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Dia de Campo da Palma celebra convênio entre Sebrae Alagoas e Seagri
Dentro da programação da 9ª Festa do Leite, Major Izidoro recebeu, na última sexta-feira (25), o 2º Seminário Alagoano da Palma Forrageira, como um Dia de Campo promovido pelo Sebrae em Alagoas e pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri). Além de ser um momento para troca de conhecimentos teóricos e práticos entre técnicos e produtores rurais, o evento marcou também o encerramento de um bem-sucedido convênio entre Sebrae e Seagri, marcado pela implantação da metodologia Balde Cheio.
As instituições desenvolvem trabalhos com a Bacia Leiteira alagoana há vários anos e possuem parcerias em diversas áreas de fomento ao agronegócio, porém, nos últimos três anos, essa metodologia, que consiste na oferta de consultorias técnicas e gerenciais para quase 400 pequenos produtores de leite, ajudou a aumentar a produção na região de 55 litros/dia para 81 litros/dia e triplicar o valor investido – cada um real dos R$ 1.200.000,00 investidos pelo Sebrae e pela Seagri ‘virou’ três reais em termos de produção, aumentando a rentabilidade dos produtores no mesmo espaço de terra.
E não só isso. As capacitações e consultorias gerenciais advindas do Balde Cheio ajudaram Alagoas a ter uma empresa de agronegócio reconhecida como a melhor gestão do Brasil, com a vitória da Fazenda Padre Cícero, em 2014, no Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas – MPE Brasil.
“O Zé Moreno, empresário dessa fazenda, hoje produz mais de 350 litros de leite por dia em uma propriedade de sete hectares. Quando ele começou no projeto, produzia de 70 a 90 litros por dia, e hoje já está partindo para os 500 litros. Tudo no mesmo espaço, com escassez de água devido às chuvas irregulares dos últimos anos. Esse projeto mostrou que é possível desenvolver a atividade de uma forma rentável e competitiva em pequenas propriedades”, aponta Marcos Fontes, gerente adjunto da Unidade de Agronegócios (UAGRO) do Sebrae em Alagoas.
Esse sucesso também foi aproveitado por outros dois vencedores estaduais do Prêmio MPE Brasil, que, mesmo antes da oficialização do convênio, já aproveitavam o trabalho conjunto entre Sebrae/AL e Seagri na proposta de capacitação e transferência de tecnologia para o pequeno produtor. A Fazenda Albuquerque e a Fazenda Boi de Carro foram vencedoras estaduais e finalistas nacionais do prêmio em 2012 e 2013, respectivamente.
“O Marcelo Pereira, da Fazenda Albuquerque, em Craíbas, venceu o prêmio no auge daquela seca de 2012, e chegou a dizer que nunca tinha produzido tanto leite e ganhado tanto dinheiro como naquele momento, enquanto outros produtores estavam perdendo rebanhos inteiros. São dados que demonstram o quanto vale a pena investir na capacitação e na orientação ao produtor rural”, completa Marcos.
Tais exemplos mostram como a produção de leite é uma atividade rentável, mesmo em pequenas propriedades, e que pode dar uma contribuição muito grande para o desenvolvimento de Alagoas, sobretudo na região do semiárido, onde é possível tirar vantagem da palma doce ou miúda, tipo de palma forrageira presente no estado e que tem salvado o trabalho dos produtores.
“É o sexto ano de seca que estamos enfrentando aqui no Sertão, e o que vem salvando os animais é justamente esse trabalho que o Governo do Estado vem desenvolvendo com o Sebrae, fazendo com que o pecuarista alagoano plante a palma e melhore sua produtividade com a tecnologia que o Sebrae está transferindo para ele dentro do Balde Cheio, especialmente com os Dias de Campo, palestras e cursos”, defende o secretário Álvaro Vasconcelos, titular da Seagri.
O reconhecimento também vem da parte dos produtores rurais, como afirmou de maneira efusiva André Ramalho, presidente da Câmara Setorial do Leite em Alagoas. “O Sebrae é o padrinho da cadeia produtiva do leite. Nunca fomos lá pedir algo para o benefício coletivo que não fosse atendido. É uma conquista de todos nós e dos parceiros que ajudaram a construir esse cenário no estado”, destaca.
Técnica e infraestrutura
De acordo com Hibernon Cavalcante Albuquerque, superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, as ações referentes ao gado leiteiro dão resposta a médio e longo prazo, não só com ações de capacitação, mas com infraestrutura, o que pôde ser viabilizado por meio do convênio.
