A criatividade, a preocupação com o meio ambiente e o bem-estar social são a marca dos cinco projetos vencedores da terceira edição da Feira de Ciências do Estado de Alagoas (Feceal), iniciativa da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) que visa divulgar e incentivar a produção científica das escolas da rede pública estadual. A premiação está prevista para quarta-feira (23), às 9h, no Salão Aquatune do Palácio República dos Palmares. A Escola Estadual Ana Lins, de São Miguel dos Campos, conquistou o primeiro lugar da competição com projeto sobre um protótipo de mão biônica e ainda teve outra pesquisa sua sobre aceleração do processo de decomposição de sacolas, que ficou em quinto lugar. Reconhecido nacionalmente, tendo inclusive já participado de feiras científicas em Minas Gerais e Pernambuco, o projeto de mão biônica, desenvolvido pelos estudantes Clécio Soares e Steffane Graziela da Silva, sob a orientação do professor Diogo Tiago dos Santos, surgiu a partir de kits Lego para robótica, tendo capacidade de suportar até 10 kg. “A proposta é desenvolver uma peça com valor acessível e com possibilidade de utilização na produção industrial, evitando exposição da mão humana e minimizando ainda riscos de acidentes”, explicou o professor Diogo. O diretor da escola, Charles Valença, fala que o projeto está em evolução, recebendo melhorias a todo instante. “Um sensor de movimento da mão biônica já foi introduzido no protótipo, além de ter sido feita uma estrutura que é acoplada no braço de uma pessoa que tenha sofrido amputação”, conta. Valença também comemora a premiação do outro projeto da escola na feira, que promete reduzir para meses o processo de decomposição de sacolas plásticas. O segredo para apressar a decomposição, contam os alunos Cristiano da Silva Pereira e Fernanda da Rocha, está na mistura de um fungo presente em fermentos de massa, água e terra. “Este trabalho também está em fase de aprimoramentos e acreditamos será um divisor de águas na pesquisa científica das escolas estaduais”, aposta o diretor. Empreendedorismo
Quem também celebra dupla premiação na Feceal é a professora de Química Tatiane Omena. Ela orientou as pesquisas sobre produção artesanal de iogurte de goiaba a partir de leites tipos A e C, pela Escola Estadual Marcos Antônio, no Benedito Bentes (2º lugar) e o trabalho sobre construção de destilador artesanal para a produção de etanol a partir do mel de abelhas, desenvolvido com alunos da Escola Francisco Leão, de Rio Largo, que obteve o 4º lugar. “Fiquei muito feliz com o resultado. A feira contou com trabalhos de alto nível e os alunos das duas escolas se empenharam muito para a pesquisa”, avalia. Em relação ao projeto do iogurte, desenvolvido com estudantes do curso técnico de Análises Químicas da escola, a professora destaca o caráter empreendedor. Junto ao produto – que aposta em um sabor de iogurte que não é comercializado nas redes varejistas – os alunos criaram uma empresa e uma identidade visual para a marca. As primeiras amostras foram testadas, provadas e aprovadas pelos nossos colegas e professores. Ou seja, tudo feito na própria escola. Tatiane revela os planos para o projeto em 2016. “Pretendemos montar uma incubadora, aprimorar a pesquisa do iogurte, bem como desenvolver outros produtos alimentícios. Tudo feito com uma base científica sólida e incentivando o espírito empreendedor do estudante”, informa.