a cada mil brasileiros, um é catador.
"Associação Brasileira de Empresas de Limpeza (Abrelpe) A Abrelpe publicou em relatório com um panorama da situação dos resíduos sólidos no Brasil. Em 2010, 42,4% dos resíduos tinham destinação inadequada – lixões ou aterros controlados (meio termo entre os lixões e os aterros sanitários). Em 2014, essa porcentagem estava em 41,6% – uma melhora de apenas 0,8 ponto percentual. Ou seja, entre a aprovação da lei para acabar com os lixões e o fim do prazo, praticamente nada foi feito. Segundo o panorama da Abrelpe, um total de 1.559 municípios usam lixões a céu aberto. Se somar os aterros controlados, são mais de 3,3 mil municípios que não descartam seus resíduos de forma adequada (o Brasil tem cerca de 5,5 mil cidades)" apurou matéria da Revista Época
Em Alagoas, Lixões permanecem ativos em 16 municípios da região. Um aterro sanitário, no município de Olho D’água das Flores, região da Bacia leiteira de Alagoas, que deveria estar funcionando desde 2014, encontra-se fechado e sem uso. Apesar da obra de construção já ter recebido mais de R$ 3 milhões em recursos do governo federal, o projeto está atrasado há um ano. Enquanto isso, moradores da região sofrem com a presença de lixões a céu aberto. Até agosto de 2014, dos 102 municípios, apenas a capital conseguiu acabar com o lixão e criar um aterro, como previsto na lei."
Dados: Organics News Brasil/2015
SERVIÇO:
Projeto Relix
130 apresentações em escolas públicas, indústrias, teatro e espaço público de Alagoas
PERÍODO: A partir de 30 de novembro até fevereiro de 2017
Apoteose: Passeios ciclísticos com as Ciclolix, espetáculo na Orla, exposição fotográfica e cerimônia de doação das 30 bicicletas coletoras
Idealização de Lina Rosa e Sérgio Xavier
Patrocínio do Sesi Alagoas. Apoio institucional da Semarh - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Alagoas.
Fonte: Assessoria