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Laticínio de São José da Tapera é reinaugurado após adequações
O Laticínio Dulac, que fica no povoado Marruá, no município de São José da Tapera, foi reinaugurado oficialmente na última terça-feira (11), após ter passado por um período de interdição determinado pelo Ministério Público Estadual (MPE/AL). Totalmente reformado, o pequeno laticínio passou a atender à legislação estadual, recebeu o certificado do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e, atualmente, já é considerado um caso de sucesso no Sertão alagoano.
A reestruturação do estabelecimento durou três meses e foi possível graças ao trabalho realizado pelo Sebrae em Alagoas e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/AL), por meio da Incubadora de Laticínios do Estado de Alagoas (Incla), que atuou na empresa após a Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco.
O Sebrae e o Senai/AL atuaram com orientações e consultorias para melhoria dos produtos do laticínio, do design e das instalações físicas, o que levou às reformas estruturais na fábrica para atender as regulamentações solicitadas no decreto de nº 8.681, de 23 de fevereiro de 2016, da Lei 1.283, no artigo que rege o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). Esta semana, o Laticínio Dulac voltou às atividades com capacidade ampliada de processamento, novos equipamentos, como caldeiras e tanque a vapor, e nova estrutura física.
Everaldo Machado Duarte, sócio-diretor do Laticínio Dulac, destacou as principais mudanças vistas na empresa após a reinauguração. “Com as novas adequações, mudou muita coisa na fábrica e, principalmente, na qualidade do nosso produto. A gente não tinha uma apresentação adequada dos queijos, já que não tínhamos uma marca registrada. Mudamos tudo. Antigamente, nós tínhamos somente um salão, que fica na entrada da cidade, e que agora serve como ponto de venda. Hoje, eu e meu irmão Enaldo temos uma indústria de queijo de verdade, que muito nos orgulha”, afirma o empresário.
Animado, Everaldo ressalta os próximos planos para a empresa e deixa um recado para outros empresários do ramo. “A ideia agora é aumentar a variedade de produtos autorizados para a venda. No momento, só podemos fabricar mussarela, mas pretendemos, no futuro, produzir queijo manteiga, a manteiga em si e queijo coalho. Queremos crescer ainda mais e ganhar mais mercado. É importante que todos saibam que o investimento para se readequar à lei vale a pena. O retorno é garantido”, conclui.
Francisco Fernandes, secretário de Agricultura de São José da Tapera, ressaltou que a reinauguração da fábrica pode ajudar a incentivar empresas de outras cadeias a buscarem atender às normas e, junto ao segmento do leite, trazer desenvolvimento para a região.
“Nós somos um município produtivo e trabalhamos a cadeia produtiva do leite em todos os nossos recantos. É uma satisfação muito grande poder contar com um laticínio totalmente regularizado, que passará a oferecer produtos com uma maior segurança no mercado. Esse também é um grande incentivo às outras cadeias produtivas trabalhadas aqui. A ideia é que eles se organizem cada vez mais e possam crescer juntos, gerando emprego, renda e mais qualidade de vida”, frisa o secretário.
André Sandes, fiscal da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), ainda lembrou que, caso Alagoas passe a aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), o Laticínio Dulac estará preparado para vender para outros estados do país.
“Essa é mais uma vitória de Alagoas. Eles tinham uma estrutura com várias não-conformidades, por isso precisou ser interditada. Os proprietários acreditaram na proposta dessa união de órgãos, como o Ministério Público, Adeal e Sistema S, e resolveram construir uma empresa que atende as normas sanitárias e ambientais. O resultado é uma fábrica de laticínios que atende a todas as normas e poderá colocar seus produtos em todos os lugares do Brasil. Esse caso de sucesso mostra que o Sertão é viável, mas é preciso que haja união de várias entidades que busquem alternativas ideais para a região”, explica André.
A atuação da Incla
A Incubadora de Laticínios do Estado de Alagoas (Incla) nasceu através do Convênio 20/2010, feito entre Sebrae e Senai. Desde 2010 até hoje, mais de 20 laticínios foram incubados e receberam consultorias necessárias para o processo de regularização. No Laticínio Dulac, a incubadora trabalhou com ajustes no fluxo dos processos e no que tange à documentação, como elaboração e atualização dos projetos arquitetônico, elétrico, hidrossanitário e ambiental.
O convênio permite que as duas instituições forneçam orientação para aquisição de equipamentos, treinamento dos funcionários, além de instruções relativas à elaboração de rótulos, logomarcas, participação em missões técnicas, implantação de programas de autocontrole, entre outros.
De acordo com Marcos Fontes, gerente adjunto da Unidade de Agronegócios (UAGRO) do Sebrae em Alagoas, o trabalho feito em conjunto com o Senai/AL tem permitido que os laticínios do estado se desenvolvam.
“Os laticínios alagoanos estão se profissionalizando e se tornando mais competitivos. Ao longo dos anos, trabalhando com o apoio à cadeia produtiva de leite e derivados, temos notado que os laticínios que saem da informalidade e se regularizam, invariavelmente, entram numa rota de crescimento. Mesmo tendo custos operacionais maiores e cumprindo com as obrigações legais, o que se observa é o crescimento das empresas e a melhoria das condições de vida de seus empresários. Além disso, essas fábricas passam a oferecer produtos com mais qualidade. Enfim, geram mais empregos e contribuem com o desenvolvimento de Alagoas”, pontua Marcos.
Fiscalização Preventiva Integrada
Segundo Alberto Fonseca, promotor do Ministério Público Estadual (MPE/AL) e coordenador da FPI do São Francisco, na etapa passada da fiscalização, o Laticínio Dulac havia sido interditado por não atender as mínimas condições de segurança alimentar e ambiental. Segundo o promotor, a fiscalização tem sido eficaz e tem permitido que os empresários mudem a realidade de seus negócios.
“Quando o proprietário busca parcerias com instituições como o Sebrae e o Senai, consegue tornar realidade o sonho de ter uma empresa que tem produtos feitos com excelência, assim como o Laticínio Dulac. Esse é o modelo de desenvolvimento sustentável que o povo alagoano merece. Todos os envolvidos estão de parabéns. A partir do momento em que o laticínio faz produtos com excelência, novas janelas de mercado são abertas. O Sertão e toda a bacia leiteira do estado de Alagoas merecem crescer e trabalhar com empreendimentos desse nível, o que fará com que a qualidade de vida da população melhore”, conclui Alberto.
Fonte: Agência Sebrae Alagoas