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Centrais de Tratamento viram alternativa para lixões em Alagoas

11/05/2016
Centrais de Tratamento viram alternativa para lixões em Alagoas

A falta de local adequado para descarte de resíduos é um problema cada vez maior para os municípios brasileiros. Em Alagoas, essa realidade não é diferente. Com apenas um aterro sanitário funcionando adequadamente, localizado na capital Maceió, as demais cidades alagoanas sofrem por não ter onde jogar o lixo produzido pela população.

E os municípios já vêm sofrendo as conseqüências disso. Há algumas semanas, Rio Largo foi notificado pelo Instituto de Meio Ambiente (IMA), que interditou administrativamente o local onde hoje existe um lixão. O motivo foi o choque entre uma ave e uma aeronave, uma vez que o município de Rio Largo situa-se próximo ao aeroporto Zumbi dos Palmares. Esta semana, foi a vez da prefeitura de Santana do Ipanema, município localizado no Sertão de Alagoas, ser multada em R$ 487 mil por manter um lixão a céu aberto. A irregularidade foi constatada pela Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco.

Os riscos provocados para a população pelos lixões são muitos, como doenças, fumaças tóxicas, proliferação de insetos, além da contaminação do ar, água e solo.

Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os municípios brasileiros têm a obrigação de destinar seus resíduos de forma correta. Mas com a falta de recursos para construir e gerir os aterros sanitários, muitos municípios encontram-se de mãos atadas.

Em Alagoas, a parceria público privada vem surgindo como uma alternativa. A primeira Central de Tratamento de Resíduos (CTR) foi construída e passou a funcionar em 2015 no município de Pilar, 25km de Maceió, atendendo cerca de 13 municípios. No início de abril o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), aprovou a licença prévia para a instalação da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Arapiraca, que vai atender todo o Agreste alagoano.

As Centrais de Tratamento possuem tecnologia e recursos para tratar os resíduos de forma adequada. Todo material que chega na Central é pesado, separado e levado às Células de tratamento, onde são cobertos com mantas impermeáveis, que evita a contaminação do ar e do solo, além do mau cheiro.

Segundo o engenheiro João Batista, especialista na área ambiental, o trabalho exercido nas Centrais de Tratamento é voltado ao cuidado com o meio ambiente e as regras exigidas por lei são respeitadas e fiscalizadas pelos órgãos ambientais. “É preciso que seja feito monitoramento constante no ar, no solo e na água, e a tecnologia existente hoje nas Centrais de Tratamento permite que o resíduo recebido seja tratado de forma adequada, sem contaminação e sem perigo para a população”, explica.

Keylle Lima, executivo do Grupo Alagoas Ambiental, que gerencia a CTR de Pilar, ressalta que o processo de licença para construção das Centrais de Tratamento é rígido e seguido a risca, o que muitas vezes inviabiliza a construção dos aterros nos municípios. “Existe uma grave crise acontecendo em nosso País, mas o Governo Federal diz que os municípios precisam construir e gerir seus aterros sanitários. Neste momento, isso acaba sendo inviável devido aos custos. Para encontrar uma saída adequada, os municípios recorrem as parcerias com o setor privado”, disse.

Para se ter uma idéia, somente o município de Arapiraca produz diariamente 540 toneladas de lixo. O aterro sanitário construído na cidade virou um lixão devido a falta de manutenção.

Com a chegada da central, os municípios poderão direcionar seus lixos evitando o descarte em lugares inapropriados e contribuindo assim com o meio ambiente.

Fonte: Luana Lamenha