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Em reunião, MPE recebe representação e vai analisar lei que autoriza venda de terrenos em Arapiraca

10/08/2016
Em reunião, MPE recebe representação e vai analisar lei que autoriza venda de terrenos em Arapiraca

1A 4ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, que cuida da área da Probidade Administrativa, promoveu uma reunião, na manhã desta quarta-feira (10), com representantes do Poder Executivo, da Câmara Municipal e de partidos políticos. A intenção foi discutir e coletar informações sobre a lei que prevê a venda de terrenos de propriedade da Prefeitura daquela cidade. Na ocasião, o presidente do diretório municipal do PSDB, Rogério Teófilo, entregou ao Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) uma representação que aponta supostas irregularidades na referida lei. O documento será analisado.

A reunião foi conduzida pelo promotor de Justiça Napoleão Amaral Franco, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Arapiraca. Segundo ele, a lei, aprovada recentemente pela Câmara Municipal, prevê um leilão para venda de 17 terrenos e o dinheiro advindo dessa transação vai ser utilizado para despesas de capital, ou seja, deverá ser empregado em bens e serviços que possam ser agregados ao patrimônio público.

“Examinamos a lei e, juridicamente, não vimos ilegalidade. Entretanto, detectei que algumas dessas áreas não são dominicais. Em outras palavras, são seis terrenos que, num primeiro momento, parecem ser de interesse público, a exemplo de áreas verdes e finais de ruas. Se isso ficar confirmado, eles não poderão ir a leilão, haja vista que a legislação só permite a venda de áreas públicas que não tenham uma finalidade específica. Solicitamos a documentação desses terrenos à Prefeitura e estamos aguardando a resposta”, explicou.

Na ocasião, o promotor também deixou claro que, até então, não havia recebido qualquer representação apontando falhas ou irregularidades na lei aprovada. “Havia boatos de que o Ministério Público tinha sido provocado sobre o assunto, mas, quero esclarecer que isso não ocorreu. O que recebemos foi um ofício do Partido Progressista (PP) pedindo que o MP acompanhasse todo o processo, o que já estava sendo feito por nós e a prova disso é que suspeitamos que algumas áreas não poderiam ser alienadas e pedimos informações a respeito delas”, acrescentou ele.

Representação

Durante o encontro, que ocorreu na sala de audiências do Ministério Público de Arapiraca, o presidente do PSDB em Arapiraca, Rogério Teófilo, entregou uma representação à 4ª Promotoria de Justiça, onde aponta supostos vícios na lei nº 3.188/16, aprovada pela Câmara de Vereadores no último mês de julho. “Estudamos as normas vigentes e percebemos que a lei aprovada e já sancionada pelo Poder Executivo fere o Estatuto das Cidades, uma vez que não ocorreram os estudos de impacto de vizinha e ambiental, imprescindíveis à alienação de bens públicos. Também não existe justificativa para a aprovação da lei em caráter de urgência. Entendemos que ela foi editada sem planejamento e é por isso que estamos pedindo, a partir de agora, a intervenção do Ministério Público”, alegou Teófilo.

Entretanto, Victor Carvalho, procurador-geral do Município, defendeu a Prefeitura e disse que a lei seguiu todos os requisitos necessários. “São 17 áreas analisadas por técnicos capacitados e que apontaram os porquês de cada uma delas poder ser alienada. Além disso, a aprovação do projeto de lei seguiu os ritos previstos no ordenamento jurídico e obedeceu, na Câmara de Vereadores, o devido processo legislativo. E ainda é importante informar que a norma deixa clara a destinação dos recursos que serão conquistados com a venda dos terrenos. Tudo será destinado para despesas de capital, ou seja, para investimentos. A Prefeitura de Arapiraca precisa arcar com contrapartidas de projetos com aporte de recursos federais e a verba a ser adquirida por meio do leilão também se destinará para essa finalidade”, disse.

Victor Carvalho também comentou a respeito das áreas que estão sendo investigadas pela 4ª Promotoria de Justiça. “Se o MP assim recomendar e a Prefeitura entender, podemos retirar os cinco terremos do leilão. Não será necessário confronto com o Ministério Público. Depois, com mais alma, a gente volta discutir o assunto e analisa novamente cada uma dessas áreas”, disse ele.

E com o recebimento da representação, o promotor Napoleão Amaral Franco prometeu urgência na apreciação do caso. “Como o leilão está marcado para ocorrer na próxima segunda-feira, temos pressa em analisar os argumentos apresentados. Faremos isso com a urgência que o caso requer”, garantiu, acrescentando que, caso o leilão seja mesmo realizado no dia 15 e o Ministério Público aina não tiver se manifestado pela sua legalidade ou não, pode haver, via judicial, o pedido para a anulação do mesmo.

Fonte: Ascom MPE/AL