Foi feita a distribuição de 50 tanques de armazenamento de leite com os devidos abrigos, compra e doação de quatro caminhões frigoríficos para a recepção de leite, distribuição de 25 mil doses de sêmen para melhoramento genético do rebanho e kits de ordenha higiênica, além de investimentos em capacitação e em torno de R$ 2.400.000,00 em assistência técnica, como elencou o superintendente.
“Nós começamos a observar os reflexos disso a partir de 2013, quando entre esse ano e 2014 o estado de Alagoas foi um dos poucos do país que registrou crescimento na produção de leite; tivemos um dos melhores resultados proporcionais do país. A meu ver, o programa mostra em números que foi totalmente exitoso, como provam os vários produtores que se destacaram no Prêmio MPE Brasil. Consideramos que foi um recurso público muito bem investido”, declara Hibernon.
De fato, a metodologia Balde Cheio tem dado tanto resultado que a Unidade de Agronegócios do Sebrae, ao lado da empresa que presta esse serviço, desenvolveu adaptações para outras culturas. “Temos o Favo Cheio para a apicultura, o Cordeiro de Peso para ovinocultura e o Arroba de Peso para caprinocultura de leite, avicultura, fruticultura e pecuária de corte”, explica Marcos Fontes.
As metodologias para avicultura e apicultura foram conduzidas como projeto piloto este ano, com uma turma pequena que tem demonstrado bons resultados, enquanto o Arroba de Peso será iniciado em 2017, como explicou o gerente adjunto da UAGRO.
Dia de Campo da Palma
O Dia de Campo em Major Izidoro veio como última atividade a ser realizada pelo convênio entre Sebrae e Seagri, que se encerra no próximo dia 31 de dezembro, com negociações para uma próxima etapa. A proposta foi difundir técnicas de produção de palma de forma a aumentar a produção, a produtividade e a rentabilidade dos produtores do semiárido alagoano.
O público foi constituído por produtores do entorno de Major Izidoro, Batalha e Cacimbinhas, técnicos do segmento, instituições de fomento à produção de leite e parceiros como Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Prefeitura Municipal de Major Izidoro.
A primeira palestra foi sobre ‘Produção da palma forrageira em Alagoas”, com o Professor Doutor José Teodorico de Araújo Filho, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que convidou os presentes a pensarem sobre o plantio da palma como cultura principal, e não apenas como complemento da criação de ovinos e caprinos, para que os pecuaristas pudessem aprender mais sobre a vegetação e tirar o máximo proveito do cultivo.
Completaram a programação teórica as palestras ‘Dietas a base de palma forrageira para bovinos de leite’, do Professor Doutor Airon Melo, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e ‘Tendências da bovinocultura de leite’, por Sidnei Bezerra, consultor da Fazenda Eficiente.
“A palma forrageira tem dois grandes nutrientes: água e energia. A palma é uma cisterna a céu aberto, que armazena água e leva esse principal nutriente para a vaca. A energia é o segundo nutriente que a vaca precisa para produzir leite. É uma cultura que tem alta adaptação para nossa região, que suporta longos períodos de estiagem e mesmo assim continua produzindo, diferente de qualquer outra cultura”, defende o professor Airon.
Já Sidnei trouxe ao seminário e Dia de Campo as ferramentas de tecnologias e de tecnificação utilizadas na bovinocultura, que passam por automação, robótica e mecanização, que vêm sendo trabalhadas no país como um todo. “A ideia é pegar o que se tem aqui e trazer novas técnicas de utilização, de manejo, de aumento de eficiência e produtividade para aumentar a renda do produtor”, explica.
Ainda segundo Sidnei Bezerra, Alagoas tem um diferencial em relação a todos os outros estados no Nordeste, que é a palma forrageira, conhecida como palma doce ou palma miúda. Mesmo com os últimos seis anos de seca, é o estado que teve menos impacto negativo na atividade leiteira se comparado aos outros, justamente por ter a palma forrageira na base alimentar dos rebanhos.
Daí a importância dos Dias de Campo, para potencializar os atributos dados pela natureza em prol do desenvolvimento do homem rural. A programação foi encerrada com uma visita técnica à Fazenda Mandacaru, para verificar in loco a aplicação das técnicas sobre o plantio de palma.
“Aliar teoria e prática é fundamental. A melhor forma de aprender é ver a coisa na prática. Há um tempo atrás, fizemos um curso sobre palma com 18 meses de duração, que tinha os momentos teóricos, mas também tinha as aulas no campo, após cada etapa, desde o preparo do solo até a colheita e ao fornecimento para os animais”, concluiu Marcos Fontes.
Fonte: Agência Sebrae Alagoas