Geral

Exposição Mundaú retrata cotidiano do Pontal da Barra

01/09/2016
Exposição Mundaú retrata cotidiano do Pontal da Barra

Entre as 17 principais lagoas que banham o estado de Alagoas, a Mundaú é uma das maiores, mais cênicas e emblemáticas. Em suas margens vivem as comunidades de marisqueiros, que se dedicam ao paciente trabalho de extração do sururu, ingrediente ícone da cultura local em meio a ecossistemas formados por restingas e manguezais, onde as águas doces finalmente se entregam ao Atlântico, formando um pequeno paraíso natural dentro da cidade. Essa é a inspiração de uma exposição fotográfica da Galeria Gamma, que leva o nome da lagoa e é assinada pelo documentarista Roberto Fernandes.

“O trabalho começou há nove anos, quando entrei na fotografia, de forma despretensiosa. A paisagem do entorno da Mundaú marcou muito a minha infância: a luz incidindo na lagoa, os reflexos das árvores na água, a brisa e os barcos de pescadores… Então os registros começaram de uma maneira meio que lúdica, sem intenção de pesquisa”, conta o fotógrafo.  Com o tempo, Fernandes começou a se interessar pela cadeia do sururu, que guarda uma bela e forte conexão entre os moradores e a paisagem local. Dia após dia, eles tiram seu sustento da lagoa, mergulhando nos manguezais em uma espécie de garimpo rústico que começa às 4h da manhã.

O secretário de turismo de Maceió, Jair Galvão, afirma que a exposição chama atenção para o potencial natural, cultural e social do complexo lagunar Mundaú-Manguaba, mas também tira os marisqueiros da invisibilidade e evidencia alguns desafios das comunidades do entorno.  “A exposição do fotógrafo Roberto Fernandes valoriza a nossa privilegiada geografia urbana e desperta o imaginário de viajantes que desejam conhecer paisagens e experiências autênticas dentro de uma capital com natureza tão diversa”, comenta o secretário. “Além dos seus cenários surpreendentes, porém, a lagoa é fonte de renda para muitas famílias da cidade. Por isso, a região precisa ser preservada e valorizada, não só como atração natural, mas como patrimônio social”. ressalta.

Jair também explica que existe uma preocupação em reurbanizar os bairros lagunares e estruturar a cadeia produtiva do sururu, inspirado no conceito de cidades inclusivas e sustentáveis. “A ideia da Secretaria Municipal de Promoção do Turismo é promover condições mais adequadas para a extração e manipulação dos frutos da lagoa, gerando valor agregado para os produtos, novas formas de comercialização, melhoria de renda para a comunidade e projeção da gastronomia tradicional de Maceió. Essa estratégia irá criar também uma nova oportunidade no segmento do turismo comunitário, através de um roteiro que irá integrar o Centro Pesqueiro do Jaraguá e o Pontal da Barra, valorizando os sabores do mar e das lagoas e o modo de vida dos moradores locais.”, explica Jair Galvão.

Para isso, a Semptur está desde 2015 atuando na captação de recursos junto ao Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do Grupo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O objetivo do Fundo é aumentar o acesso a financiamento, mercados e capacidades e serviços básicos.  A aprovação final do projeto deve acontecer em outubro deste ano.

“O turismo é um dos principais vetores para escoamento dos produtos do Pontal da Barra. Essa cultura produtiva ligada à pesca e ao próprio sururu está enraizada na história de Maceió e deve ser valorizada e estimulada pelo poder público”, conclui Jair.

Serviço

A exposição está na Galeria Gama, de segunda a sexta, das 14h às 19h e no sábado das 9h às 13h, até dia 20 de setembro.

Endereço: Avenida Luís Ramalho de Castro, 899, Jatiúca. Maceió/AL.

Fonte: Ascom Semptur