Geral
Seminário de Grãos debate viabilidade da produção de milho e soja em Alagoas
Nesta segunda-feira (11), o foco do trabalho com cultivo de grãos no estado saiu um pouco do campo e foi para o auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), no bairro do Jaraguá, em Maceió. Lá, produtores rurais, integrantes do Programa de Incentivo à Produção de Grãos – entre eles, o Sebrae em Alagoas – e parceiros institucionais reuniram-se para discutir as perspectivas da produção de grãos no estado e a viabilidade de uma participação competitiva nos mercados nacional e internacional.
O I Seminário Alagoano de Produção de Grãos, promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri) e conduzido pelo Programa de Grãos, reuniu instituições de fomento, bancos, governos, técnicos, associações de classe e produtores rurais para ouvir de especialistas os resultados do plantio experimental de soja realizado em Alagoas, durante 2015, e os impactos econômicos que a produção de grãos pode trazer para o estado.
Essa diversificação de culturas é o grande objetivo da Comissão de Grãos – outro nome pelo qual é conhecido o Programa –, principalmente como alternativa econômica à produção de cana-de-açúcar em Alagoas, carro chefe da economia por séculos e que vem atravessando uma crise há alguns anos.
“Estamos todos juntos, procurando os caminhos dentro da agropecuária, porque nós, como técnicos, sabemos quais são as potencialidades de Alagoas de produzir grãos. O que precisamos, na verdade, é de apoio para poder cultivar e estar presente de forma competitiva no mercado brasileiro”, declarou Edilson Maia, produtor rural e vice-presidente da Faeal.
Como destacou o diretor técnico do Sebrae em Alagoas, Ronaldo Moraes, ao reforçar o apoio da instituição à diversificação de culturas, o trabalho com os grãos pode abrir caminho para novas cadeias produtivas no estado, como a criação de ovinos e suínos, alimentados por esses mesmos grãos. Para ele, este é o momento da virada.
“Essa é uma opção que já se mostrou bastante viável, e os produtores estão aderindo, agora é uma questão de estruturação da atividade. O Sebrae não tem ainda um projeto pronto para esse fim, mas tem contribuído pontualmente em ações necessárias. A nossa ideia é que, com o programa pioneiro Sebrae No Campo, tenhamos pessoas capacitadas para ajudar quem queira planejar a implantação da sua atividade e necessite de assistência técnica”, informou Ronaldo Moraes.
O diretor técnico do Sebrae explicou que o programa No Campo está sendo negociado com o Sebrae Nacional e deve ser lançado no próximo ano, quando todas as etapas de estruturação de proposta, contratação e capacitação de técnicos for finalizada. Dessa forma, os produtores rurais alagoanos poderão contar com mais uma ferramenta de assistência técnica, orientação no campo e capacitação.
Produção de grãos em Alagoas
Ao recepcionar os participantes do I Seminário Alagoano de Produção de Grãos, o secretário de Estado da Agricultura (Seagri), Álvaro Vasconcelos, disse que os agricultores alagoanos sabem da importância de iniciativas como essa para os seus negócios.
“A produção de milho e soja é uma realidade hoje no estado de Alagoas. É importante a decisão dos agricultores de diversificar sua produção, pois isso os ajuda a manter seu negócio, a gerar emprego e renda com os grãos. Diversificar a produção para que não passem a mesma dor que o produtor de cana está enfrentando, após cinco anos de seca”, estimulou Álvaro Machado.
Dados da Seagri mostram que em 2015, mesmo com poucas chuvas, os incentivos através do Programa de Grãos conseguiram quase triplicar a produção de milho em Alagoas, em relação a 2014, e 800 toneladas de soja foram colhidas em um plantio experimental nas regiões Agreste e no Norte do estado.
Essa soja foi quase toda exportada para a Europa, chamando atenção para outra vantagem estratégica que o grão possui em Alagoas, que é a facilidade de escoamento, como destacou o diretor superintendente do Sebrae em Alagoas, Marcos Vieira.
“Na semana passada, estivemos em Mato Grosso do Sul e vimos o crescimento do estado através da diversificação, onde a agricultura e agropecuária são muito fortes, como acontece aqui. Só que nós temos uma vantagem. Eles lá têm mais terra, mas nós temos logística. Temos proximidade do mar, portos e conexão com outros portos da região, além de um sistema viário eficiente. A logística nesse campo é muito importante: nós podemos exportar nossa produção com mais facilidade que o Mato Grosso do Sul”, incentivou Marcos Vieira.
O seminário
Para fortalecer essas ideias entre os agricultores alagoanos e tirar suas dúvidas, o seminário trouxe quatro palestrantes, todos engenheiros agrônomos e especialistas em suas áreas de atuação.
A abertura foi feita por Diógenes Brandalize, com o tema ‘Cultivo da soja – experiências práticas e desafios para estabilidade da produção no Estado de Alagoas’, que apresentou os resultados do plantio experimental e a verificação de técnicas e variedade do grão que melhor se aplicam ao terreno alagoano.
Em seguida, Flávio Jesus Wruckk, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), abordou ‘Integração lavoura-pecuária’, trazendo a experiência do Mato Grosso do Sul. À tarde, Matheus Rocha, da Dow Agroscience, abordou ‘Técnicas de plantios e manejo na cultura do milho’, sendo sucedido por Guilherme Bastos, da MultiGrain, com ‘Cenário da soja no Brasil e no Mundo’.
O seminário foi coordenado pelo Programa de Incentivo à Produção de Grãos do estado, comissão que reúne Governo do Estado, através da Seagri, Embrapa, Sebrae e outras 30 empresas de implementos, insumos e equipamentos agrícolas, instituições financeiras e universidades. Tem como meta diversificar a agricultura alagoana, apresentando as vantagens do investimento em milho e soja aos produtores rurais afetados pelas dificuldades do setor sucroenergético nos últimos anos.
Fonte: Agência Sebrae/AL