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Fórum de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos inicia atividades em AL

25/05/2016
Fórum de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos inicia atividades em AL

As consequências e os efeitos da utilização dos agrotóxicos ainda são temas pouco debatidos na sociedade alagoana. Para pôr a temática em pauta de maneira permanente, foi realizada, nessa terça-feira (24), no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea/AL), a reunião de instalação do Fórum Alagoano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, unindo representantes de diversos órgãos competentes.

Na ocasião, foram discutidas questões inerentes ao cenário da utilização dos agrotóxicos em Alagoas e no país, bem como os riscos para a saúde dos agricultores e da população que consome os produtos contaminados. Além disso, também foi feita uma apresentação de trechos do documentário ‘O Veneno Está na Mesa’, que aborda a temática e mostra que o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo.

Os impactos da utilização de produtos químicos em plantações foram destacados por Pedro Serafim, presidente do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, que trouxe também vários dados e informações, como o monitoramento de agrotóxicos na água para consumo em alguns estados brasileiros. O presidente enfatizou a importância da criação do Fórum no estado.

“Esse é um problema mundial, e, no Brasil, acaba por atingir a base econômica, composta por algumas atividades do agronegócio. O nosso país é o que mais consome agrotóxicos, mesmo não sendo o que mais produz. Algumas culturas cresceram 90% em 10 anos, por exemplo, enquanto o consumo de agrotóxicos aumentou 180%. Não há uma relação quantitativa entre o uso e a produtividade. Tudo isso envolve uma cadeia que começa na indústria e vai até o descarte das embalagens, sem contar que afeta o meio ambiente e os recursos hídricos. É um tema que deve ser pensado também em Alagoas”, frisa Pedro.

Raquel Teixeira, procuradora da República, reforçou a relevância do debate e da cooperação dos diversos parceiros envolvidos no Fórum. “Esse é apenas o início de um trabalho árduo em Alagoas. O engajamento dos órgãos governamentais e da sociedade civil nessa causa é muito importante. A utilização dos agrotóxicos no Brasil é um tema preocupante. Além da nossa legislação ser bastante permissiva, quando se trata das quantidades e tipos aprovados para o uso no país, a utilização vai muito além do que é permitido por lei, o que acaba prejudicando a saúde do trabalhador e dos consumidores”, afirma a procuradora.

De acordo com Manoel Ramalho, analista da Unidade de Agronegócios (UAGRO) do Sebrae em Alagoas, a instituição poderá contribuir muito com o Fórum, já que trabalha, há alguns anos, a produção de alimentos orgânicos na horticultura e na fruticultura, dentro de projetos como os Arranjos Produtivos Locais (APL), com ações para a organização dos agricultores e consultorias tecnológicas que levam ao cultivo e à produção de orgânicos.

“Com essas ações e práticas diferentes repassadas aos produtores, o Sebrae acaba por estimular a diminuição dos impactos causados pela utilização de agrotóxicos, já que eles adotam uma série de medidas para tornar suas propriedades produtoras de alimentos orgânicos. Conscientizar a população não é uma tarefa simples. Além da contaminação da planta, há a contaminação do solo e a questão do descarte ideal das embalagens vazias. É um trabalho de longo e médio prazo, que será feito em parceria”, finaliza Manoel.

Fórum Alagoano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos

O Fórum, idealizado após a realização de etapas da Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (FPI do São Francisco), visa proporcionar em âmbito estadual o debate das questões relacionadas ao uso dos agrotóxicos e transgênicos, para criar ações integradas que ajudem a abordar a saúde dos produtores rurais, dos consumidores e do ambiente.

A composição do Fórum é formada por diversas entidades, entre elas: Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL), Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL), Crea/AL, Sebrae em Alagoas, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/AL), Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ministério Público do Trabalho (MPT/AL), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) e Instituto do Meio Ambiente (IMA).

Fonte: Agência Sebrae/AL