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Solenidade marca o lançamento do livro ‘Alagoas: A Herança Indígena’

07/04/2016
Solenidade marca o lançamento do livro ‘Alagoas: A Herança Indígena’

Os indígenas representam um dos elementos mais ricos da cultura alagoana: o povo. Para retratar o índio da época do descobrimento e o de hoje, além das influências e contribuições indígenas em Alagoas, os professores Douglas Apratto Tenório e Jairo Campos desenvolveram o livro ‘Alagoas – A Herança Indígena’. A obra foi lançada na noite dessa terça-feira (05), no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Jaraguá. A solenidade reuniu professores, doutores, pesquisadores, estudantes e grupos indígenas.

O livro é resultado de uma pesquisa que durou dois anos e ajudou a mapear a herança e cultura dos índios no estado, suas raízes, bem como os aspectos territoriais e religiosos das tribos alagoanas. Um dos principais objetivos de seus autores é fazer com que as próximas gerações tenham subsídios para conhecer melhor as diversas aldeias e etnias indígenas do estado para que, dessa forma, valorizem seus remanescentes.

A obra, editada pelo selo Editora da Universidade Estadual de Alagoas (EdUneal), com apoio cultural do Sebrae em Alagoas, conta com artigos de pesquisadores de instituições como a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), sediada em Arapiraca, e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Entre os autores de artigos estão os professores Clébio Araújo, Cosme Rogério Ferreira, Iraci Nobre da Silva, Jorge Luiz Gonzaga Vieira, José Adelson Lopes Peixoto, Maria Margarete de Paiva Silva, May Selma de Oliveira Ramalho, Thayan Correia da Silva e Siloé Amorim.

De acordo com Douglas Apratto, o livro ajuda no resgate da essência cultural, que contribui para pensar o futuro do estado, o empreendedorismo além de seus conceitos e o orgulho gerado a partir das raízes indígenas.

“O empreendedorismo anda de mãos dadas com a cultura. Os países mais desenvolvidos do mundo aproveitam muito o seu potencial através da essência de sua cultura, e nós temos que fazer o mesmo. Estamos às vésperas do bicentenário de Alagoas, e temos que ter orgulho da nossa história e de quem somos: alagoanos, brancos, negros e índios”, declarou um dos organizadores do livro.

Jairo Campos e Douglas Apratto também estiveram juntos na organização do livro ‘A Presença Negra em Alagoas’, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Uneal e do Sebrae em Alagoas.

“O resultado desse trabalho lançado hoje é uma demonstração de uma grande parceria interinstitucional, iniciada por uma pesquisa fomentada pela Fapeal, que acabou se desdobrando no livro. Agradeço também ao Sebrae por incentivar trabalhos como esse, que valorizam questões que envolvem a cultura e a história do nosso estado”, frisou Jairo Campos.

O professor também destacou o seu artigo no livro, que relata a experiência da formação da primeira turma de professores indígenas de Alagoas. O artigo traz um mapeamento de faixa etária, políticas públicas e o significado que essa formação tem para as melhorias de indicadores entre os povos indígenas.

Marcos Vieira, superintendente do Sebrae em Alagoas, ressaltou a importância da obra, sobretudo, no que tange ao trabalho da academia para resgatar uma das raízes mais fortes da cultura alagoana. O diretor também destacou as suas impressões ao ler o livro.

“Esse trabalho é um verdadeiro tesouro. A obra nos ajuda a refletir, por um lado, como os índios viviam em uma sociedade igualitária e começaram a ser destruídos; por outro lado, mostra que, mesmo com todo o massacre, desprezo e discriminação, eles resistiram e acabaram por formar a nossa cultura e a miscigenação que enriquece nosso estado”, destacou Marcos Vieira.

Apresentação Cultural

Durante o lançamento do livro ‘Alagoas – A Herança Indígena’, o público presente teve a oportunidade de assistir à apresentação feita pelo Grupo Toré Forte, da aldeia Wassu-Cocal, no município de Joaquim Gomes, Zona da Mata alagoana.

Durante a apresentação, os índios representaram o toré, uma dança exercida durante um ritual feito em momentos distintos na tribo, cujo significado e representatividade abrangem protestos, reivindicações, cultos e celebrações, como no caso do lançamento do livro, que fez alusão a um momento feliz e de realização.

Segundo Junior Wassu, um dos índios que participaram do ritual, o livro pode contribuir para que a sociedade alagoana enxergue o povo indígena inserido na cultura atual, mas sem perder suas próprias origens e identidades.

“Essa obra ajuda a valorizar ainda mais os povos indígenas do Nordeste. As pesquisas feitas para o livro retratam bem a realidade dos índios daqui, o que é bem diferente do que ensinam para a sociedade. Quando falam no povo indígena, a sociedade pensa logo no índio dos anos 1500, quando vivíamos da caça e pesca na mata, sem falar português. Hoje, vivemos uma realidade bem diferente. Mesmo com a chegada dos colonizadores naquele tempo e do extermínio da maioria dos povos indígenas, ainda resistimos e, atualmente, temos 12 etnias”, finalizou Junior Wassu.

Fonte: ASN/AL