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Sebrae alerta futuros prefeitos: 95% da economia está nos pequenos negócios
O melhor caminho para um administrador público, especialmente o que assumirá o destino de seu município a partir do próximo ano, é investir no potencial dos pequenos negócios. Isso porque, certamente, evitará uma fila de pessoas em busca de empregos em órgãos públicos, ora tão saturados de vagas. Além disso, praticamente todos os recursos aplicados e as riquezas produzidas gerarão emprego e renda, com dinheiro circulando nas cidades.
Essa foi a orientação dada por Luiz Henrique Cavalcanti, analista técnico da Unidade de Políticas Públicas (UPP) do Sebrae em Alagoas, durante o II Encontro Técnico das Escolas de Contas, promovido nessa segunda-feira (7). O evento foi coordenado pelo Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE/AL), voltado para o controle de gastos públicos com foco nos futuros prefeitos eleitos e reeleitos, além de vereadores e técnicos que assumirão as prefeituras alagoanas em 2017.
Luiz Henrique foi um dos painelistas do encontro, e falou sobre ‘A importância dos pequenos negócios para promover o desenvolvimento dos municípios’. Com essa perspectiva e sob o olhar atento dos futuros gestores, o analista do Sebrae destacou que “mais de 95% dos municípios em Alagoas são compostos por micro e pequenos negócios. É esse contingente que, fundamentalmente, é capaz de alavancar a economia dos municípios, e os prefeitos e gestores têm que enxergar esse potencial econômico como retorno para o próprio município, gerando emprego e renda, sobretudo neste momento de crise”.
Entre os principais tópicos citados por Luiz Henrique aos novos gestores estiveram a valorização da cultura local e a criação de laços entre os cidadãos do município. “Se os senhores investirem nos pequenos negócios, terão como retorno a retenção dos recursos no local, fazendo circular dinheiro naquela comunidade. Uma grande empresa, quando deixa de produzir em um município de pequeno ou médio porte, pode causar um abalo social, levando normalmente seu capital para outro lugar, porque as grandes corporações estão mais suscetíveis às mudanças em função da política econômica vigente”, alerta.
De acordo com o analista, os pequenos negócios garantem que a riqueza circule e fique no município, justamente por ser localizada, com pagamento de impostos e outros ganhos econômicos. “Se o prefeito tiver essa visão, o setor produtivo e o município saem ganhando, principalmente o povo”, completa.
O encontro contou com a presença de presidentes e conselheiros de Tribunais de Contas de vários estados, a exemplo do presidente do TCE de Sergipe, Clóvis Barbosa de Melo, e do conselheiro de Contas do Rio Grande do Norte, Antônio Gilberto Jales, que assumiram o painel ‘O Tribunal de Contas como instrumento da cidadania e as estratégias da boa governança’.
Outro tema abordado com os futuros prefeitos e vereadores de Alagoas foi ‘A observância aos princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal’, cujo painelista foi o diretor da Escola de Gestão e Controle do Piauí, Delane Carneiro da Cunha. Já o último painel tratou da ‘Importância do controle interno para as boas práticas de gestão e seus reflexos no contexto externo’, abordado por Luciano Chaves de Farias, diretor da Escola de Contas José Borba Pedreira, da Bahia.
Gestores atentos
Entre os futuros gestores e vereadores presentes, um dos mais atentos na plateia era o campeão de votos na última eleição a uma vaga na Câmara Municipal de Maceió, Anivaldo Luís da Silva, o fenômeno eleitoral “Lobão”, que teve a expressiva votação de 24.669 votos.
“Nós que estamos chegando agora temos que nos integrar e aprender um pouco de tudo para colocar em prática no dia a dia na Câmara Municipal. Estou aqui para conhecer melhor o meu futuro papel, pois, quanto mais a gente se informar, mais vamos evitar essa cultura de gasto desnecessário do dinheiro público e a corrupção”, ressalta Lobão.
Já o prefeito eleito de Palmeira dos Índios, Júlio César, também ratificou seu interesse em participar do encontro para ter mais conhecimento na hora de decidir como aplicar melhor os recursos públicos. “Todos sabemos que vamos assumir prefeituras com o país atravessando por uma crise ainda profunda, então, seriedade não é favor, é obrigação de todo gestor, porque certamente teremos que agir com austeridade em relação às contas públicas“, destaca César.
Fonte: Agência Sebrae Alagoas