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Quilombolas conhecem tecnologias sociais e participam de intercâmbio

25/07/2016
Quilombolas conhecem tecnologias sociais e participam de intercâmbio
Quilombolas da comunidade Jacú, de Poço das Trincheiras, participaram, neste sábado (23), durante o Governo Presente, de oficinas práticas sobre tecnologias sociais sustentáveis e de intercâmbio para troca de experiências com um agricultor familiar do assentado no povoado de Poço Salgado, em Santana de Ipanema.

As oficinas, realizadas por meio de parceria entre o Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater-AL) e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hidrícos (Semarh), possibilitaram aos quilombolas conhecer as tecnologias de compostagem orgânica e de muretas de pedra.

Na sexta-feira, 22, o grupo já havia participado de palestra que abordou as duas tecnologias e outros princípios agroecológicos. Hoje, eles puderam construir de forma coletiva mais um nível da mureta de pedra, metodologia que consiste no empilhamento de pedras existentes na propriedade rural, evitando que a água da chuva corra com maior velocidade e possa danificar o plantio, além de permitir o controle da erosão do solo e o aumento das áreas para produção.

Outra prática agroecológica abordada foi a compostagem orgânica. A metodologia propõe a utilização de materiais vegetais que seriam descartados para produção de adubo orgânico, como pena de galinha, esterco animal, casca de ovo e resto de frutas e verduras por exemplo.

A gestora da cadeia produtiva de agroecologia e agroindústrias da Emater-AL, Maria da Guia Fonseca, explica que a prática, além de aproveitar materiais que iriam para o lixo, [tem uma grande importância para a nutrição das comunidades.

“A compostagem, com outras tecnologias como a de quintais produtivos, permite uma alimentação saudável para as famílias que as têm e, no caso da comunidade de Jacú, como eles se alimentam somente do que produzem isso interfere diretamente e positivamente para a nutrição das famílias. Além disso, o processo permite um enriquecimento e conservação maior do solo, o que é muito importante já que há em Alagoas 62 municípios que tem indícios de desertificação do solo. Tanto a compostagem, quanto a mureta de pedra, ajudam a reverter esse processo”, destaca a gestora.

Para o consultor e educador ambiental da Sermarh, Fernando Veras, as práticas têm a grande importância de melhorar a condição da terra. “A caatinga e todos os outros biomas sofrem pela degradação causada por uma agricultura que tira tudo do solo, mas não repõe. Hoje, nós aplicamos com os quilombolas, que tem uma carência enorme e também por isso dependem muito da sua terra, uma maior fertilidade para o solo, destinação de resíduos e isso gera melhoria para produção e rentabilidade para as famílias”.

O agricultor familiar quilombola José Vitorino dos Santos de 57 anos, que planta feijão, milho e coentro na comunidade Jacú, acredita que o trabalho vai ajudar na sua renda.

“Eu não vou precisar mais comprar feijão que é muito caro porque vou conseguir ter mais, trabalho desde os meus 10 anos e isso é uma coisa muito boa, vai ajudar muito, e a areia não vai mais carregar tudo”.

Troca de experiências

Após as oficinas com as tecnologias sociais, os quilombolas de Jacú, visitaram a propriedade do agricultor Osvaldo Jubileu da Silva e de Ana Cleide dos Santos Silva, que são marido e mulher. Em suas terras, está instalada a primeira mureta de pedra de Alagoas, que foi implantada há 12 anos com o casal que chegou na propriedade após vários outros agricultores recusarem as terras de assentamento.

O objetivo, segundo Graça Seixas, gerente de Ater da Emater, foi fazer com que os quilombolas vissem que é possível com o trabalho das muretas, tornar a terra ainda mais produtiva e fértil.

Osvaldo, que hoje planta feijão e milho na propriedade, diz que o importante é ter interesse e vontade. “Quando chegamos aqui essa propriedade era desconveniente, e hoje não é mais. Eu quando vejo que a terra tá fraca, eu tiro a lavoura e deixo o mato crescer pra depois cortar e fazer a cama no chão para apodrecer e virar adubo. Porque a terra dá de comer a gente e a gente tem que dar de comer à terra”, afirma o agricultor.

Fonte: Vinícius Rocha/Ascom Emater