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Especialista fala sobre o diagnóstico e prevenção do câncer de mama

24/10/2016
Especialista fala sobre o diagnóstico e prevenção do câncer de mama
Embora seja um tema difícil de tratar, falar abertamente sobre o câncer pode ajudar a esclarecer mitos e verdades e, com isso, auxiliar no enfrentamento da doença. Mas muitas pacientes, por medo ou desconhecimento, preferem não falar no assunto, e acabam atrasando o diagnóstico. Contudo, se identificado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade podem ser reduzidas, permitindo maior probabilidade de cura.
Segundo João Aderbal, oncologista da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o câncer de mama não tem uma alteração única. É uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente e outros, não. É o tipo mais comum, depois do câncer de pele, e também o que mais acomete as mulheres. “O diagnóstico positivo é sempre uma notícia impactante, mas é importante estar bem informado para conversar com a equipe médica sobre as opções de terapias disponíveis e mais apropriadas para o seu caso”, orientou. De acordo com ele, o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama é ser mulher, embora os homens também possam ter, mas isso é raro (apenas 1% dos casos). “Envelhecimento, fatores relacionado à vida reprodutiva da mulher, história familiar de câncer de mama, alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo da mama), são os mais bem conhecidos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Além desses, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo e exposição à radiação ionizante também são considerados agentes potenciais para o desenvolvimento do câncer”, listou ele, ao complementar que a idade continua sendo um dos mais importantes fatores de risco. “As taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos. Após essa idade, o aumento ocorre de forma mais lenta, o que reforça a participação dos hormônios femininos na etiologia da doença. Entretanto, o câncer de mama observado em mulheres mais jovens apresenta características clínicas e epidemiológicas bem diferentes das observadas em mulheres mais velhas”, explicou. A história familiar de câncer de mama também é um importante fator de risco para o surgimento da doença. Alterações em genes aumentam o risco de desenvolver câncer de mama. Ressalta-se, entretanto, que cerca de nove em cada dez casos de câncer de mama ocorrem em mulheres sem história familiar. Fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher também estão ligados ao risco de desenvolver esse tipo de tumor. A condição de a mulher gerar o primeiro filho e tê-lo após os 30 anos de idade contribui para aumento no risco do câncer de mama.   O câncer de mama pode ser prevenido? Não há como fazer a prevenção primária do câncer, que significa evitar que ele apareça. O que se pode fazer é o diagnóstico precoce da doença, que possibilita o aumento das chances de cura. Sendo assim, “hábitos saudáveis são aliados importantes e sua adoção é reconhecida como medida que colabora com a menor possibilidade de ocorrência do câncer, como praticar atividade física no mínimo três vezes por semana, ter uma alimentação saudável com manutenção do peso corporal e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e o contato com agentes químicos cancerígenos estão associados a uma diminuição de aproximadamente 30% do risco de desenvolver câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor”, orientou.   Como reconhecer os sintomas do câncer de mama? Segundo o oncologista da Sesau, o câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio de alguns sinais e sintomas. A principal manifestação da doença é o nódulo, fixo e geralmente indolor. O nódulo, conforme Aderbal, está presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Outros sinais e sintomas de alerta são: pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço; e saída de líquido anormal das mamas. Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém podem estar relacionados a doenças benignas da mama. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas, que significa conhecer o que é normal em seu corpo e quais as alterações consideradas suspeitas de câncer de mama, é fundamental para a detecção precoce dessa doença.   Avanço na Saúde Visando ampliar as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos a pacientes com câncer, a Sesau vem ampliando a estratégia através do Plano Estadual de Oncologia para que todos os usuários acometidos pela doença, inclusive as mulheres, conheçam os fatores de risco para o câncer de mama e os mais frequentes sinais e sintomas da enfermidade, a partir de um serviço de saúde qualificado para esclarecimento do diagnóstico. O Plano Estadual de Oncologia foi elaborado por técnicos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com base na portaria 140 do Ministério da Saúde (MS). Por meio do plano, as Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) terão que assegurar a realização de 500 consultas especializadas, 640 exames de ultrassom, 160 endoscopias, 240 colonoscopias e retossigmoidoscopias, além de 200 exames de anatomia patológica. De acordo com a titular da Sesau, Rozangela Wyszomirska, o Plano Estadual de Oncologia pretende assegurar uma assistência mais humanizada e eficiente aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) portadores de câncer. “Com a implantação do plano, cuja elaboração foi iniciada no ano passado, o atendimento aos portadores de câncer do Estado ganha mais eficiência, por meio de um fluxo bem definido”, pontuou.   Incidência de câncer no Brasil De acordo com dados do Instituto Nacional José Alencar Gomes da Silva (INCA), órgão específico do Ministério da Saúde, para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 casos novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. A maioria dos tumores de mama origina-se no epitélio ductal (cerca de 80%) e são conhecidos como carcinoma ductal invasivo. Entretanto, como o câncer de mama se caracteriza por ser um grupo heterogêneo da doença, existem ainda outros subtipos de carcinomas que podem ser diagnosticados, como o lobular, o tubular, o mucinoso, o medular, o micropapilar e o papilar. A mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos é a estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde no Brasil para o rastreamento do câncer de mama. Para as mulheres consideradas de risco elevado (alto risco) para câncer de mama (aquelas com história familiar de câncer em parentes de primeiro grau), recomenda-se acompanhamento clínico individualizado. Por isso, é muito importante o autoexame, uma vez que ele pode indicar alterações na mama e, muitas vezes, é o alerta para que as pacientes procurem pelo atendimento médico. Contudo, o autoexame não substitui a mamografia e nem a consulta ao mastologista. Ele é importante para que a mulher conheça o seu corpo.

Fonte: Marcel Vital/Ascom Sesau

Segundo Aderbal, as pacientes sintomáticas ou aquelas que apresentam alterações detectadas pelos exames de rotina devem ser submetidas a exames complementares – mamografia e ultrassonografia -, com a finalidade de estabelecer o diagnóstico. Outros exames, em situações especiais, podem ser utilizados, como ressonância magnética e cintilografia mamária. A certeza diagnóstica será obtida por meio da biópsia cirúrgica.

Tratamentos

Os tratamentos para o câncer de mama são cirúrgico, quimioterápico e radioterápico, dependendo do estágio da doença. Os principais tipos de cirurgias existentes são: mastectomia simples (consiste na retirada total da mama); mastectomia radical (consiste na extração total da mama junto com os linfonodos da axila; e setorectomia (consiste na retirada do tumor, com margem livre ao redor do mesmo, com ou sem a retirada dos linfonodos da axila). Além dessas, outras técnicas cirúrgicas podem ser necessárias em função das especificidades de cada caso.

De acordo com o oncologista da Sesau, a mama pode ser reconstruída no mesmo ato cirúrgico da retirada do tumor, mas também é possível aguardar o final do tratamento para isso. O tempo ideal deve ser avaliado pelo mastologista. Na maioria dos casos, as mulheres podem se beneficiar da cirurgia de reconstrução mamária.

“A chances de cura do câncer de mama podem chegar a 100% dos casos detectados na fase inicial. Quanto mais cedo ele for diagnosticado, melhores serão os resultados”, garante.