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Percentual de consumidores com conta em atraso e inadimplentes recua

10/08/2016
Percentual de consumidores com conta em atraso e inadimplentes recua
{ba651b1623ed5aa6ab7df480ba33849a}_img_6637_3072x2304x0Em conversa entre amigos, é comum ouvir um ou outro se queixando de dívidas ou confidenciando que estão no “vermelho”. A inflação e o consequente aumento no preço de produtos e serviços contribuem para elevar o endividamento. Em Maceió, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) demonstra que, em julho, o endividamento na capital cresceu 2,04%.
Mas há um fato positivo: apesar da elevação, o percentual de endividados com conta em atraso recuou 0,63% e, o de inadimplentes, 6,73%. “Para o comércio, as reduções destes percentuais são bons indicativos, pois ressaltam que os maceioenses voltaram a consumir via crédito, bem como estão pagando em dia e se livrando das dívidas, abrindo espaço no orçamento para novas aquisições”, avalia Felippe Rocha, assessor econômico da Fecomércio. De acordo com o especialista, este resultado pode ser explicado pela Pesquisa Mensal do Comércio de junho, divulgada ontem (09/08) pelo IBGE, segundo a qual o Volume de Vendas no Varejo em Alagoas subiu 0,2% entre maio e junho. Apesar de ser uma tímida elevação, o desempenho está acima da média do Brasil (0,1%) e reflete uma boa recuperação quando comparada ao mesmo período do ano passado, cujo desempenho tinha sido negativo em 6%. “Este acréscimo no volume de venda refletiu positivamente na receita nominal dos empresários do comércio em Alagoas, já que houve uma elevação de 5,2% em junho”, acrescenta Rocha. DESEMPENHO Os números da PEIC mensuram o endividamento e a inadimplência sobre o uso de cartões de crédito, de empréstimos pessoais, utilização de carnês de loja, financiamentos de automotores e habitação, tornando-se uma ferramenta importante para avaliar o desempenho do comércio e as condições dessa atividade econômica, uma vez que indicam, indiretamente, o retorno dos níveis de emprego e do investimento por parte das empresas dos setores do comércio, de serviços e da indústria. No levantamento de julho, 59,8% dos entrevistados se declararam endividados. Dentro desse universo, houve elevação de 1,3% entre os que disseram estar ‘muito endividado’ (24,3% contra 25,6% alcançados em junho). O percentual de consumidores que afirmaram estar ‘mais ou menos endividado’ também aumentou e registrou 17,3%, quase o mesmo percentual dos que disseram estar ‘pouco endividado’ (17%). “Vemos que, no último trimestre, apesar de ter ocorrido um aumento das pessoas endividadas, mas que pagam em dia, houve também acréscimo dos consumidores que estão ficando muito endividados, o que pode, se não for utilizado com cautela, trazer um retorno dos índices de inadimplência da capital”, analisa. A pesquisa sinaliza ainda que, apesar de ter ocorrido uma redução do número de inadimplentes e dos consumidores com contas em atraso, as famílias que possuem dívidas estão ficando cada vez mais endividadas e correm o risco de não mais honrar o compromisso financeiro em dia. Isso porque saltou de 24,9% (junho) para 29,3% (julho) o número de famílias que disseram ter condições de pagar apenas parte das dívidas. Assim como nos meses anteriores, a principal forma de endividamento é via utilização do cartão de crédito. Mas apesar de ser o preferido entre os consumidores, o uso do cartão tem sido reduzido mês a mês, o que significa que os consumidores da capital vêm buscando outras formas de financiamento. Em contrapartida, houve aumento na procura pelo crédito consignado, saiu de 4,10% (junho) para 4,70% (julho). “A queda no cartão de crédito decorre, provavelmente, dos altos juros cobrados nessa modalidade. Por outro lado, o aumento da busca pelo empréstimo consignado pode explicar a redução dos níveis de endividamento da capital, pois consumidores podem estar procurando esses recursos financeiros para pagar dívidas anteriores e saírem da inadimplência visando limpar o nome e adquirir novo crédito na economia”, estima Rocha. Atualmente, o tempo médio em que os consumidores da capital passam com dívidas em atraso é de 65 dias. Já o tempo médio de consumidores que preferem se manter com dívidas (parcelamento da compra) é de 6,1 meses com um comprometimento médio de 27,2% dos salários.
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