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Dia do Artesão é celebrado com esforço, trabalho e paixão, pelos artistas da terra

18/03/2016
Dia do Artesão é celebrado com esforço, trabalho e paixão, pelos artistas da terra

há quase 15 anos e é autodidata, tendo desenvolvido seu estilo após um breve período como aprendiz num ateliê. Essas artesãs alagoanas são apenas exemplos da nova realidade desses artistas que se vêem agora em meio a uma nova realidade, a de manter as raízes rústicas e culturais de suas peças, porém, se adaptando às novas ferramentas de tecnologia da informação.

O Dia do Artesão celebra em 19 de março aqueles profissionais que transformam madeira, argila, linha, algodão, fibras e outras matérias primas em obras de arte e objetos que remontam à memória e à identidade dos brasileiros. Verdadeiros artistas, que comemoram em 2016 com um motivo todo especial, devido ao reconhecimento enquanto categoria trabalhadora, com s promulgação da fei federal nº 13.180, em 22 de outubro de 2015, que regulamentou a profissão.

Um avanço significativo onde a tradição anda lado a lado com a inovação e criatividade. Peças que conseguem unir a manufatura tradicional e a inovação de formatos e produtos, como o bordado filé das artesãs da Ilha de Santa Rita, por exemplo, que fazem as peças tradicionais de enxoval de casa, mas também atraem a atenção de estilistas renomados para suas coleções.

“É uma questão de identidade. Temos vários casos de estilistas, designers e grandes marcas voltando-se para o artesanato para reforçar a questão das raízes do povo, trazer esse conceito. Exatamente por toda essa modernidade que vemos no mundo, as pessoas estão se voltando para o artesanato, em busca de referências e do resgate de raízes”, destacou Petrúcia.

A vida moderna aprende com o artesanato, da mesma forma que os próprios artesãos aproveitam os benefícios da evolução do trabalho e das tecnologias. Petrúcia Lopes integra o Instituto Bordado Filé, que reúne as artesãs da tipologia na região de Marechal Deodoro. Ela aderiu ao grupo desde as primeiras reuniões, em 2009, e já aprendeu como utilizar a tecnologia a favor do fortalecimento do grupo.

“Eu estou em todas as redes sociais, tanto para uso pessoal quanto profissional. Quase todas as artesãs do grupo possuem um perfil no Facebook, ao menos para a divulgação do trabalho, e todas nós nos comunicamos por Whatsapp, seja para chamar para reuniões ou para esclarecer dúvidas sobre uma encomenda. As tecnologias vêm otimizando o tempo dos artesãos, agilizando o trabalho”, contou Petrúcia.

Embora a profissão carregue traços de hereditariedade, passando entre as famílias de geração para geração, Petrúcia Lopes, no entanto, não conseguiu conquistar seus filhos para o ofício, mas, ainda assim, carrega o orgulho de quem conquistou algo ainda mais importante através do artesanato: garantir o diploma de educação superior dos três.

“A minha mais velha e o meu rapaz gostam muito de matemática, são formados em Ciências Contábeis e Engenharia. Já a mais nova está cursando Direito, nenhum deles aprendeu a fazer o filé”, contou Petrúcia.

Molde e pintura com barro

Já a ceramista Maria Corá vai conseguir formar um discípulo. “Entre meus três filhos, o caçula, de 4 anos, demonstra interesse pelo meu trabalho, a argila, moldar. Eu não insisto com eles, realmente essa é uma atividade muito pessoal minha”, conta a artesã, que usa um espaço na casa como ateliê, permitindo balancear melhor o trabalho e a criação dos filhos.

Corá trabalha com argila e barro. Suas peças são bastante coloridas e com toques femininos, destacando a figura da mulher, tudo obtido através do barro colorido moldado ou com argila misturada com água para tinta. Algo muito particular e único, uma marca que a ceramista abraçou para si na dicotomia entre o rústico e o moderno, exclusividade versus quantidade.

“Do limão eu fiz uma limonada. Para algumas pessoas isso seria um grande problema, mas eu nado mesmo contra a maré. Quem conhece meu trabalho sabe e percebe que eu faço questão dessas peças únicas e de não fazer peças em escala industrial. Mesmo agora, que estou envolvida em um projeto grande, cada peça tem seu tempo e sua particularidade”, defendeu a artesã nascida em União dos Palmares, mas que hoje mora em Maceió.

Corá é um pouco mais resistente às tecnologias atuais. Agregando a energia manual para o molde à energia mental da dedicação e da criatividade utilizadas diariamente, o resultado acaba sendo a distância saudável de algumas ferramentas de informação.

“Tenho minhas redes sociais para uso pessoal e também para conhecer pessoas e trabalhos, mas tenho um limite, pois o trabalho consome muito. No fim do dia, com molde e queima, acabo sem disposição para essas redes”, disse Maria Corá, que aproveita as oportunidades tradicionais para ampliar as vendas, como foi com a inserção no Projeto Brasil Original, do Sebrae em Alagoas, um termômetro para sentir onde suas peças poderiam chegar. “Em 2015, participei de uma feira pelo Brasil Original e tive minha primeira experiência com grandes vendas, comercializando 80% das peças. Daí eu vi que poderia mesmo ir longe”, finalizou.

Semana do Artesão

É para chamar atenção para esses trabalhadores e a arte contida em suas peças, prestando a homenagem que lhes é devida, que o Sebrae em Alagoas integrou a organização da Semana do Artesão, ao lado da Braskem e do Governo de Alagoas, através das secretarias do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), da Comunicação (Secom) e da Cultura (Secult).

De 17 a 22 de março, no Memorial à República, exposição, atrações culturais, praça de alimentação com food trucks e presença da loja itinerante do ‘Alagoas à Mão’ vão atrair moradores e turistas para conhecer e adquirir as principais tipologias do artesanato alagoano, ajudando a divulgar o trabalho de artesãos da terra. Eles também terão direito a programação própria, com palestra e oficinas específicas para aprimorar o trabalho com filé, bilro e cerâmica.

Vanessa Fagá, gerente da Unidade de Comércio e Serviços (UCS) do Sebrae em Alagoas, destacou a importância de se prestar homenagem aos artesãos em seu dia e ajudar a divulgar o seu trabalho para o público, através da exposição que conta com produtos de mais de 20 artistas, grupos e mestres artesãos, com o melhor do artesanato tradicional alagoano.

“Através desse evento poderemos mostrar ao público alagoano toda a riqueza das tipologias do artesanato alagoano na exposição e, principalmente, reconhecer, parabeniza-los e dar visibilidade para o trabalho deles. Não adianta a gente ter tanta beleza e elas serem conhecidas apenas no município de origem. Muitas vezes o próprio alagoano não conhece e não tem a oportunidade de ver e visitar. A Semana do Artesão cria essa possibilidade”, concluiu Vanessa Fagá.