Esporte
Partida beneficente marca reencontro dos jogadores Zico e Jacozinho
Há 31 anos, o ex-jogador Zico, ídolo do Flamengo, do futebol brasileiro e de todos os clubes pelos quais passou mundo afora, retornava ao Brasil, após passagem pela Udinese, da Itália. Para celebrar seu retorno, o craque promoveu, no Maracanã, a partida de seu time, o Flamengo, contra um combinado chamado de ‘Amigos de Zico’, que contava com jogadores consagrados como Falcão, Karl-Heinz Rummenigge, Toninho Cerezo e o argentino Maradona. O que ninguém esperava é que um jogador do CSA roubaria a cena com um golaço. O seu nome era Jacozinho. Revivendo um pouco daquele jogo épico, o Estádio Rei Pelé, em Maceió, recebeu, no último sábado (27), ‘O Reencontro, promovendo a paz e a solidariedade’.
Além de fazer o torcedor relembrar aquele jogo e promover a cultura de paz nos estádios, a partida também serviu para angariar fundos para Jacozinho, que atualmente passa por dificuldades financeiras, e para arrecadar alimentos para instituições como a Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas (Apala), Igreja Evangélica de Jesus Cristo Ministério Ágape, Lar Marcolina Magalhães e Lar Luiza de Marilac.
O jogo, disputado entre ‘Os Amigos de Zico’ e ‘Amigos de Jacozinho’, uniu ex-jogadores e personalidades alagoanas, além dos próprios craques da bola. Estiveram presentes ex-jogadores como Veiga, Lino e Zé Carlos, além do jornalista Madson Delano e do governador Renan Filho. A partida terminou em 7 a 4 para o time do Zico, e ficará para sempre na memória de quem assistiu e participou.
Um dos expectadores, Remy Ferreira, 11 anos, cadeirante e sobrinho do ex-jogador Veiga, teve a oportunidade de conhecer, entrar em campo com o ídolo, tirar fotos e ver o jogo de perto. O garoto enfatizou que a partida ficará marcada para sempre em sua vida.
“O jogo foi ótimo. Amei conhecer o Zico. Meu tio, o Veiga, também jogou muito. Esse dia vai ficar marcado para minha vida toda. Entrei em campo e ganhei autógrafo do Zico. Foi muito bom. Vou contar para os meus filhos e para os meus netos no futuro”, afirmou, radiante.
Fábio Rosa, gerente adjunto da Unidade de Acesso a Inovação e Tecnologia (UAIT) do Sebrae em Alagoas, atuou na partida no time do Jacozinho. Ele contou o que sentiu durante o jogo e aprovou a iniciativa para promover a paz nos estádios.
“O jogo foi muito bom. Foi inesquecível. Marcar o Zico, o camisa 10, e tirar a bola dele foi como um sonho, ainda mais no templo do futebol alagoano que é o Trapichão. Iniciativas como essa deveriam acontecer mais, sobretudo por incentivar a paz nos estádios dentro e fora de campo. A competitividade é o legal do futebol. Não essas brigas que acontecem”, declara.
O Reencontro e a Paz nos Estádios
Antes da partida, Zico e Jacozinho tiraram fotos com os fãs, autografaram camisas de torcedores de diversos clubes e falaram sobre a partida história de 1985 e sobre ações para promover a paz nos estádios. Zico, que atualmente é técnico do FC Goa, time da Índia, lembrou uma ação feita pelo Fenerbahçe, time do qual foi treinador na Turquia, em que apenas mulheres e crianças foram liberadas para assistir ao clássico contra o Galatasaray, uma das maiores rivalidades do mundo. Segundo Zico, para a paz voltar a reinar nos estádios, como no tempo em que era jogador, é preciso a união de todos que se envolvem com o esporte.
“A paz nos estádios depende muito dos dirigentes, dos jogadores, dos torcedores e da imprensa, que são o público que faz o futebol. O correto é aplicar punição severa para quem cometer algum delito no jogo. O exemplo da Turquia é maravilhoso! Reuniram 40 mil pessoas. O cara que vai ao estádio para criar confusão tem que ser banido do futebol. Queremos gente do bem dentro dos estádios”, frisa Zico.
O Galinho de Quintino, como também é conhecido o ex-jogador, deixou uma mensagem para os torcedores alagoanos.
“Futebol é rivalidade, mas não é guerra, é uma competição. As pessoas têm que vir ao estádio para se divertir, para curtir. Se tiver que zoar o adversário, que seja de forma sadia. Esse é um dos palcos que a gente sempre viu o torcedor prestigiando. Estava falando com o Jacó que gostaria de ver um time daqui de Alagoas na primeira divisão, pelo amor que o torcedor daqui tem pelo futebol. Agora, o que não pode se repetir é a tragédia que aconteceu na final do campeonato alagoano, quando tiver jogos entre as equipes daqui. O futebol é um teatro, é um show, e as pessoas têm que vir aproveitar e depois ir para as suas casas na tranquilidade. O mundo de hoje não comporta mais esse tipo de violência que a gente tem visto”, conclui o craque.
Jacozinho agradeceu o apoio de Zico ao participar do evento e também falou sobre a cultura da paz, que deve ser mais propagada no mundo do futebol. “Só tenho a agradecer ao Zico. Ele vir participar desse evento, para mim, é uma homenagem que ele está fazendo para mim. Ele se propôs a estar aqui e participar desse momento ímpar em Alagoas. Tudo o que sou e tudo o que conquistei dentro do futebol, após aquela partida em 1985, eu devo ao Zico. Futebol é lazer, é amor e carinho. É um remédio. A gente precisa de paz e vamos lutar por isso”, destaca Jacozinho.
O governador Renan Filho, que também esteve em campo e fez três gols, enfatizou a importância da ação em prol da promoção da paz no esporte. “É uma iniciativa bem legal, e ajudou a resgatar nossas tradições e momentos alegres do futebol alagoano, quando o Jacozinho, com muita alegria e entusiasmo, vestia a camisa do CSA, além de relembrarmos aquele jogo histórico que marcou o retorno do Zico ao futebol brasileiro. Espero que o esporte e o futebol possam sempre promover e estimular a paz, integrar as pessoas e garantir um entretenimento saudável para o público”, afirma.
O Sebrae em Alagoas, um dos apoiadores do evento, foi inserido na iniciativa para fomentar o Programa Lidera Esportes, criado pelo Sebrae no Rio de Janeiro para ajudar as micro e pequenas empresas cariocas a aproveitarem oportunidades de negócios durante os Jogos Olímpicos, mas que está sendo disseminado em todo o país pelo Sebrae Nacional para estimular a cadeia produtiva do esporte nos estádios. O programa será iniciado em Alagoas em 2017.
Ronaldo Moraes, diretor técnico da instituição, destacou os benefícios do programa. “Desenvolver o esporte é trazer uma série de oportunidades para os pequenos negócios e para o turismo. O principal intuito desse programa é apoiar as pessoas que querem empreender no esporte, assim como os organizadores desse reencontro. Incentivar o esporte é um grande fator de estímulo ao turismo e às micro e pequenas empresas. Temos muito potencial para isso. A natureza daqui permite uma série de oportunidades de práticas esportivas, como vela, ciclismo e corridas”, ressalta.
‘O Reencontro, promovendo a paz e a solidariedade’ foi realizado por meio de uma parceria firmada entre Sebrae em Alagoas, Sococo, Maceió Shopping, Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude, Federação Alagoana de Futebol e Compneus.
Fonte: Agência Sebrae Alagoas