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Assentamento em São Luís do Quitunde tem forte potencial para turismo rural

23/08/2016
Assentamento em São Luís do Quitunde tem forte potencial para turismo rural

Alagoas é conhecida no Brasil e em diversas partes do mundo pelo turismo de sol e mar. Mas o que muita gente não sabe é que o estado ainda tem outros tipos de turismo a serem desenvolvidos, como o histórico, o de base comunitária e o de experiência. E foi justamente visando analisar uma região com potencial para a exploração desses elementos que o Sebrae em Alagoas realizou, na última sexta-feira (19), uma visita técnica ao Assentamento Duas Barras II, no município de São Luís do Quitunde.

Durante a visita, um grupo de especialistas do Sebrae e diversos parceiros puderam conhecer o assentamento, a Cooperativa da Agricultura Familiar e Empreendedorismo Rural do Assentamento Duas Barras II (Cooperafer), e as culturas plantadas lá - como as ervas medicinais, couve, alface, banana, salsa, laranja, macaxeira e batata, bem como produtos beneficiados, como bolos e doces. A cooperativa já vende a produção em feiras no município e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Além disso, o grupo também conheceu duas trilhas ecológicas com riachos e pequenas quedas d’água, nas matas próximas ao assentamento, que agregam valor à região e a fazem ter um grande potencial para a exploração do turismo rural e de experiência, principalmente, aliados à produção agroecológica e a toda história de luta do povo daquele lugar.

Fátima Aguiar, gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial (UDT) do Sebrae em Alagoas, enfatizou que o trabalho da instituição no assentamento começou por meio do Arranjo Produtivo Local (APL) de Fitoterápicos, já que a região era conhecida pelo cultivo de plantas medicinais.

“A partir de um estudo feito sobre o cultivo dessas ervas, os especialistas do arranjo descobriram outras capacidades do grupo, como a produção agroecológica de hortaliças e frutas, além do turismo de base comunitária, que poderá ser trabalhado em breve. Nós começamos a capacitá-los em novembro do ano passado, e agora estamos trazendo consultores para sugerir como poderia ser essa proposta do turismo. E essa visita é um dos passos para que isso se transforme em um produto turístico”, explica Fátima.

Daniela Virtuoso, gestora do APL Turismo Costa dos Corais, lembrou o início do trabalho, que visava pensar alternativas para que os assentados vendessem não somente produtos in natura, mas também produtos beneficiados para a culinária. Para isso, os membros da cooperativa receberam cursos e oficinas do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater) e de órgãos do Sistema S, como o próprio Sebrae e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/AL). A gestora também ressaltou as opções para a diversificação das atividades em volta do assentamento.

Assentamento Duas Barras São Luiz do Quitunde.“Por meio dos cursos, a cooperativa começou a produzir bolos e doces de macaxeira, além dos doces de frutas regionais. Os cursos também auxiliaram na parte de comercialização, organização, higiene, diversificação de produtos e boas práticas de fabricação. Se o turismo de vivência e de base comunitária for implantado aqui, o turista poderá conhecer a região e ver como é a vida aqui, o plantio de laranja e de outras culturas. A partir dos levantamentos que o Sebrae fizer, será possível conhecer a viabilidade do negócio e, assim, estabelecer o produto turístico dentro dessa região”, destaca.

O APL Turismo Costa dos Corais ainda não contempla o município de São Luís do Quitunde, mas, dependendo do diagnóstico feito após a visita técnica, o município poderá ser incluído no território, já que tem potencialidades turísticas.

Expectativas

Um dos participantes da visita técnica, Mauro Coutinho, consultor do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), lembrou que o turismo de base comunitária não é mais uma tendência, é uma realidade que faz parte da mudança de perfil do setor. De acordo com o especialista, qualquer destino que consiga valorizar a comunidade local e os elementos produzidos por aquela comunidade tende a ser valorizado pelo turista.

“A oferta complementar daqui já está pronta. Os turistas chegam aqui, por algum atrativo específico, levam, consomem, veem, aprendem, compram os produtos locais. Aqui, tem uma produção local sem defensivos, uma produção agroecológica, que é algo muito valorizado. Temos aqui doces, frutas, legumes, verduras, artesanato, enfim, ofertas complementares que enriquecem a experiência do turista”, pontua.

Mauro lembrou ainda os benefícios que todo o contexto histórico e cultural e a oferta de produtos podem trazer para o assentamento. “Aqui, o turista pode comprar, consumir e melhorar a renda da comunidade. Temos alguns elementos que podem atrair o turista, como a boa alimentação e as trilhas, que, com uma boa estruturação, tornam-se um caminho interessante para atrair pessoas; a música e a poesia também são outros caminhos. Se tivermos 10 caminhos juntos, conseguiremos atrair turista para cá. Pode ser o turista aventureiro ou até mesmo famílias, que querem conhecer como é uma produção rural. A partir disso, podemos desenvolver os roteiros. A comunidade daqui está de parabéns pela união e pela força”, afirma.

Ao final da visita técnica, Renato Lobo, diretor-executivo do Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB), enfatizou quais os pontos que precisam ser mais elaborados para que o assentamento vire também um produto turístico.

“Ainda precisamos fazer alguns ajustes no que vimos aqui, como sinalizações adequadas nas trilhas, na entrada do assentamento e nas barracas, para que isso desperte ainda mais o interesse dos visitantes. Na parte técnica, ainda temos que fazer a identificação do território e tratar as questões geográficas, ambientais e legais. Acreditamos muito nessa iniciativa. Estão todos de parabéns e no caminho certo para fazer com que a gente saia desse modelo tradicional de turismo, no qual as pessoas não têm contato com a comunidade local”, finaliza.

De acordo com Vanilda Pereira, presidente da Cooperafer, transformar o assentamento em um lugar conhecido e visitado por turistas é um dos sonhos da comunidade. Segundo a agricultora, nascida no Sertão e que largou tudo em Maceió para viver mais perto da natureza, outra vontade sua é juntar ainda mais outras famílias que vivem nos arredores do assentamento.

“Diretamente, a cooperativa atende 25 famílias. Mas, no total, mais de 140 trabalham conosco. É uma realização ver toda a comunidade envolvida nesse sonho. Depois de conquistar a terra, a gente se organizou em cooperativa, em 2014, para trabalhar mais e viver no campo com qualidade, e acredito que o turismo de vivência pode nos ajudar a trazer mais gente para cá, para desenvolver ainda mais a região”, destaca Vanilda.

Ana Claudia Farias, consultora credenciada ao Sebrae em Alagoas, destacou que o turismo poderá fazer com que as pessoas compreendam a vida em um assentamento e se aproximem ainda mais da natureza. A consultora ainda lembrou que agências de turismo já buscam conhecer o trabalho desenvolvido na região.

“As pessoas só conhecem o viés do acampamento, mas não sabem como é após a conquista da terra, daquele espaço, onde eles produzem. A sociedade precisa voltar a ter mais experiências com a natureza. O mundo urbano afastou as pessoas da natureza e dessa forma simples de lidar com a vida. Já tem agências de Maceió interessadas em conhecer esse tipo de produto turístico. Estamos organizando visitas para que elas possam formatar o produto de acordo com seu público-alvo”, declara.

Também participaram da visita técnica representantes da Conab, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), da Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seagri) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Alagoas (OCB-Sescoop/AL).

Fonte: Agência Sebrae Alagoas