Audiência Pública realizada hoje (01) pela Comissão de Saúde, Higiene e Bem Estar da Câmara Municipal de Maceió expôs as dificuldades enfrentadas pelo Hospital Escola Hélvio Auto, referência em doenças infectocontagiosas no Estado. Estiveram presentes os vereadores Luiz Carlos Santana (DEM) e Heloísa Helena (Rede), que comandou a sessão e preside a comissão. A mesa de honra foi composta pela diretora médica da unidade, Maria Rosileide Alves, e a diretora geral, Luciana Pacheco, além do infectologista Celso Tavares. A diretora médica ressaltou a importância do papel da unidade na assistência à população e pediu aos gestores públicos sensibilidade. “Somos referência em urgência nas doenças infectocontagiosas, mas também em casos de picadas de animais, como o escorpião, e doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou Maria Rosineide. Ela alertou ainda que dos 101 leitos do hospital, apenas 56 estão ativos atualmente. E chamou a atenção para o fato do país inteiro estar vivendo uma epidemia de dengue, zika vírus e chikungunya. “Que esta audiência sirva de esclarecimento para a sociedade e que surjam soluções de melhorias”, disse. O infectologista Celso Tavares assumiu um tom ainda mais crítico e, por vezes, de revolta durante suas falas. “A maioria das secretarias municipais são virtuais, não existem, não funcionam. Então, nós temos uma situação grave. Estamos vivendo uma situação catastrófica em Alagoas, onde até mesmo a qualidade da água é péssima e temos escassez de infectologistas”, alertou. Tavares defende não apenas mais investimentos e mais atenção ao Hospital Hélvio Auto, mas também uma ação de revalorização da unidade que envolva usuários, gestores públicos e seus servidores. “O governo precisa fazer o que deve ser feito. Precisa colocar aquela unidade para funcionar!”, observou. A vereadora Heloísa Helena classificou como ‘angustiante’ e ‘triste’ a assistência que o hospital consegue dar à população, principalmente à mais vulnerável. “Estamos aqui nesta Casa mais uma vez discutindo o óbvio e isso é um absurdo! Está em todos os manuais! O quadro do hospital é dramático. É preciso que o Hospital Hélvio Auto se preste àquilo que só ele pode fazer, àquilo que é sua especialidade. O que vemos hoje é menos leitos e menos recursos e isso é inconcebível para um hospital que é referência”, argumentou. Já o vereador Luiz Carlos, que também é integrante da Comissão de Saúde, lamentou que justamente em um momento de epidemia e de retorno de várias doenças, como a sífilis, a unidade esteja tão fragilizada. “Vamos buscar soluções e esta Casa, através desta Comissão, está aberta a todos que queiram encontrar saídas”, concluiu.