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Sesau alerta sobre a importância de preservativos no Carnaval
06/02/2016
Pais muito jovens
Hoje, dos 10 amigos que pularam às festas carnavalescas junto a Flávio, seis já são pais. Ele e sua parceira sabem do risco que correm sem o uso do preservativo, mas preferem arriscar. “A gente vive em cima de uma probabilidade, mas como nos conhecemos desde a infância, acho que não existe nenhum problema, ela confia em mim, e eu, nela”, garante. Com o estudante de biomedicina Nilton Bomfim, de 41 anos, a situação foi diferente. A família do interior, muito tradicional, ficava assustada só de pensar em qualquer abordagem relacionada ao sexo. Aos 11 anos, Nilton foi procurar, sozinho, em livros, tudo sobre o assunto. E, depois, com a orientação dos professores e dos amigos da escola, ele descobriu a importância da camisinha. “O preservativo, para mim, era algo estranho. Quando não se tem o hábito de falar sobre isso com mais fluidez, com mais delicadeza dentro de casa, a conversa se torna muito difícil”, reconhece Bomfim, que está num relacionamento há 2 anos. “Não podemos negar que a conversa sobre sexo com o adolescente é ainda mais suscetível, por toda a imaturidade, até do próprio corpo, que ainda está em desenvolvimento. Se a escola e, principalmente, a família incorporar a educação sexual de maneira corajosa, teremos, sim, uma sociedade na luta contra as DSTs”, acredita Mona Lisa. No Carnaval, sobretudo, o estoque de camisinhas na casa do estudante aumenta, a fim de garantir uma festa segura, divertida e sem neuras. “Hoje, eu acho normal, é uma coisa tão rotineira, que já é automático”, diz. “Alguns amigos meus acham que é diferente, é estranho, mas eu não acho.” “O que eu percebi ao longo dos anos é que, se você oferece a camisinha para uma pessoa entre 45 a 55 anos, é porque ‘pulou a cerca’. Ou então: está com alguma DST. Quando há confiança e respeito entre o casal não acontece esse tipo de neura; aí, a pessoa nem vai estranhar”, completa Nilton Bomfim. Já a coordenadora estadual do Programa de Combate às DSTs e Aids, Mona Lisa Santos ressalta, ainda, que os jovens são os que mais se preocupam com o uso do preservativo hoje em dia, pois é um grupo que não vivenciou a entrada do vírus HIV no mundo. “Eles não vivenciaram uma época em que não tinha remédios nem retrovirais, e as pessoas que adquiriam o HIV morriam rápido. E a imagem que ficava das pessoas doentes, emagrecidas, consumidas, assustava muito, na época. O jovem teve de se readaptar, de maneira acelerada, ao uso do preservativo. Elas estão mais acostumadas, entendem mais. No entanto, a liberdade sexual desse público cresceu, o que preocupa”, explica a coordenadora. Mona Lisa reforça que uma pessoa pode estar com uma doença sexualmente transmissível, não apresentar sintomas e, mesmo assim, passar para outra pessoa. Por isso, os testes são fundamentais. O fato é que o problema muitas vezes vem de onde menos imagina como do parceiro de sempre, por exemplo. Não bastasse o fato de muitas DSTs serem assintomáticas, as mulheres ainda têm o órgão sexual interno, o que pode tornar mais difícil para elas perceberem alguma alteração.45% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO USA CAMISINHA
Conforme dados da Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP), divulgada em janeiro do ano passado, 94% dos brasileiros afirmaram que a camisinha é a melhor forma de prevenção às DSTs e Aids. Mesmo assim, 45% da população sexualmente ativa no país não usava preservativo nas relações casuais nos últimos meses. Realizada em 2013, a pesquisa entrevistou 12 mil pessoas na faixa etária de 15 a 64 anos, por amostra representativa da população brasileira. Quando comparado a pesquisas anteriores, o resultado mostrou que o uso do preservativo na última relação sexual, ocorrida nos últimos doze meses, se manteve estável: 52% em 2004, 47% em 2008 e 55% em 2013. Além disso, houve um crescimento significativo de pessoas que relataram ter tido mais de 10 parceiros sexuais na vida. Esse percentual subiu de 19%, para 26% em 2008, chegando a 44% no ano de 2013. “O problema é antigo, apesar de a prevenção ser muito simples”, reforça Celso Tavares. “Usar camisinha em todas as situações é imprescindível: no sexo oral, vaginal e anal. A prevenção ainda é o melhor remédio contra às DSTs e Aids”.Últimas notícias
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