O geógrafo Fernando Antonio da Silva, egresso da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), ministrou palestra sobre “Políticas de transferência de renda na perspectiva da Geografia: o Programa Bolsa Família em debate”. O trabalho deriva da sua tese de Doutorado, em andamento no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo. A atividade foi voltada aos alunos dos terceiros anos dos cursos de Eletroeletrônica e Mecatrônica no Colégio Técnico de Campinas (Cotuca). A iniciativa foi promovida pelo Observatório da Mídia e Atualidades, projeto do Departamento de Humanidades da Unicamp. O professor André Pasti, organizador da atividade, explica que a proposta era trazer para os alunos uma reflexão acadêmica e aprofundada sobre o tema, a partir da ciência geográfica. Além disso, ele lembra que “há alunos realizando pesquisas de iniciação científica tratando dessa temática, e é importante que tenham referências com base em bons trabalhos de pesquisa”. De acordo com a estudante Júlia Machado, do curso técnico de Eletroeletrônica, “a pesquisa do Fernando, que é muito abrangente e completa, nos fez enxergar que ainda há muito a ser estudado, o que também nos motivou a dar continuidade à pesquisa”. O professor José Henrique de Vasconcelos avaliou a apresentação do geógrafo como muito interessante e esclarecedora. “De forma muito didática e acompanhada de vários levantamentos estatísticos, ele fez um rápido histórico de projetos e políticas sociais de Estado no Brasil – fazendo também alguns comparativos com tentativas semelhantes em outras nações”. Segundo Henrique, “de forma apartidária, ele demonstrou a evolução destas ações sociais por diferentes governos nacionais, analisando, sobretudo, os impactos benéficos do atual Bolsa Família na erradicação da miséria e no aquecimento econômico de municípios pobres e esquecidos do Sertão nordestino e de outras localidades do território brasileiro”. O palestrante Fernando Silva avalia que experiências como essa trazem lições aos pesquisadores, no sentido de buscar formas e termos adequados ao público das escolas. Mas, segundo ele, os alunos do Cotuca o surpreenderam. “Eles demonstraram capacidade crítica na compreensão da minha exposição e levantaram perguntas importantes no debate que fizemos depois, não apenas as perguntas recorrentes na grande mídia. Além disso, foi bastante rico o diálogo que pude ter com alunos que me procuraram após o debate”. Exemplo - O coordenador do Grupo de Estudos Territoriais (Geterri), professor Reinaldo Sousa, é só elogios ao pesquisador Fernando Silva. "Ele é um grande exemplo de geógrafo e já se destacava na análise crítica da sociedade, do território e dos seus usos desde a graduação. Não fiquei surpreso ao vê-lo destacar-se na comunidade científica. No fundo, eu sabia que era apenas uma questão de tempo. O resultado está aí: cursa Doutorado numa das grandes instituições de ensino do país, a Unicamp, e começa a ser notícia na Região Concentrada, como nos referimos ao Sul e Sudeste. Suas pesquisas tratam das Políticas de Transferência de Renda, em especial sobre o Programa Bolsa Família aqui em Alagoas", explicou. O professor foi além, ao tratar da importância do engajamento de estudantes em grupos de pesquisa. "Acredito que esse é o papel do grupo e o nosso, como formadores. Incentivar ações como esta só contribui para a consolidação dos nossos grupos de pesquisa, uma vez que estes profissionais acabam sendo testemunhos de que a participação durante a graduação pode fazer a diferença", disse. Geterri - O Grupo de Estudos Territoriais foi criado em 2010, já sob coordenação do professor Reinaldo Sousa, atual pró-reitor de Extensão da Uneal. Os integrantes se reúnem semanalmente para discutir questões ligadas ao uso do território em Alagoas e no Brasil. "Aconselhamos os demais acadêmicos da nossa universidade que busquem uma inserção em algum grupo de pesquisa/estudos, pois isso faz toda diferença. Parabéns ao Fernando. Parabéns ao Geterri e, sobretudo, parabéns à Uneal", finalizou Reinaldo Sousa.