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II Expomandioca movimenta agricultores da região Agreste de Alagoas
Durante essa quarta-feira (20), agricultores e empresários envolvidos com a cultura da mandioca puderam aproveitar o último dia da segunda edição da Expomandioca do Agreste, evento que teve o objetivo de promover e apresentar a multiplicidade dos produtos derivados da mandioca, bem como o desenvolvimento desse mercado. A programação do dia 20 contou com uma visita técnica à Fecularia do Agreste para o público conhecer, de perto, o trabalho feito pela Cooperativa Agropecuária de Campo Grande (Cooperagro).
Os participantes da Expomandioca puderam ver, durante a visita, o funcionamento do biodigestor e suas três represas utilizadas para o tratamento de efluentes, como a manipueira – líquido amarelado que sai da mandioca depois que ela é prensada, durante o processo de fabricação da farinha.
Durante a visita, Gelson Vieira, representante da Rastro Biodigestores, explicou que, além de tratar efluentes por meio da ação de microorganismos, o biodigestor também é uma fonte de biogás, que, em breve, poderá alimentar um gerador ou um aquecedor, fazendo com que a fecularia tenha sua própria fonte de energia, sem precisar de fontes externas.
“Para mim, é uma satisfação e um orgulho muito grandes fazer parte desse projeto, pois esse biodigestor é o primeiro feito para uma empresa de mandiocultura no Nordeste. Esse é um desafio que está ajudando a acabar com o problema de descarte de resíduo que a fecularia tinha antes, contribuindo para a geração de energia”, afirmou Gelson.
De acordo com Helder Lima, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, a Fecularia do Agreste de Alagoas poderá ser um exemplo para o Brasil.
“O trabalho feito pelos próprios produtores da fecularia é fabuloso. Esse é o primeiro biodigestor do Nordeste, sobretudo dentro de uma fecularia conduzida pela agricultura familiar. Isso mostra que as coisas podem, sim, dar certo aqui em Alagoas. Quando tudo ficar pronto, pode ter certeza de que esse será um caso de sucesso mostrado no país inteiro. Antes de trazer indústrias, é importante que possamos fomentar a agricultura familiar, que pode ser uma das grandes saídas do estado em meio à crise. Os agricultores da região estão de parabéns”, finalizou Helder Lima.
Seminário da Mandioca
Já na segunda parte da manhã, os participantes assistiram ao Seminário de Mandiocultura. A primeira palestra, ‘Como conquistar mercados mais seguros e rentáveis’, foi ministrada por Silvania Correia, consultora credenciada ao Sebrae em Alagoas. Na oportunidade, ela apresentou o atual cenário do mercado, como o gosto do público por alimentos derivados da mandioca, mas que sejam sem glúten e sem lactose.
“Já desenvolvemos um trabalho para fortalecer os mercados que esses produtores já alcançaram. É preciso prepará-los para alternativas inovadoras, mais seguras e rentáveis para que eles possam vender o ano inteiro, ser competitivos e ter a segurança para aumentar a oferta. Um dos mercados que está em alta é aquele que procura por alimentos saudáveis. Então, essa é uma boa opção para que eles possam apostar e investir”, frisou Silvania.
Ainda durante o seminário, Willams Lopes, analista da Unidade de Acesso a Mercados (UAM) do Sebrae em Alagoas, apresentou a palestra ‘Soluções de aproximação comercial do Sebrae’, na qual abordou as soluções oferecidas pelo Sebrae, como a Rede Nacional Comércio Brasil, com foco na prospecção de canais de comercialização e identificação de novas oportunidades de mercado para as micro e pequenas empresas, além das Rodadas de Negócio.
Câmara Setorial da Mandioca
No período da tarde, encerrando a II Expomandioca do Agreste, foi realizada a reunião da Câmara Setorial da Mandioca, com a participação de várias autoridades, entre elas, Helder Lima, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo; Álvaro Vasconcelos, secretário de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura; Elizeu Rêgo, superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Alagoas; Rafael Hermógenes, coordenador da Carteira de Mandiocultura do Sebrae Nacional; e Eloísio Lopes Junior, presidente da Câmara Setorial da Mandioca e da Cooperagro.
A reunião teve como pautas a comemoração do dia 22 de abril – considerado o Dia da Mandioca e o Aniversário do Descobrimento do Brasil –, o projeto Rede de Multiplicação e Transferência de Manivas-semente de Mandioca com Qualidade Genética e Fitossanitária (Projeto Reniva), trabalhado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf); e o funcionamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab.
“Os temas discutidos são fundamentais para a mandiocultura de Alagoas, pois tratam de uma pesquisa para melhoramento da raiz, o que vai ajudar a garantir a produtividade para a agricultura familiar, através da distribuição de mudas, e tratam da venda dos produtos da mandioca, feitos por associações e cooperativas que vão distribuir para o PAA”, concluiu Eloísio Junior.
A II Expomandioca do Agreste e o APL
Participaram do evento diversas empresas dos municípios envolvidos no Arranjo Produtivo Local (APL) Mandioca do Agreste, entre eles: Arapiraca, Craíbas, Campo Grande, Coité do Nóia, Feira Grande, Girau do Ponciano, Igaci, Junqueiro, Lagoa da Canoa, Limoeiro de Anadia, Olho D’Água Grande, Palmeira dos Índios, São Sebastião e Taquarana.
Ronaldo Moraes, diretor técnico do Sebrae em Alagoas, reforçou que a II Expomandioca do Agreste foi importante para a melhoria do ambiente e para o futuro desenvolvimento do setor da mandiocultura na região do Agreste.
“Esse ambiente criado no evento é bastante produtivo. É importante que os agricultores persistam nesse trabalho, já que as coisas estão avançando. Percebo que os produtores da região têm aproveitado muito bem toda a diversidade que a mandioca pode gerar em termos de produto. O principal intuito dos trabalhos feitos aqui é tornar o Agreste de Alagoas o maior polo beneficiador de mandioca do Nordeste. E, aos poucos, vamos chegar lá”, pontuou Ronaldo Moraes.
A II Expomandioca do Agreste Alagoano contou com a parceria do Sebrae em Alagoas, Conab, Codevasf, Embrapa, Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Agência de Fomento de Alagoas (Desenvolve), Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater), PAPL, Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura de Alagoas (Seagri), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), Cooperagro e Secretaria de Agricultura de Arapiraca.
Fonte: Agência Sebrae/AL
