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Especialista em fertilidade humana ajuda casais que desejam ter filhos
O sonho de ter filhos faz parte da vida de quase todo casal. No mundo contemporâneo, porém, é cada vez mais frequente um “controle” no aumento da família. As mulheres, inseridas de vez no mercado de trabalho, estão adiando os planos da gravidez, o que desperta a atenção dos especialistas que trabalham com infertilidade, já que aproximadamente um em cada três casais tem dificuldade para engravidar, quando a mulher tem mais de 35 anos.
A médica alagoana Juliana Cotrim, especialista em Reprodução Humana, alerta para o fato, apontando dados no Brasil e no mundo. “Aos 30 anos de idade, uma mulher saudável tem 20% de chances de engravidar em cada ciclo, aos 40 as possibilidades diminuem para menos de 5%”, diz.
Segundo ela, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos entre pessoas que procuram ajuda de especialistas em fertilidade, aponta que 91% desejariam ter buscado apoio médico antes, para uma avaliação e possível início de tratamento para engravidar.
“Quando um casal nos procura, o primeiro passo é realizar uma análise clínica para só então proceder as investigações de infertilidade. Se a mulher tem abaixo de 35 anos, podemos aguardar até um ano, mas se for num faixa etária maior, é mais seguro esperar apenas seis meses”, explica a especialista, médica da Clínica Afeto, recém-inaugurada em Maceió.
Marido e mulher passam por avaliações a partir do momento que iniciam uma investigação sobre a fertilidade. “O fator que determina a infertilidade está presente em 40% dos homens e 60% nas mulheres. Por isso solicitamos uma série de exames como hemograma, glicemia, ultrassom. Ainda observamos como se dão os ciclos da mulher, se existe alguma irregularidade na ovulação”, destaca Juliana Cotrim.
Apesar da saúde da mulher ser prioritária no processo de avaliação, os homens também participam das investigações, principalmente com a solicitação de um espermograma. “Em alguns casos, encaminhamos o marido a um urologista, principalmente se for detectado alguma alteração ou nos casos em que se precisa fazer a reversão de uma vasectomia, por exemplo”, afirma a médica.
Após diagnosticada a causa da infertilidade, a médica informa que existem dois possíveis caminhos: tratamentos de baixa e de alta complexidade. “Geralmente os procedimentos mais simples envolvem o coito programado, acompanhado de ultrassonografias seriadas, com estimulação da ovulação através de medicamentos”, explica.
É um caminho que os médicos não costumam prolongar, no máximo por quatro meses, com uma taxa de sucesso entre 18% e 20%. “Além dos exames habituais, sempre solicito nesses casos de baixa complexidade, uma avaliação da reserva ovariana, ou seja, a contagem de folículos, principalmente em relação à idade da paciente. Quando encontramos acima de 10 folículos, dizemos que há bom potencial reprodutivo. Entre 3 e 4 folículos é um nível baixo e aí a estimulação precisa ser diferente”, acrescenta.
Já nos casos que envolvem alta complexidade, os caminhos são a inseminação artificial ou a fertilização in vitro. No primeiro procedimento, a paciente precisa ter trompas em boas condições, para em seguida iniciar a estimulação ovariana por meio de medicações. Na data da ovulação, procede-se a centrifugação do sêmen do marido, eliminando impurezas e deixando apenas os espermatozoides que têm mais condições.
“O procedimento tanto pode prosseguir como no coito programado, observando as ultrassonografias seriadas, quanto injetar os espermatozoides com um cateter, no útero da paciente, que seria a inseminação propriamente dita. Não dando certo nessas duas alternativas, passamos para a fertilização in vitro”, diz a médica.
Nestes casos, o procedimento é mediado por medicação, num período de oito a dez dias, com ultrassom seriada, onde se acompanha o desenvolvimento multifolicular. “Quanto mais óvulos melhor, pois isso permite a produção de mais embriões. A medida ideal do folículo é quando ele atinge de 16mm a 18mm, onde é feita a punção, em ambiente hospitalar, com sedação”, afirma.
Fonte: Contéudo Mescla